Arquivo morto

Que eu pague a minha língua

Acabo de assistir ao encerramento das Olimpíadas de 2012. Um show de gente grande. Fantástico! Eu diria irrepreensível se não fossem os oito minutos dedicados ao Brasil. Os brasileiros aplicaram, de novo, a mesma receita, começando com um gari ensinando um segurança inglês a dançar samba; depois seu carnaval; “seu” Jorge representando o malandro; mais um pouco de batucada, índios, e as músicas Maracatu Atômico e Aquele Abraço. Para salvar o espetáculo, – ufa! – um trecho da bachiana nº 5 de Villa Lobos na voz de Marisa Monte. E fechando “com chave de ouro”, a presença de Pelé, “a pessoa que melhor representa o esporte brasileiro“, segundo Galvão Bueno (Ué, Galvão, não era o Senna?).

Por aí dá para se ter uma ideia bem clara do que será apresentado ao mundo daqui a quatro anos, quando as Olimpíadas acontecerem na cidade do Rio de Janeiro. É claro que tudo será acompanhado de perto pelo Exército Brasileiro, armado até os dentes para garantir a segurança dos atletas. Só não dá para garantir a segurança dos que forem até lá para ver os jogos.

Carmen Miranda, apesar de portuguesa, só deixou de ser o símbolo do Brasil no Exterior porque Pelé apareceu mais do que ela.

Não é à toa que lá fora muita gente pensa que o Brasil é terra de índios, embora estes sejam menos de 900 mil e a maior parte deles esteja vivendo nos grandes centros urbanos e sejam totalmente civilizados.

A culpa não é do país, mas do povinho ignorante ao qual são dadas responsabilidades que estão além de sua capacidade. Esse povinho, que tem cabeça de bagre, continua vivendo no Brasil-colônia, acha natural o trabalho escravo e trabalha o ano inteiro em prol da apresentação de escolas de samba, ainda que isso pareça um video-tape dos anos anteriores. Tiram a roupa das mulheres mais cheias de curvas, pintam seus corpos, enchem-nas de penas e as fazem desfilar como galinhas nas passarelas (agora muitas) espalhadas pelas cidades.

Não duvido que coloquem o Renato Aragão para conduzir a cerimônia de abertura, e no encerramento, Zezé de Camargo e Luciano, Xuxa, Faustão, Roberto Carlos (de bengala, acompanhado de uma enfermeira), com direito a desfile de todas as escolas de samba cariocas. Sem medo de errar, como sempre, será proibido exibir imagens de artistas que não sejam da Globo, até porque vão para as outras emissoras os piores dos já muito ruins que existem lá.

As praças esportivas provavelmente estarão pichadas e destruídas pelos vândalos, ocupadas por traficantes e sem alvarás de funcionamento. Não haverá transporte público suficiente para transportar as pessoas; os alojamentos para os atletas estarão ocupados pelos sem-teto, com bandeiras vermelhas penduradas nas janelas; as Polícias entrarão em greve. Mesmo assim, haverá som gratuito com muito funk e música sertaneja nos alto-falantes dos carros daqueles que não conseguem chamar a atenção de outra maneira.

Evidentemente, todas as providências para deixar o país em ordem para tamanho evento começarão a ser tomadas somente um mês antes, como manda o jeitinho brasileiro. Isso é o Brasil. Se você não acredita, veja a amostra no vídeo abaixo (abaixo da crítica!).

Fazer o que? Essa é nossa cultura.

 

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