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O povo contra a Vivo

Chega um momento em que, depois de tentar de tudo para resolver um problema, não resta outra saída senão a briga que a gente sempre tentou evitar. Isto é, a briga feia, pra valer mesmo. Pois é assim que será feito com a Vivo.

Depois de colecionar uma lista de números de protocolos relativos às reclamações feitas à Vivo, passar nervoso com a incompetência e grosseria daquela molecada que se acha preparada para dar atendimento aos clientes, apelar para a Anatel mais de uma vez, sem nenhum resultado, e ouvir um monte de abobrinhas desencontradas, trapalhadas irritantes e desculpas esfarrapadas e sem sentido, não há como nos manter calados. O povo isabelense se unirá para entrar com uma ação conjunta contra a empresa. E mais: fará o que for possível para garantir o sucesso de qualquer outra empresa que se disponha a oferecer o mesmo que a Vivo em Santa Isabel. Acho que ninguém se importará em pagar mais caro, desde que receba o que é prometido.

Temos recebido manifestações diversas de insatisfação com a Vivo. Não é apenas a banda larga que é estreita, há problemas com celulares e até com as linhas fixas. Entretanto, sem dúvida, a maior deficiência é de internet.

Segundo os atendentes da Vivo, “não há disponibilidade técnica para fornecimento de mais velocidade em sua região”.

A alegação é no mínimo estranha. Temos vizinhos, na mesma rua, que contam com 15 Mb de velocidade enquanto amargamos a lentidão de apenas um. E bem meia-boca. Um ex-empregado da Vivo me contou, hoje, que uma vizinha dele pediu 8 Mb de velocidade e recebeu 10 Mb. Há TREZE ANOS venho implorando por uma mudança de plano e não consigo. Segundo o mesmo técnico, tudo se deve a fatores burocráticos, pois, se houvesse vontade, poderíamos ter o que pedimos.

eletricistaUm amigo nosso, engenheiro que também trabalhou na Vivo, nos contou que a política é de conter qualquer investimento na cidade. Quando uma das placas que ficam nos “armários” da empresa dá problema e muita gente reclama, eles mudam a placa de lugar, ou seja, transferem o problema para outro grupo de assinantes. Quando as reclamações se acumularem, a placa será devolvida ou transferida para outro armário. Isso para não falar dos cabos telefônicos, que são do tempo da CTBC – Companhia Telefônica Borda do Campo.

O fato é que, por motivos não explicados, a Vivo (Telefonica) manteve-se como a única empresa de telecomunicações em Santa Isabel. Somente há pouco tempo, duas novas empresas se instalaram neste município visando, principalmente, o fornecimento de conexão banda larga por cabos de fibra ótica, e têm aproveitado essa vantagem para oferecer seus serviços a preços exorbitantes.

banda-larga-lentaNa costumeira onda das negociatas, a NET encampou a Claro – ou vice-versa – e a Vivo comprou a GVT, que oferecia a melhor qualidade para conexões de internet, causando novas preocupações, já que a tendência é baixar o nível dos serviços e ganhar cada vez mais dinheiro para a empresa espanhola que preferiu se esconder atrás do nome Vivo.

Das opções existentes, verificamos que a NET, com todos os seus defeitos, tem prestado bons serviços nas cidades onde opera, concedendo velocidades compatíveis com os planos oferecidos e por preços razoáveis. A própria Vivo, em cidades maiores, oferece 50 Mb de velocidade por R$ 79,90 mensais. Em Santa Isabel, a America Net pede a pessoas jurídicas por um combo de 15 Mb mais linha telefônica (VoIP, de péssima qualidade) R$ 105,00, e a QLink, em seu plano básico, cobra R$ 99,00 por 5 Mb de velocidade de conexão via fibra.

Para quem depende da internet – e aí estão as instituições, os órgãos oficiais, os cartórios, as empresas –, só resta chorar. Mas, para quem?!

