Internet

O (alto) preço da Internet

Você já se deu conta de que paga muito caro por tudo no Brasil? E já percebeu que, embora o serviço oferecidos pelas operadoras não seja de boa qualidade, sua conexão com a Internet é um verdadeiro abuso econômico?

Surpreendido por mais um aumento de tarifa, desta vez da ordem de 9%, pago agora R$ 75,20 para ter 10Mbps de velocidade no meu acesso à Internet. O aumento anterior foi de 8,35%, no ano passado. Em ambos os casos, a correção foi superior aos índices de inflação e ao percentual aplicado aos salários dos empregados da empresa, a NET.

A pergunta é por que?

Assim como em muitas cidades, Bragança Paulista não é totalmente atendida por outras provedoras de Internet, ou estas têm seus serviços limitados às condições de suas instalações. A Vivo, por exemplo, não poderia me atender nem mesmo com o Speedy comum porque, de acordo com a empresa, não há mais disponibilidade na minha região. Em São José dos Campos, entretanto, é possível assinar o serviço com 50Mbps de velocidade, por fibra ótica, pela mensalidade de R$ 69,90. A GVT, que atende as cidades de Arujá, Jundiaí e Campinas, por exemplo, oferece 15Mbps de velocidade pelo mesmo preço, e seu combo, com TV Super HD, telefone e Internet de 15Mbps, sai por R$ 79,90 mensais.

Situação muito pior é a de Santa Isabel, município vizinho de Arujá (14 km), obrigada a engolir o descaso da Vivo, detentora exclusiva desse mercado. Sua única concorrente é uma empresa que oferece conexão via rádio, com qualidade típica dos primórdios da Internet.

Observando a média mundial (imagem abaixo), constataremos que para ter o dobro da velocidade, os internautas do resto do mundo pagam cerca de 1/6 do preço que me custam os 10 Mbps contratados. Pela cotação de hoje, o dólar vale R$ 2,27, portanto, US$ 5.59 equivalem a R$ 12,69 (doze reais e sessenta e nove centavos).

media_mundial

Há apenas um motivo para que nossa realidade seja tão dura, e esse motivo tem origem tanto nos provedores de Internet, quanto no Governo. Chama-se GANÂNCIA. No Brasil existe uma cultura que talvez jamais seja vencida, o desejo de ganhar muito sem precisar fazer força.

A força do dinheiro

TUDO é comprado, inclusive as vantagens das empresas. Há rumores em Santa Isabel, desde o primeiro mandato de seu ex-prefeito, de que a Vivo – então Telefônica – teria oferecido cinco milhões de reais a um grupo de pessoas que ocupavam cargos de confiança na prefeitura, para garantir sua exclusividade na cidade. Esta seria a explicação para o péssimo serviço prestado à população. Não há provas, entretanto. Pode ser que nenhuma outra operadora de telefonia tenha se interessado por aquela cidade. Contudo, é mais do que sabido que os lobbies existem para isso, e por este motivo os lobistas, trabalhando com dinheiro dos outros, ganham muito bem. Tudo tem um preço, e sempre há quem pague se a vantagem valer a pena.

Se pensarmos com a lógica dos corruptos, colocando-nos na condição de empresários corruptores, haveremos de concordar que, se conseguirmos a aprovação oficial para um aumento significativo de nossos preços, não será difícil aumentar a propina a ser paga àqueles de quem dependemos para aprovar os aumentos, ou financiar suas campanhas políticas a fim de garantir sua vitória e a consequente continuidade desse sistema corrupto. É apenas uma conjectura, mas, convenhamos, faz sentido e parece possível.

Comparativo de preços

No link http://www.moneysupermarket.com/broadband/ encontramos uma lista de provedores estrangeiros que oferecem velocidades de 16 ou 17 Mbps por valores que variam de uma a sete libras esterlinas por mês, sendo que a grande maioria não ultrapassa 2.5 libras, isto é, menos de R$ 9,50 no dia de hoje. Se aplicarmos o imposto praticado no Brasil (divulgado em 33%), chegaremos a R$ 12,60, menos de 17% do valor cobrado por uma velocidade inferior pela NET.

Há cerca de um ano e meio, a NET justificou a falta de sinal de Internet alegando o rompimento de um cabo submarino, em prejuízo de 34 cidades, incluindo Bragança Paulista. Recentemente, a falta de sinal foi atribuída à queda simultânea dos seis links da empresa.

Nenhuma forma de compensação aos assinantes foi concedida.

A força maior

basta

Se o dinheiro tem força, a falta dele tem mais. Os brasileiros só terão preços justos quando aprenderem a lutar em grupo por seus interesses. Há dezenas de grupos bem organizados: os cartéis, formados por empresas que nos exploram como querem; grupos étnicos ou políticos; os gays, que têm seu dia para ocupar a Avenida Paulista; os caras-pintadas que fizeram pressão para o impeachment do ex-presidente Collor, e muitos outros.

Se nos unirmos, teremos mais força. Não precisamos ir às ruas com faixas e cartazes, pois isso nos deixará expostos às ações orquestradas dos black blocs, com o intuito de justificar o uso da força policial e nos dissipar. Podemos agir isolada, mas solidariamente, boicotando as operadoras, colocando-as em cheque, pressionando-as com o cancelamento de nossas assinaturas. Podemos, de forma menos drástica, fazer abaixo-assinados pedindo a participação de outras operadoras em nossas regiões. Mas, não podemos continuar pagando os preços abusivos que nos são cobrados por um serviço que não tem qualidade.

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