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O tiro no pé do PSDB

Algumas pessoas me consideram negativista, outras – os petistas – se surpreendem por eu vir insistindo em afirmar que o candidato Aécio Neves foi uma escolha ruim para disputar as eleições presidenciais de 2014. Isso não me incomoda, meu raciocínio é apenas lógico, e as pesquisas indicam que tenho razão.

A Folha de São Paulo publicou hoje, 11 de maio, dia das mães, que “Nunca tantos brasileiros foram contra o voto obrigatório. A pesquisa Datafolha concluída na quinta mostra que 61% dos eleitores rejeitam essa imposição, regra prevista no artigo 14 da Constituição.”

A rejeição bateu um recorde sendo manifestada por 57% dos entrevistados. Eles não votariam nas eleições de 5 de outubro de o voto fosse facultativo.

Até aí, tudo bem. Isso poderia ser entendido como uma opção madura de quem já entende a democracia e a sente madura no Brasil. Porém, a verdade não é bem esta. Tornar o voto facultativo pode significar a instalação definitiva de uma ditadura comunista (ou populista, diriam os petistas) graças à santa ignorância do povinho que aqui habita. Vamos aos números:

resultados_pesquisa

Salvo em caso de novos vazamentos de desastres políticos (que los hay, los hay) e aumento da consciência popular – um tanto quanto improvável –, Dilma Rousseff é hoje a candidata com maior chance de ser eleita para governar o país por mais quatro anos. A eleição, segundo as pesquisas, terá segundo turno, e, mesmo que Eduardo Campos apoie Aécio depois disso, a soma das intenções de votos de ambos não alcançaria os 37% da atual Presidente (a palavra Presidenta não entra na minha cabeça). Seria necessário que a sorte nos sorrisse e a metade dos indecisos se somasse ao grupo oposicionista.

Mas, o assunto aqui é outro. Vamos mostrar que o PSDB empunha uma arma carregada apontada para o próprio pé.

pesquisa2

De acordo com a pesquisa Datafolha, os eleitores de Dilma são os que menos se preocupam com o voto facultativo. Curiosamente, os índices crescem, e muito, numa progressão inversamente proporcional às intenções de votos dirigidas aos outros candidatos. Ou seja, se tivéssemos o voto facultativo, Aécio Neves e Eduardo Campos perderiam boa parte dos votos que pensam ter, o que simplesmente eliminaria a necessidade de segundo turno.

Tente compreender

Brinquemos de pensar: primeiro, a soma das intenções de voto chega a 84%, e não a 100% (37 + 20 + 11 + 16 = 84). De alguma forma, perderam-se 16% das opiniões dos entrevistados, um número bastante expressivo, considerada a importância do assunto.

Partindo de um número qualquer (usei cem milhões) para definir a quantidade de eleitores e aplicando os percentuais referentes às manifestações contrárias ao voto obrigatório, teremos uma tabela como esta:

planilha
Os números, neste caso, referem-se aos 84 milhões de eleitores encontrados no cálculo realizado com os primeiros índices (84%).

Como se pode ver, Dilma ainda teria 25,11% das intenções de votos, mais do que o dobro de Aécio-tiro-no-pé.

Perfil dos entrevistados

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Outro aspecto interessante da pesquisa é em relação ao perfil dos entrevistados. Quanto mais velhos, bem informados, bem resolvidos e experientes, maior a reprovação do voto obrigatório. Quanto mais jovens, mais ignorantes e mais dependentes das bolsas protecionistas do governo, menor a reprovação.

Minha opinião

Se esses números forem confirmados, com voto obrigatório ou facultativo, penso que a eleição deveria ser realizada novamente até que um dos candidatos obtivesse a metade mais um dos votos contados. Seria, a meu ver, a única forma de garantir a verdadeira vontade do povo brasileiro. Afinal, 37% é menos que os 63% de eleitores que não querem que Dilma seja reeleita.

Ah, o Brasil e sua lógica política… Talvez por isso a qualidade do ensino seja tão baixa.

Para encerrar, aposto com quem quiser que a campanha do PT pegará pesado, alegando que a oposição cortará todos os “benefícios” de sustentação de vagabundos e preguiçosos. Os boatos já estão correndo por aí.

 

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