Comportamento

O que o dinheiro não pode comprar

Às vezes passo um longo tempo sem sequer me lembrar deste blog. E quando isso acontece, geralmente é porque estou atravessando um período de paz, sem receber uma notícia que mexa comigo, que me afete de alguma forma, especialmente com efeito negativo. É comum nos lembrarmos ou nos atermos mais às coisas ruins do que às boas, embora eu tente praticar o contrário.

Ontem recebi mensagem de um velho amigo, o Miguel. Velho porque nossa amizade é antiga, vem desde a infância, e não porque sejamos velhos, pois não nos sentimos assim.

Ele se referia a um outro amigo que temos em comum, e que recentemente encontrou uma nova oportunidade de trabalho apesar de pertencer à nossa geração, e disse, descrevendo sua emoção: “Isso que é legal, ser útil ao próximo. Fico feliz por você, por ele e por mim, que fui útil a Deus“. Quis dizer que, de alguma maneira, contribuímos para que o fato tenha acontecido.

Hoje recebi outra mensagem, de outro amigo, o Aristides. Com o título “Para você… que curte Música de primeira!!!”

Havia apenas uma frase: “Sei que não é seu aniversário, mas aí vai um presente.”

A frase continha um link para um vídeo de uma homenagem feita a Paul McCartney no Kennedy Center, nos Estados Unidos, onde compareceram várias personalidades, inclusive o Presidente Barack Obama e sua esposa. De arrepiar.

O vídeo começa com uma apresentação da banda No Doubt, seguida por David Grhol e Norah Jones, Steven Tyler (sensacional!), James Taylor e – me perdoem por não citar o nome – uma outra excelente cantora que o acompanha (me fez lembrar da nossa Alcione), além de um enorme coral. O show termina com todos no palco – e na platéia – cantando o famoso “na-nanana” que encerra a música Hey Jude. Empolgante, contagiante, emocionante! Pelo menos foi o que senti, pois, a música, para mim, como bem sabe o Ari, é como uma injeção de energia na veia.

Só isso já teria valido a pena de viver este dia, mas… me fez pensar.

Que “gênios” (assim Paul McCartney foi chamado por Alec Baldwin, charmain do evento) nós temos no Brasil? Roberto Carlos?!!?!??

Paul McCartney nasceu em Liverpool, no condado de Merseyside, no noroeste da Inglaterra, em 18 de junho de 1942. Foi consagrado, em 1979, no livro Guinness dos Recordes, como o compositor musical de maior sucesso da história da música pop mundial de todos os tempos; toca vários instrumentos, e sua biografia (Many Years From Now, escrita por Barry Miles) traz informações super interessantes.

Um músico sendo homenageado com tamanha pompa, recebendo uma medalha de honra fora de seu país?

Bem, isso provocou minha curiosidade, por isso procurei e assisti a outros vídeos sobre a mesma apresentação. Foi quando vi o início da homenagem e, depois, ela inteira num vídeo com 18 minutos e meio que valem a pena e nos dão uma ideia completa do que foi o evento.

Para quem quiser ver:

Voltando ao “nosso mundinho”, me lembrei das pessoas que me perguntam sobre as músicas de hoje, e o que gosto de ouvir.

Gosto de ouvir música, ou melhor, Música – com letra maiúscula –, melodias e letras que tocam no fundo da alma, alegres ou tristes, clássicas ou populares, mas bem feitas. O que ouvimos aqui, o que é tocado no rádio ou na televisão, aquilo não pode ser chamado de música. Os apresentadores de programas não podem ser considerados apresentadores, pois tudo que fazem é falar ou mostrar a si mesmos.

Talvez nossos talentos estejam por aí, em outros cantos do mundo, mostrando o que fazem de melhor. Aqui não vemos qualidade em nada. Não temos academias ou escolas que preparem as pessoas como no Exterior, onde podemos ver atores cantando, dançando, sapateando, tocando vários instrumentos, fazendo de dramas a comédias com total flexibilidade.

Há, sim, mas, são raríssimos os brasileiros que se aproximam deles.

Aqui, as emissoras de TV compram enlatados estrangeiros da pior qualidade (a série Unforgettable é um bom exemplo) e, para piorá-los,  jogam esse lixo na programação com uma dublagem insuportável, mal feita, sem nenhum envolvimento ou interpretação, uma coisa totalmente mecânica feita por pessoas que parecem mal ter aprendido a ler. Da mesma forma, preenchem o tempo dos programas – igualmente mal feitos – com “músicos” que alcançam o sucesso por “osmose”, levados à mídia por parentes que se tornaram famosos ou importantes no cenário artístico.

O Brasil está cheio de “covers” e tem pouco de natural. Os novos cantores querem cantar como seus ídolos, e os imitam.

Na homenagem a Paul McCartney vemos diferentes estilos na interpretação de cada música do compositor. Cada um mostra o que é e o que faz, à sua maneira, ninguém canta igual ao homenageado. Os cantores têm personalidade própria, não precisam viver à sombra de quem já fez sua história.

Houve uma época em que os japoneses tinham fama de copiar tudo que era feito pelos outros povos, mas em tamanho menor. Ou seja, ainda que tenham feito o que já existia, souberam como melhorar tudo, além de serem, talvez, os precursores da miniaturização.

Nós, brasileiros, aprendemos a diminuir o que deveria crescer: nossos sonhos são pequenos, nosso esforço é pequeno, nosso trabalho é pequeno, nosso talento é pequeno, nossa capacidade é pequena. Grande é apenas o nosso território. E nem disso podemos nos orgulhar porque, de acordo com o ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, é por isso que o MEC não dá conta de fazer o que precisa.

Viram só? Comecei falando de música e acabei chegando à política. Não tem jeito…

Mas, o mais importante é mesmo saber que existem pessoas como o Miguel e o Aristides, que ainda têm sensibilidade para enxergar o que realmente vale a pena. E, isto sim, me deixa orgulhoso: tê-los como meus amigos. Essa é uma das coisas que o dinheiro não pode comprar.

Falando em não poder comprar, vi uma postagem divertida sobre os 25 novos sintomas de pobreza e recomendo sua leitura (passe o mouse sobre as palavras sublinhadas).

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