Bragança PaulistaCidades

Questão de ordem

Em pauta a Avenida São Lourenço, uma via de 600 metros de extensão com cara de rua que ganhou status de avenida para, talvez, poupar da taxa de asfalto pessoas com relações privilegiadas na prefeitura na época da pavimentação.

transito_caoticoSó quem vive ali ou utiliza com frequência a Avenida São Lourenço como opção de trajeto sabe dos problemas e dificuldades que ela apresenta, a começar pelo trânsito, que não chega a ser tão caótico quanto na imagem ao lado, mas causa muitos transtornos que poderiam ser facilmente evitados sem prejuízo de ninguém, apenas com uma decisão da prefeitura da Secretaria de Trânsito e Segurança de Bragança Paulista.

Apenas para mostrar um exemplo, eis um flagrante do que aconteceu no último dia 21 de dezembro, sábado, por volta de meio-dia:

donodarua

O motorista(?), que saiu como se violar a lei fosse um ato comum, foi reconhecido por moradores como sendo um ex-vereador de Bragança Paulista. Não foi possível confirmar a informação.

O cenário

arco_flexaA Avenida São Lourenço não parece uma avenida, não é larga, nem longa o suficiente para comportar o fluxo de veículos que recebe ou mesmo para merecer esta classificação, porém, tem a preferência de muitos motoristas por aparente economia. Se projetarmos sua extensão, considerando a paralela Avenida dos Imigrantes, no bairro do Lavapés, a primeira seria a corda (linha mais fina na imagem à direita) e a segunda, o arco (linha mais grossa). Isto nos faz pensar que ao utilizar a via mais curta estaremos economizando tempo e combustível. Todavia, a prática nos mostra o contrário, pois não há congestionamentos na Imigrantes, enquanto estes são constantes na São Lourenço, especialmente na esquina da Rua Monteiro Lobato, onde se concentram os estabelecimentos comerciais de maior visitação: um supermercado, um depósito de materiais de construção e uma loja de ferragens.

Para expor nossas observações, numeramos na imagem acima as três quadras que compõem a Avenida São Lourenço em seu lado direito.

A quadra 1

Com cerca de 110 metros de extensão, a primeira quadra abriga hoje em seu lado esquerdo, entre as unidades unifamiliares, menos de oito pequenos estabelecimentos comerciais, alguns com entrada também pela Rua Santa Cruz. Do lado direito, é tomada pelo prédio do Supermercado Big. Nesse trecho, o trânsito flui somente no sentido Centro-bairro e o estacionamento é permitido em ambos os lados, servindo, especialmente, às pessoas que trabalham por ali. Graças a essas condições, o tráfego de veículos é reduzido, até porque não há como transitar por ele com veículos grandes.

A quadra 2

proibido-parar-e-estacionarSem dúvida, esse é o trecho que apresenta o maior número de problemas, devido ao movimento do comércio existente.

Com frente para a Rua Monteiro Lobato estão o Supermercado Big e o Depósito Casa Verde, ambos com grande afluxo de clientes. Suas áreas particulares de estacionamento se mostram insuficientes para abrigar aqueles que se dirigem aos demais estabelecimentos que ali se concentram – todos sem estacionamento próprio: uma adega, uma lanchonete, a loja de ferragens Parafix (com intenso movimento), um salão de cabeleireiro, uma loja de roupas e um brechó. Daquele lado, ao longo de seus 50 metros de extensão, foi proibido o estacionamento e até mesmo a parada de veículos.

No lado oposto da via, vale a mesma proibição, entretanto, a faixa amarela que demarca o impedimento já quase desapareceu, e os caminhões de carga, com anuência e por conveniência do proprietário do Depósito Casa Verde, começam a estacionar logo cedo, quase todos os dias, para abastecer o depósito. Aí constatamos a veracidade da lei de Newton, que diz: dois corpos não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo.

