Internet

Vendendo ilusões

Nada como a boa e antiga sabedoria popular: “de boas intenções o inferno está cheio”.

Seria maravilhoso para profissionais e clientes se existisse um site que os reunisse. Os clientes exporiam suas necessidades e os profissionais capacitados se candidatariam a executar o trabalho necessário. Na teoria parece ótimo. Entretanto, o Estatuto da Criança e do Adolescente é apenas uma prova de que na prática a teoria é outra. Nada acontece como previsto. É assim até com as leis brasileiras, criadas às baciadas e desrespeitadas sem a menor cerimônia.

Pois bem, um sujeito, ou grupo de pessoas, teve a ideia genial de criar um site para colocar clientes e profissionais em contato a fim de um resolver a necessidade do outro. O site chama-se Workana. Já falei sobre ele em outra postagem: “Uma arapuca chamada Workana“. E hoje venho ratificar minha impressão, desta vez não sobre o site, mas sobre seus usuários, co-responsáveis pela péssima imagem que vem sendo construída como símbolo da entidade.

Para começar, vamos esclarecer que esta não é apenas uma opinião pessoal. Eis aí o gráfico sobre o Workana no site Reclame Aqui, mostrando que menos da metade dos projetos publicados por clientes em potencial foram atendidos.

reclame_aqui

Quem é responsável por isso? Todos. O próprio site, cuja principal intenção é tirar 17,65% de comissão dos profissionais sem nenhum esforço; os contratantes que não expõem com a devida clareza suas necessidades; os candidatos (“paraquedistas” na maior parte) que assumem uma tarefa, mas não se envolvem como deveriam, os profissionais que são enganados e não reclamam seus direitos.

É fácil perceber que a grande maioria é composta por aventureiros. De um lado, gente que acha que ganhará muito dinheiro colocando no ar um site parecido com outros que já fizeram sucesso; de outro, um bando de moleques que buscam apenas um complemento para a mesada que recebem de seus pais. É raro encontrar quem tenha uma boa noção do que quer e, mais raro ainda, quem tenha respeito pelos profissionais e leve em conta os preços que são praticados no mercado. As ofertas são um avilte! Há quem estabeleça limites de preço abaixo de cem reais para remunerar quem se habilite a construir um site sofisticado ou consertar uma caca qualquer de algum curioso que se atreveu a se apresentar como webdesigner.

Para dar um exemplo, eis uma das reclamações feitas no Reclame Aqui:

reclamacao

Evidentemente, há o outro lado da moeda, os profissionais que prestam o serviço combinado e ficam a ver navios, como é o caso relatado neste link.

Depois de quase quatro meses desde minha inscrição no Workana, não consegui serviço algum por lá. O único caso de sucesso foi graças à transparência de uma empresa que revelou o link de seu site, possibilitando nosso contato direto.

Como ganhar dinheiro sem fazer força

O Workana cobra dos prestadores de serviços 15% de comissão, em tese. Mas, tem um jeito esperto de fazer isso.

bate_carteiraSe alguém apresentar uma proposta de mil reais, imaginará que receberá no final R$ 850,00 (1.000 x 15% = 150 e 1.000 – 150 = 850). Mas, não é bem assim. Quando o candidato informa seu preço, o site assume que deve acrescentar 17,65% para que sua comissão seja sobre o valor bruto. Sendo assim, a matemática aplicada é a seguinte: 1.000,00 / 0,85 = 1.176,48. Desta forma, quando a comissão for calculada (1.176,48 x 15%), o valor restante (líquido para o profissional) será de R$ 1.000,00, e o site “morderá” R$ 176,48 em vez de R$ 150,00! Sem ter feito nada! O cliente final pagará mais do que seria necessário se contratasse o serviço sem a intervenção do site.

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