Política

Uma pedra no sapato

Depois de sua frustração, por não conseguir validar seu novo partido e de ocupar uma posição pálida como vice de Eduardo Campos, morto num acidente de avião um dia depois de ser entrevistado pela Rede Globo, Marina Silva se vê recompensada tumultuando o cenário da campanha política. Considerada como a oponente com maior chance de impedir a reeleição de Dilma Rousseff, causa preocupação tanto ao PT quanto ao PSDB, partidos que vêm dividindo a condução do país há décadas.

Aos olhos dos eleitores, Marina Silva representa uma mudança efetiva na política exatamente por deixar seus oponentes mais poderosos de cabelos em pé. Não há dúvida de que ela pretende se aproveitar da rejeição que Dilma e Aécio carregam, respectivamente com índices de 36% e 15%, e que tentará convencer os indecisos e revoltados que têm manifestado sua intenção de votar em branco ou anular seus votos. Isto, entretanto, me preocupa, pois o erro do voto de revolta tende a se repetir. Assim como aconteceu em 1959, quando o rinoceronte Cacareco recebeu mais de cem mil votos nas eleições municipais, o suficiente para merecer o mandado de vereador da maior cidade brasileira, e mais recentemente com o palhaço Tiririca, semianalfabeto, hoje o deputado federal mais votado no país, podemos ter uma outra mulhe despreparada para comandar a Nação.

A evangélica Marina Silva pode não ser mentirosa e dissimulada como Dilma Rousseff, mas tem se mostrado radical em diversos sentidos e certamente se sentirá desconfortável diante de determinadas questões e leis vigentes quando envolverem temas como a legalização do aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo, considerados pecados graves, e em situações assim terá que optar entre a religião e a Constituição, ficando literalmente entre a cruz (de Jesus) e a espada (da Justiça). E, apesar de religiosa, em determinadas ocasiões não consegue esconder o ódio que brota dentro dela, agindo como uma tirana, de maneira que chega a amedrontar.

Estreia atropelada

carlos_siqueiraTão logo foi confirmada pelo PSB como candidata oficial, substituindo Eduardo Campos, Marina abalou as estruturas provocando o afastamento do primeiro-secretário do partido e coordenador da campanha, Carlos Siqueira. “Ela não representa o legado dele (Eduardo Campos), está muito longe de representar. Quando se está em situação como hospedeira, como ela é, tem que se respeitar a instituição, não se pode querer mandar na instituição. Ela que vá mandar na Rede dela, porque no PSDB mandamos nós.” – Declarou Siqueira.

O PSB, entretanto, calou-se diante do ocorrido, cedeu à postura ditatorial e acatou a escolha de Marina, que nomeou Luiza Erundina como sua nova coordenadora de campanha.

Radicalismo, uma característica da esquerda

É preciso lembrar a origem de Marina e de Luiza Erundina – o PT –, e também os motivos que as levaram a se afastar dele.

Quando se trata de política, os motivos são, quase sempre, causados pela frustração de não conquistar posições de destaque. Se o político não é escolhido como candidato a um cargo mais elevado, não ocupa a presidência de uma estatal, não ganha um Ministério ou não é incluído na “panelinha” que se beneficia dos atos mal feitos, ou seja, do enriquecimento ilícito, ele fica magoado e muda de partido. Ou cria um novo. Pode apostar, não é por idealismo.

A própria Luiza Erundina foi eleita prefeita de São Paulo graças à rejeição de seu oponente Paulo Maluf. Voto de protesto. E todo mundo viu no que deu, Erundina foi uma péssima prefeita.

sobra_ministroOs radicais são, via de regra, revoltados. Sentem inveja do sucesso dos outros, por isso querem dividir o que os outros tem demais e eles têm de menos. Mas, isso acaba quando conquistam aquilo que almejam. É simples, como é possível classificar um sujeito que se veste com ternos caríssimos, de milhares de reais, como um político populista? Como pode um Presidente que se diz comunista criar uma lei que garanta para o resto de seus dias dois carros oficiais, seguranças e serviçais, além de seu salário, tudo pago pelo povo?