Ao que parece, a Vivo não investe um centavo sequer no aprimoramento dos serviços e na melhoria de suas instalações. É mais fácil culpar os usuários por morarem em regiões sem as mínimas condições técnicas ou por terem a fiação interna defeituosa (alegações mentirosas); é mais cômodo fechar os olhos para não enxergar o mau estado dos cabos, a inexistência de antenas receptoras/transmissoras de sinais e os maus serviços prestados por técnicos terceirizados que servem a empresas que levam alguma vantagem com esse estado de coisas. É o novo Brasil, construído à base da corrupção para servir apenas aos corruptos.

O buraco é mais embaixo

É de se estranhar (será mesmo?) que uma empresa multinacional tenha sistemas duplicados em funcionamento e tão precários. De acordo com os representantes (leia-se atendentes terceirizados) no momento de registrar nossas queixas, “não existem registros com esses dados de assinante”. Ora, isso é o mesmo que dizer “você não existe”, como fazia o INSS quando um aposentado se apresentava com documentos para provar que estava vivo e o funcionário duvidava porque o sistema acusava que ele estava morto… Outra afirmação absurda: “sua linha é comercial”. Não, não é, e está instalada no mesmo endereço há mais de uma década. E pior: quando solicitei uma nova linha com os serviços de internet, a atendente respondeu: “Se for para instalar no mesmo endereço, os técnicos não o atenderão”.

O vereador Cleber Kerchner (Clebão do Posto) e o deputado estadual André do Prado já inquiriram a Vivo, mais de uma vez, devido à precariedade dos serviços prestados. Até agora nenhum resultado ou posicionamento oficial foi apresentado. Eis alguns links de notícias sobre reuniões já realizadas:

O vereador Clebão do Posto informou que levantou 318 processos em trâmite, em maio de 2014, e inúmeras reclamações junto ao PROCON de Santa Isabel relacionados a telefonia. “A cidade sofre com a falta de oferta de emprego, novas empresas não se instalam e as existentes pensam seriamente em sair, em razão aos problemas de telefonia e internet. Não esquecendo os comerciantes, agências bancárias e a população em geral.”

si-vivo

Hora do troco

A Fundação Procon-SP anunciou nesta segunda-feira (22) que multou as operadoras Claro, Oi, Tim e Vivo em mais de R$ 22 milhões por problemas decorrentes do bloqueio de acesso à internet móvel ao final da franquia. Trata-se de punição administrativa por descumprimento do artigo 6º do Código de Defesa do Consumidor, que estabelece que as empresas devem oferecer  “informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços”.

A Oi foi multada em R$ 8 milhões, a TIM em R$ 6,6 milhões, a Claro em R$ 4,5 milhões e a Vivo em R$ 3,5 milhões.

Mas, nós queremos mais.

O não provimento de um serviço, hoje essencial, como a banda larga, provoca prejuízos irreparáveis a muitos. Empresas e profissionais que têm a internet como ferramenta de trabalho são impedidos de cumprir prazos e honrar seus compromissos com os clientes; estes, por sua vez, sem compreender essa realidade aparentemente inaceitável e impossível, optam por outros prestadores de serviço que têm suas sedes em regiões que possuem “as condições técnicas” adequadas e garantem maior lucro às provedoras.

Como pode uma empresa, ou grupo de empresas, causar o atraso do desenvolvimento de cidades inteiras sem pagar por isto?

Diante do descaso, estou lançando o movimento “Fora Vivo!“, convidando a todos que estão insatisfeitos com os serviços prestados por essa empresa a se unirem para entrar com uma ação coletiva na Justiça, reivindicando o ressarcimento de seus prejuízos morais e financeiros decorrentes da falta de condições adequadas das telecomunicações em Santa Isabel, especialmente no que se refere à provisão de banda larga de qualidade.

As despesas serão rateadas entre os aderentes, por isso quanto maior o número de adesões, menor será o custo proporcional da ação (custas judiciais, honorários de advogados, documentos, etc).

Políticos e jornais convidados a apoiar esta iniciativa já manifestaram sua predisposição em fazê-lo.

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Foto montagem de autoria deste blogueiro

“A oportunidade é como um deus que só tem cabelos na fronte. Se nos depararmos com ela e permitirmos que ela vire a cabeça, podemos perdê-la para sempre.”

Manifeste seu desejo de participar! Entre em contato comigo!

 

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