Com caminhões estacionados irregularmente de um lado e veículos de passeio infringindo a proibição do outro lado – às vezes estacionando sobre a calçada, como mostra a foto maior –, a passagem de ônibus fica complicada, provocando efeito em cadeia, causando congestionamentos.

Isso sem falar do trânsito de empilhadeiras que circulam entre os dois depósitos do Casa Verde e das paradas dos ônibus, na mesma esquina, onde não há ponto identificado para este fim.

estac_irregular

Não existe fiscalização, e, quando há agentes de trânsito no local, sua ação limita-se à orientação aos motoristas que, tão logo os agentes desapareçam, voltarão a desafiar a lei, estacionando inclusive defronte as garagens das residências.

Agravantes da “esquina do inferno”

O cruzamento da Avenida São Lourenço com a Rua Monteiro Lobato é, também, ponto de prostituição de travestis. Embora a prostituição não seja considerada crime no Brasil, há leis que protegem o moral e os bons costumes:

travestis1) Ato Obsceno (art. 233 do Código Penal: “Praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.”);

2) Importunação Ofensiva ao Pudor (art. 61 da Lei de Contravenções Penais: “Art. 61. Importunar alguém, em lugar público ou acessível ao público, de modo ofensivo ao pudor: Pena – multa”.

Essas leis têm sido desrespeitadas, assim como existe a importunação do sossego, devido às constantes brigas e discussões entre os travestis, até alta madrugada. Moradores alegam já ter flagrado travestis em cenas de sexo explícito na área de estacionamento do Depósito Casa Verde. Ademais, alguns “desfilam” de peito nu, exibindo seus seios falsos em pleno dia pelas redondezas. A Polícia não coíbe esses abusos.

Quadra 3

O comércio é mais variado a partir desta quadra, porém, mais espalhado, mostrando uma predominância de uso familiar nos muitos imóveis que preenchem o restante da “avenida”. Já quase em seu final, há uma praça, a Manoel Teodoro, trecho onde o estacionamento é proibido.

pcamanoelteodoro

A praça está quase sempre vazia. Faltam-lhe atrativos e cuidados. Serve, talvez, à noite, aos traficantes de drogas. Há na praça pelo menos dois pontos usados para que os moradores e comerciantes depositem o lixo.

A pergunta que não quer calar

paralelas

Por que, sendo a Avenida dos Imigrantes mais larga, os motoristas escolhem a Avenida São Lourenço para alcançar o mesmo destino?

Proposta dos moradores

Visando à solução dos problemas apontados, os moradores da quadra 2 prepararam uma proposta que pretendem entregar formalmente à Secretaria de Trânsito e Segurança do Município: estabelecer mão única para a Avenida São Lourenço no sentido Centro-bairro, até a Praça Manoel Teodoro.

Segundo o cabeleireiro Neto, que tem um salão defronte o estacionamento do Depósito Casa Verde, há rumores de que a prefeitura poderia estender o sentido único até o final da quadra 2. Isso forçaria os motoristas que vêm da Avenida Eusébio Savaio, do sambódromo ou da Rodoviária a tomarem a Rua Luis Lopes Cardoso para retornar à Avenida dos Imigrantes, o que favoreceria àqueles que têm por destino as ruas da Vila Libânia, bairro que fica atrás da Praça Manoel Teodoro, uma vez que a alternativa mais próxima seria a Travessa Gino Mazzola, derivada da Avenida Eusébio Savaio. A travessa, contudo, é demasiadamente estreita para receber todo o fluxo de veículos.

corrente_alternativa

Por outro lado, tal medida causaria outro problema: obrigaria os motoristas menos avisados a desviar pela Rua Luis Lopes Cardoso, impondo-lhes a conversão à esquerda, o que poderia trazer transtorno ao tráfego no sentido contrário. A manobra seria difícil para os veículos de grande porte e aumentaria consideravelmente o movimento de veículos onde hoje quase não há trânsito.

Nesse caso, a proposta dos moradores parece melhor.

