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Os fantasmas da política isabelense

Marcando o fim de um novembro com novidades nada agradáveis para a prefeita Fábia Porto, dois vídeos dela, publicados no Facebook, chamaram a atenção de muita gente, ambos revelando, mais do que sua decepção, sua revolta pela decisão tomada por seu vice, Dr. Carlos Chinchilla, e pelo vereador Gabriel da água, este depois de uma curta passagem pela Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico. Os dois abriram mão de seus cargos e passaram para o “outro lado”.

As publicações ofereceram oportunidade para manifestações favoráveis e contrárias, tanto à prefeita quanto ao vice, e ninguém fez críticas ao vereador Gabriel. Já em relação ao presidente da Câmara…

Todos por aqui sabem que Fábia Porto e Alencar Galbiatti nunca estiveram do mesmo lado. Isso era nítido e notório desde o dia da diplomação dos eleitos em 2016. Quase se podia ver uma nuvem negra pairando no salão da Câmara Municipal graças ao “clima” de rivalidade entre os dois. Nem mesmo a foto tirada meses depois anunciando a “união” para o bem da cidade seria convincente. Afinal, os olhos são as janelas da alma e deixam ver os sentimentos que vêm de lá.

Provocações

Alencar foi escolhido presidente da Câmara assim que a cerimônia de posse terminou. Tinha pressa. Disputando a mesma cadeira estava o vereador Paulinho Berto. Para surpresa de alguns, foram nove votos a favor de Alencar. O público presente saiu calado, foi comentar depois, e a confraternização que deveria reunir os 15 vereadores foi dividida em dois locais diferentes. Ali sim, todos falaram muito. O presidente da Casa diria em outra ocasião que nada que viesse do Poder Executivo seria aprovado sem seu aval. Estava confortável com o apoio que recebera, e não dava a menor importância para o que comentavam nas ruas.

De fato, a pressão era grande, começando pelas críticas à escolha dos secretários municipais, todos com formação superior – uma exigência da nova administração –, alguns com pós-graduação, incluindo os que foram trazidos de outras cidades.

Tal exigência, porém, causou arranhões no relacionamento da prefeita com alguns daqueles que a vinham apoiando durante toda a campanha e que davam sua nomeação como certa. Há quem tenha sido agraciado com o cargo de diretor(a) e metade do salário esperado, ao contrário da maioria dos vereadores que, segundo dizem as línguas que não ouso julgar, ganharam uma gratificação extra e “particular”.

A estratégia precisava ser mudada. Esperar o apoio dos vereadores mostrava-se infrutífero. Foi então que alguém teve a ideia de oferecer àqueles que estavam “do outro lado da Força” uma recompensa mais atraente: nomeando-os secretários, teriam seus salários mais que dobrados (de R$ 5.612,56 para  R$ 13.096,00) e apareceriam muito mais. Isto é, a velha fórmula do dinheiro + reforço do Ego não poderia falhar. E assim, lá se foram Marquinhos da Pelikan, Clebão do Posto, Ti Nagate, Gabriel Silva, Jairo Furini Neto e Reinaldo Nunes. Ângela Sanches foi a primeira, um pouco antes. Em tese, além de deixar Alencar Galbiatti enfraquecido, isso anularia as queixas sobre o secretariado do início do mandato.

Revanche

Na prestação de contas dos 100 dias de governo, em solenidade pública na Praça da Bandeira, murmurava-se nas rodas de amigos que Fábia Porto mostrara naquele período uma postura muito diferente da que exibia durante a campanha eleitoral. Diziam que seus sorrisos não eram mais espontâneos, nem tão frequentes, e que ela havia “se blindado”, ignorando todas as sugestões e conselhos que recebia. A “blindagem” seria obra de secretários mais próximos. Podia-se pensar na ocasião que entre eles estaria Noely Costa, amiga da prefeita há mais de duas décadas, entretanto, esta viria a ser exonerada mais tarde, após mais nova pressão de Alencar, dada sua instatisfação com o resultado da licitação que ocasionaria a substituição da empresa responsável pela coleta de lixo.

