Política

O tu é teu…

O Brasil, que um dia já foi um país que nos causava orgulho, virou a casa da mãe Joana, pelo menos no que envolve os políticos. Ou começando por eles. A desfaçatez é tão grande que nos causa nojo e revolta. Aliás, vai muito além, provoca ódio e desejo de exterminar definitivamente essa classe inútil e desonesta.

Algumas provas que fazem da política um bom negócio são:

  1. a quantidade de candidatos que se engalfinham na disputa das poucas (!?) vagas disponíveis a cada quatro anos;
  2. a quantidade de partidos políticos existentes e a fila de novos partidos que aguardam registro e aprovação para serem reconhecidos como tal;
  3. a luta dessa classe pela criação de novos cargos eletivos ou comissionados para que possam aproximar seus parentes e comparsas;
  4. a facilidade na obtenção de verbas para serem desviadas ou compartilhadas e a desnecessidade de comprovar sua correta utilização;
  5. como político, é possível sugerir aumentos do próprio salário e aprová-lo;
  6. o tratamento VIP recebido em todos os lugares.

A política é o único meio de enriquecimento que não exige qualquer esforço. Um bom exemplo disso é o caso dos Ministros do Superior Tribunal Federal. Há um ano, em sessão que não durou dez minutos, os Ministros se auto-agraciaram com um aumento de mais de 15%, elevando seus salários para quase R$ 30 mil, e agora, como um dos primeiros atos realizados pelo novo presidente, o Ministro Ricardo Levandowsky, foi proposto um novo aumento, desta vez de 22%, apenas para iniciar a discussão. Levandowsky pediu o apoio do presidente do Senado, Renan Calheiros, e conseguiu deste a promessa de que “para evitar que o teto legalmente permitido seja alcançado com rapidez” será considerado o salário de R$ 48 mil. Os Ministros recebem também um auxílio-moradia de R$ 4.000,00. Os benefícios estendem-se, por efeito cascata, a todos os desembargadores brasileiros.

sonequinha

 

Façamos as contas: 48 + 4 = 52  =>  52.000/160 horas = 325  => 2 horas x R$ 325,00 = R$ 650,00. Salário mínimo: R$ 724,00. Um Ministro do STF ganha um salário mínimo a cada 2 horas e 15 minutos, mesmo dormindo.

É assim. Os políticos provocam verdadeiros tsunamis nos cofres públicos fazendo escoar com rapidez o que houver ali. Não há limites ou sinais de que chegaremos a um patamar estável. Ainda há dinheiro? Então, vamos pegá-lo! É fácil e é legal, pois são eles mesmos que propõem e aprovam as leis.

suicidio

Político não precisa prestar contas do que faz ou, principalmente, do que não faz. Não bate cartão, ignora totalmente a existência de seus chefes (que deveriam ser seus eleitores), comparece ao local de trabalho quando tem vontade, paga todas as suas contas com dinheiro dos outros, tem direito a carro oficial com motorista, à melhor assistência médico-odontológica, não precisa enfrentar filas, emporcalha as ruas com propaganda durante as campanhas e não limpa a sujeira que faz (como na vida pública), desrespeita as leis e goza de impunidade.

Os políticos brasileiros são tão úteis quanto um peso de papel, entretanto, custam caro. Muito caro. Mais caro que em qualquer outro lugar do mundo. Esta e todas as outras contas consequentes de seus atos quem paga é o povo.

homerNão é à toa que está doendo.

Em 2013, o povo saiu às ruas porque recebeu com indignação a notícia de que as passagens de ônibus ficariam mais caras. Foi – pensei – a gota d’água que faltava para transbordar o copo da paciência, da tolerância. Houve quem dissesse que as manifestações não tinham origem nos vinte centavos a mais nas passagens dos ônibus. Eram, na verdade, um grito de saturação por tudo que acontece no Brasil em consequência das decisões “políticas”, já que todos os que fazem parte dessa panelinha agem sempre com o mesmo intuito: tirar vantagem em seu próprio benefício.

Os políticos não gostaram dessa reação. A Presidente reuniu seus “trocentos” ministros, convocou a mídia e fez um teatrinho, fingindo estar disposta a mudar as coisas.

Diante da falta de providências, o povo voltou às ruas e, então, foi espancado, subjugado com barricadas, bombas de efeito moral e balas de borracha. Alguns partidos políticos contrataram vândalos desocupados para, com seus rostos encobertos, provocar tumultos e depredação no intuito de diminuir a força das ações populares. Os black blocs, em troca de “dinheiro de pinga” – como declarado por um dos entrevistados – chegaram a causar a morte de um jornalista. E tudo isso teve efeitos passageiros. “— Fique frio, a Copa do Mundo vem aí e todo mundo vai se esquecer disso rapidinho“, deviam comentar os mandantes.

empresario

Não foi bem assim. Pouco antes da Copa, toda a plateia presente a um show do Rappa, em Ribeirão Preto, mandou seu recado em alto e bom som para a Presidente: “— Ei, Dilma, vai tomar no c*!”, gritavam em coro. Isso se repetiu na abertura da competição, e Lula fez o que podia para culpar “a zelite”. Não conseguiu. Há milhões de brasileiros querendo dizer isso cara-a-cara, desejando que ela desapareça, que se mude definitivamente para Cuba e, assim, interrompa essa sequência de desastres que não para de crescer.

O desânimo é de todos, pode-se ver a tristeza nos olhos daqueles que já não conseguem pagar as contas obrigatórias de todos os meses. Não são poucos, nem fazem parte de um único segmento. A economia estagnou, o consumo diminuiu, as prioridades tiveram que ser mudadas; hoje vivemos pelo essencial. “É o que tem pra hoje” é uma frase que tem sido muito ouvida.

pedofilo

E o que tem pra hoje?

Publiquei no Facebook, nesta madrugada, uma postagem sobre esse fenômeno difícil de ser nomeado (reproduzida no próximo parágrafo).

Minutos depois, uma amiga publicou o vídeo de Adélia Prado com um trecho de sua entrevista no programa Roda Viva, ocasião em que a escritora, em franco desabafo, retrata com exatidão o momento que estamos atravessando.

Sabemos como deveria funcionar a política e o que deveria ser concedido aos nossos representantes para exercerem bem os seus papéis. Mas, se fazer as leis é permitido somente aos que usam essa prerrogativa para nos impedir de controlar sua ganância desvairada, que alternativa nos resta senão infringir as leis para que a ordem seja restabelecida?

dentes

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Você deve ter achado estranhas as chamadas que aparecem no meio deste texto, porém, há uma razão para terem sido colocadas onde estão. Elas são tão absurdas quanto qualquer coisa que você já tenha ouvido de um político, e tão verossímeis quanto suas promessas. Nenhum deles está lá buscando soluções para os problemas do país.

Fica o aviso: o tu é teu. Então, tome tonta dele.

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