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Desvio obrigatório à direita (acesso para a Vila Libânia) na Praça Manoel Teodoro para quem circula no sentido bairro-Centro pela Avenida São Lourenço.

Comerciantes na contra-mão

É de se esperar que alguns comerciantes se manifestem contrários às mudanças sugeridas, alegando que serão prejudicados. Todavia, seu prejuízo não viria daí, mas da falta de áreas próprias de estacionamento, como é exigido pelas Leis de Zoneamento em outras cidades. Esses comerciantes se valem dos pátios do Depósito Casa Verde e do Supermercado Big como pontos de estacionamento alternativo, indicando-os inclusive a seus clientes.

Os próprios comerciantes e seus empregados são os primeiros a ocupar as vagas disponíveis nas vias públicas onde não há estacionamento rotativo, dificultando a parada de seus clientes.

A Rua Santa Cruz, outra paralela da Avenida São Lourenço que poderia servir como saída alternativa, além de estreita, tem o estacionamento permitido em ambos os lados de sua primeira quadra, o que impede a circulação de veículos de maior porte.

santacruz

Ambas as vias, pelo menos no primeiro trecho, têm características que justificam a implantação do sistema rotativo de estacionamento, o que resolveria parte do problema, gerando arrecadação adicional para o Município. Tal arrecadação poderia reverter em benefícios para a população, como a recuperação e manutenção das praças vizinhas.

Vontade política

Dizia o Deputado Emanuel Fernandes (PSDB) em sua primeira campanha a prefeito de São José dos Campos:

Podemos transformar a cidade numa nova Curitiba. Se a cidade tiver um bom aspecto, a auto-estima dos munícipes fará com que eles gostem mais de viver aqui.

Ele mostrou que tinha razão. A administração de Emanuel Fernandes – incluindo seus dois mandados e outros dois de seu sucessor, Eduardo Cury – é um marco na história daquela cidade.

Benefícios

Tenho que admitir que, pela primeira vez nos quase cinco anos em que moro aqui, começo a ver sinais de revitalização na cidade. O mato está sendo ceifado nos canteiros públicos, os bancos de concreto começam a ser pintados, faixas estão sendo pintadas nas avenidas… Ainda que isso possa parecer pouco, vai ao encontro do pensamento de Emanuel Fernandes: a auto-estima das pessoas se eleva quando a cidade se mostra mais agradável.

Devido ao abandono dos últimos anos, ainda há muito a ser feito. É uma boa hora para buscar parcerias já que a prefeitura por si só não dará conta de resolver todos os problemas. Seria muito difícil, até porque boa parte da equipe atual vem de outras atividades, sem experiência alguma em administração municipal. Há, porém, pelo menos aparentemente, boa vontade.

A prefeitura lançou, há algum tempo, uma campanha marcada pelo 250º aniversário da cidade, através do site oficial do Município, convidando os munícipes a participarem com sugestões do que poderia ser melhorado. Mas, são poucos os que visitam o site, e menos ainda os que se dispõem a contribuir. A campanha saiu do ar. Nós não. Além das sugestões já enviadas, continuamos apresentando propostas que visam benefícios para toda a comunidade, não apenas para dois ou três comerciantes, por mais importantes que eles sejam para Bragança Paulista.

A mudança do sentido de tráfego na Avenida São Lourenço é uma proposta que nasceu dos anseios dos moradores daquela via, resultado de conversas de portão e de filas de supermercado, com base em seus depoimentos, em suas queixas e frustrações.

Se aceita, a proposta trará vários benefícios, como maior fluidez do trânsito, redução dos congestionamentos e dos riscos de acidentes, maior facilidade de estacionamento, inibição dos que procuram os travestis, utilização correta da Avenida dos Imigrantes para o tráfego intenso, mais respeito pelas leis de trânsito, mais espaço para a circulação do transporte público, uso correto das áreas de estacionamento particular, aumento de arrecadação para os cofres do Município.

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