A movimentação das peças do tabuleiro político isabelense começava a ferver. O vice Chinchilla sentia-se colocado à parte, fora da suposta “blindagem”, o que pode ter se agravado com a nomeação de Celso Rossetti, marido de Fábia, como Secretário de Gabinete, uma decisão fortemente criticada nas redes sociais e apontada, erroneamente, como nepotismo. A lei diz que não é. O assunto foi comentado no artigo “Sob a égide da Lei“, em abril deste ano, neste blog.

Chinchilla pouco aparecia nas fotos com a prefeita, e muito menos nos vídeos que a promoviam, dando sinais de desgaste na sua relação com Fábia Porto. Ele não era o único a deixar perceber um certo desapontamento. Aos poucos, a equipe inicial, dos escudeiros fiéis, ia se desmantelando. Sobreviveram, até aqui os secretários Tiago Pierre – que ocupa sua 4ª secretaria nesta gestão, a de Cultura –, Rodrigo Butterby (Serviços Municipais), Sérgio Sidorco (hoje acumulando as secretarias de Finanças e Turismo e Desenvolvimento Econômico) , Maria Donizeti Camargo (Educação), Valesca Cassiano (Assuntos Jurídicos) e José Heleno Pinto, antes Secretário da Saúde e hoje como Secretário Geral de Gabinete.

Em menos de um ano foram muitas mudanças, a maior delas, porém, foi a derrubada da exigência de formação específica e especialização nas áreas em que atuam os secretários. Os títulos acadêmicos perderam a importância diante da conveniência do ajuste político que desarticularia o “inimigo número um” da administração municipal.

Juntando a fome com a vontade de comer

Ninguém pode afirmar como verdade, mas, também não se pode impedir que a imaginação busque justificar o incompreensível com algum sentido que tenha uma chance, ainda que pequena, de ser real. Não seria absurdo, portanto, considerar que o Dr. Carlos Chinchilla, julgando-se, talvez, mais preparado e imune às influências, e sonhando com realizações mais impressionantes, porém, barrado pelos que armaram a blindagem da prefeita, colocando-o de lado, sonhasse com uma virada de mesa que culminaria com sua candidatura a prefeito nas eleições de 2020. E que Alencar Galbiatti, impedido de realizar tal conquista pela Justiça Eleitoral e sabendo-se rejeitado pela maioria dos eleitores locais, se aproximasse de Chinchilla para atraí-lo para seu partido a fim de voltar a ser o “primeiro ministro” da cidade, como ficou conhecido na administração passada. Ademais, isto não seria um bom troco para compensar a “revoada” de vereadores aliados?

A ira

Considerado como um traidor, Chinchilla não teve seu nome sequer citado no vídeo de Fábia Porto ao prestar contas para o povo do que acontecera. Disse ela que seu vice não quis aceitar a Secretaria de Saúde porque “não compensava financeiramente”.  Em consulta ao Portal da Transparência da Prefeitura Municipal de Santa Isabel, encontrei o Dr. Carlos Augusto Chinchilla Alfonzo no cargo de vice-prefeito com salário bruto de R$ 5.612,56, ou seja, o mesmo salário pago a cada vereador. Como secretário ele ganharia R$ 13.096,00.

Você diria que não era compensador aceitar a secretaria?

Outro vídeo, abordando o mesmo tema, mostrava diversos secretários e vereadores em reunião de apoio à prefeita, também publicado no Facebook, desta vez para deixar claro que Alencar Galbiatti e Gabriel da Silva são, para ela, oposição.

As expressões nos rostos dos presentes não refletia entusiasmo, alegria ou determinação. Quebrando o clima de constrangimento, Tiago Pierre puxou os aplausos.

Quem acrescentou um toque especial a esses acontecimentos foi o fotógrafo e suplente de vereador Wagner de Mello Lima, conhecido no Facebook como Guardião Santa Isabel,  postando, em seguida, as imagens abaixo:

Conclusão: direta ou indiretamente, tendo ou não qualquer participação no afastamento do vice-prefeito ou em qualquer outra mudança no cenário político, o fantasma de Alencar Galbiatti continua assombrando a prefeita.

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