Política

O preço das mentiras

Os consumidores de energia atendidos pela Elektro terão o maior reajuste de energia aprovado neste ano pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). A partir de 27 de agosto, os consumidores de baixa tensão (residências) levarão um choque de 35,97% enquanto comércio e indústria serão eletrocutados com um aumento de 41,79%. Pior que isso só mesmo a cadeira elétrica que, infelizmente, não é usada no Brasil. Tudo graças a uma leviandade do governo que usou durante sua campanha a promessa de baixar o custo da energia elétrica para os brasileiros.

É assim que funciona a política, com promessas falsas, roubo, desvio de dinheiro público e coisas tais. É fácil gastar dinheiro tirado dos bolsos alheios.

A Elektro atende cerca de dois milhões e quatrocentos mil clientes em sua área de abrangência, sendo 228 cidades do interior paulista e cinco do interior de Mato Grosso do Sul.

curto_circuitoFaçamos as contas: se você paga hoje R$ 100,00 pela energia consumida durante um mês, a partir do mês que vem pagará cerca de R$ 136,00 se for um felizardo cidadão comum; se for comerciante ou industrial, sua conta passará a ser de R$ 142,00, aproximadamente. Isto significa que o povo pagará muito mais que isso, pois os empresários não aceitarão ficar no prejuízo e vão, certamente, repassar esse aumento para seus produtos e serviços. Se alguém duvidar disso, estou topando fazer uma aposta. Quem perder paga a conta de quem ganhar.

Por que vamos pagar essa conta?

A origem do problema é antiga e complexa. Primeiro, os governos nunca se preocuparam em prevenir colapsos no fornecimento de energia elétrica ou de qualquer outro item de infraestrutura das cidades, embora verificassem seu crescimento populacional. Isto sempre foi observado como vantagem, já que quanto mais pessoas, maior a arrecadação de impostos. Como vivem as pessoas é problema delas. Mas, para não serem acusados de omissão, os governos permitiram o surgimento de novas usinas hidrelétricas de todos os portes, aceitando as condições de seus criadores e compradores, muito comuns: eles pedem dinheiro emprestado ao governo para cobrir seus custos iniciais, prometendo que pagarão suas dívidas a partir do momento que seu faturamento permitir. Entretanto, ao invés de pagarem as dívidas, os donos dessas usinas dão prioridade aos seus interesses pessoais: enriquecer rapidamente. Assim, usam o dinheiro em seu próprio benefício, deixando de pagar suas dívidas e não investem em nada que garanta o futuro de suas usinas; contam com a generosidade da natureza que lhes dá água em abundância, enchendo os rios cujos leitos têm a força necessária para mover seus geradores de energia. Até faltar chuva.

etanolEste tem sido um dos anos mais secos dos últimos tempos, então, sem a força dos rios, as usinas hidrelétricas são obrigadas a substituir sua fonte comprando energia das termelétricas, mais cara. As usinas geram a energia que consomem queimando o bagaço da cana, assim não precisam pagar por ela; vendem o restante para a produção de açúcar e álcool, inclusive o etanol que movimenta os carros, vendidos de baciada com IPI reduzido (para ajudar as montadoras). Descontentes, os usineiros se queixam de que, em virtude do controle de preços da gasolina – promovido pelo mesmo governo que já fez asneira lá atrás para criar uma boa imagem no ano eleitoral – o consumo de etanol diminuiu, causando outro prejuízo.

Para explicar com poucas palavras: temos um governo incompetente e despreparado para conduzir o país, ou esperto demais para tirar vantagens que serão pagas pela população, única a perder.

O pretexto usado para o aumento escandaloso é a necessidade circunstancial de repassar o custo, mais elevado, da energia termelétrica, porém, como de praxe, depois de vencida essa crise os preços não voltarão à situação de antes.

Não entendeu? Talvez no desenho fique mais fácil…

situacao

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