O comunismo é pregado por essas pessoas enquanto elas são pobres. Depois que enriquecem, elas se tornam capitalistas e dão, por exemplo, aos filhos a oportunidade de se tornarem milionários, como é o caso de Lulinha. O povo que se lasque! Não duvido que se neguem a dar uma esmola para um mendigo, a ajudar alguém a encontrar um emprego no mercado de trabalho, ou a garantir os estudos de crianças carentes. Tudo que queriam eles já têm.

Os rumos da campanha

Dilma não precisa de adversários, ela própria cuida de aumentar a rejeição dos eleitores proferindo absurdos que se transformam em piadas, embora o caso seja para chorar. Com isso ela vem despencando nas pesquisas, e quem está aproveitando essa maré é Marina Silva.

Com água no nariz, Aécio, promete, se eleito, dar aumentos pontuais no Bolsa Família para beneficiários que cumprirem determinados requisitos. Como exemplo, ele disse que poderá haver aumento de 30% do valor pago para alunos que se destacarem nos estudos e de até 50% para adultos desempregados que fizerem cursos de qualificação profissional. Ou seja, ele tenta comprar os eleitores que votam em Dilma porque querem continuar na sombra, ganhando o Bolsa Família. Não foi à toa que publiquei a postagem “O tiro no pé do PSDB“, querendo dizer que a escolha do partido foi mal feita.

Tudo isso acontece porque, como disse certa vez a apresentadora Hebe Camargo, “o bolo é novo, mas as moscas são as mesmas”. Sem renovação no cenário político, o que vemos são as caras de sempre, currículos que já conhecemos e nos quais não confiamos. Por isso não há interesse do eleitor em acompanhar a propaganda gratuita, que, aliás, custa sim muito dinheiro que poderia ser aplicado em outras coisas mais úteis. O TSE gasta mais uma fortuna para “motivar” os eleitores a votarem, como se votar fosse opcional.

De qualquer forma, o que vemos é a mesmice de sempre: centenas de candidatos “querendo se arrumar” ou lutando para conservar a mamata conquistada, às vezes em troca de dentaduras ou tapetes vagabundos. Agem como os portugueses que chegaram aqui em 1500 oferecendo espelhos e adornos em troca da permissão dos índios para derrubar a mata nativa, levando pau-brasil para ser vendido a preço de ouro em Portugal. E pior, nós continuamos agindo como aqueles índios, permitindo que se façam todas essas barbaridades.

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Político idealista, realmente interessado em fazer o melhor por seus eleitores é uma coisa que não existe, é uma figura folclórica, como o coelhinho da Páscoa, Papai Noel, saci-pererê e outras personagens. Todos estão lá pensando em si mesmos, acima de tudo. Exagero? Ofereçam a eles o mesmo que ganhavam antes de se tornarem políticos e vejam quantos sobrarão…

A “onda” Marina

O Partido dos Trabalhadores tem recomendado cautela e paciência até que a “onda Marina” passe. Estão buscando novas estratégias, agora querendo “pintar” sua candidata como uma dona de casa comum que sabe (?) manejar uma panela. Dilma chega quase a agarrar à força as pessoas presentes nos lugares por onde passa a fim de tirar fotos para se mostrar próxima do povo. Os ardis são preparados pelos marketeiros que ficam ricos com essas campanhas, mas o que nos é mostrado é tão verdadeiro quanto uma nota de três reais.

Da mesma forma, os responsáveis pela campanha de Marina Silva farão de tudo para mostrar uma imagem de mulher tranquila e generosa ao invés de mostrar seu lado autoritário e extremista. Afinal, são pagos para isso. Ou alguém acredita que Lula tenha trocado suas camisetas imundas e puídas por ternos bem cortados e aparado sua barba por vontade própria?

Não acredite no que vê. Tudo não passa de mentira. Nenhum candidato é confiável. Entretanto, deixar de votar, anular o voto ou votar em branco é ajudar quem tiver mais votos. Portanto, já que somos obrigados a votar, que saibamos escolher o que nos parecer menos ruim.

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