Política

O Brasil do faz-de-conta

Os especialistas afirmam: estamos em recessão técnica.

Não é necessário ser especialista para perceber a recessão, basta abrir os olhos e querer enxergar a realidade do Brasil. Juros altíssimos, impostos extorsivos, aumento do desemprego, inflação camuflada, redução drástica do consumo, políticos fazendo de tudo para esconder os escândalos debaixo do tapete, contas públicas maquiadas, ciclovias indecentes construídas em São Paulo a peso de ouro (talvez para aquela mulher que se veste de vermelho poder das suas “pedaladas” mais à vontade), produtos e serviços com preços que nos deixam com os cabelos em pé, discussões cretinas nos meios políticos, onde o país real é ignorado para que eles possam viver num país exclusivo, construído na base da mentira. É de arrepiar, mas “eles” continuam negando a existência da maior crise que já vi desde que me entendo por gente.

A crise não é apenas econômica. Estamos vivendo uma crise moral sem precedentes, uma crise de valores, de todos os valores; crise de educação (não somente do Ensino), crise de respeito, de consideração, de competência, de responsabilidade, de segurança, de saúde, de oportunidades, de honestidade. As pessoas perderam o senso, não sabem mais o que é bom ou ruim, o que presta ou não. Vale tudo, desde que consigam alcançar o dia de amanhã, ainda que nada tenham feito para merecê-lo. O que impera são a preguiça, o desinteresse, a alienação e o comodismo, pois dá trabalho tentar consertar o que está errado. É melhor fechar os olhos e fingir que está tudo bem, assim como fazem os jovens quando uma senhora idosa sobre num ônibus lotado.

chupimMarcelino de Carvalho, considerado o mestre das boas maneiras, deve se revirar no túmulo ao ter notícias do comportamento humano dos dias de hoje. À mesa, por exemplo, mastigar com a boca aberta, apoiar o cotovelo, “abraçar” o prato, bochechar com a bebida e palitar os dentes diante dos presentes são hábitos que passaram a ser comuns. “Ninguém liga pra isso” – afirmam as novas gerações. Sim, ninguém liga quando uma pessoa escreve mal ou fala errado, ou se ela se isola, vidrada na tela de seu celular durante uma reunião. Afinal, que outros exemplos existem para guiá-las? Quem são nossos líderes? Ou O QUE são nossos líderes?

tomeA permissividade assumida extinguiu as referências. As crianças se dirigem aos idosos com total intimidade, as palavras “senhor” e “senhora” estão desaparecendo; “com licença” é um tranco; “obrigado” é levantar a sobrancelha com ar de quem diz “não fez nada além da obrigação” e virar as costas. Para isso inventaram o botão do “F*-se!”, e se permitem ao vocabulário chulo em qualquer ambiente e em qualquer situação.

O brado nacional do século XXI passou a ser “Tô nem aí!”.

O “tô nem aí” hoje é usado em todas as profissões e por muitas empresas, muitas vezes como represália à perda das condições de antigamente. Afinal, caíram por terra o prestígio e a boa remuneração dos professores, dos advogados, dos engenheiros, dos médicos, dos jornalistas, graças à “nova política” implantada por um presidente que não precisou estudar para conquistar o mais alto cargo do país. E assim, foi ensinado ao povo que “nunca nesse paíz nóis tivemo o suficiente pá nóis vivê como nóis vive hoje“. Por isso o povo ri, desdentado, mas satisfeito por poder comer arroz e feijão, muitos sonhando com um cargo político.

receita_dilmaA crise econômica brasileira instalou-se (“por coincidência”) pouco antes da Copa do Mundo, depois do desvio de bilhões de reais que poderiam ser destinados às nossas necessidades mais urgentes e importantes, para a construção dos estádios. Muitos mamaram naquelas tetas, inclusive, e talvez principalmente, a FIFA, que, pela primeira vez em sua história, não precisou recolher impostos sobre o que arrecadou aqui. Acrescente-se nessa panela um pouco de molho de mensalão, o saboroso t
empero dos empréstimos sigilosos do BNDES a empresários ricos e outros países, a sangria do petrolão, o caixa 2 das campanhas políticas e outros ingredientes que têm sido nocivos somente para o povo brasileiro, e teremos a grande massa podre que serviu de base para fazer o maior pastelão da História do Brasil.

Desde então, o governo finge que não sabe que o povo já sabe, finge que não ouve os panelaços, que não vê as multidões nas ruas, que não entende as reivindicações. Finge até que Evo Morales não disse nada que sugerisse uma ameaça à soberania do Brasil, assim como fingiu (sorrindo e agradecendo) que Vagner Freitas não disse que, diante de qualquer risco de Lula e Dilma perderem a boquinha – digo, o governo –, o exército vermelho irá para as ruas, armado, para enfrentar a burguesia (como se houvesse uma enorme quantidade de burgueses no Brasil).

O povo, por outro lado, finge que nada está acontecendo; se mantém fiel aos seus times e à ridícula programação das emissoras de televisão, esperando que surja um mártir que se sacrifique para salvar o país.

O povo está entorpecido.

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A imagem acima não é um tributo a Fernando Henrique Cardoso. Aliás, é até bom que nos lembremos que ele já passou, não volta mais, portanto, não é uma ameaça para o Brasil. De nada adianta apontarmos seus defeitos agora. Há um pensamento muito sábio que diz “você que chegou agora, criticando o que está feito, deveria estar aqui na hora de fazer”. Criticar o que está pronto é fácil, quero ver fazer melhor. Mas, até agora, o que vejo é uma sucessão de asneiras e malfeitos de um bando que finge ser político.

Tudo é de mentirinha, um faz-de-conta que tem consequências terríveis, afetando todos nós. O governo virou motivo para chacotas, ou melhor, dá motivos para isso, principalmente com as descabidas declarações da “mulher sapiens” que ocupa a Presidência da República.

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Não é à toa que ficamos envergonhados quando nossos amigos estrangeiros, especialmente americanos, europeus e asiáticos, nos tornam personagens de suas piadas, embora sejamos vítimas desse caos. A situação é tão grave que até o pessoal que foi ao “passeio da mortadela” (em meio de semana, com direito a ônibus fretado e lanchinho oferecido pelo PT) se disse contra a Presidente e fez suas reivindicações.

buraco_negroO problema não é o Brasil, mas, o poder que foi dado aos políticos. Esqueceram de dizer a eles que democracia significa vontade do povo. Somos nós que os elegemos, portanto, somos seus verdadeiros patrões e temos o direito de exigir que cumpram suas funções adequadamente. Não os autorizamos a definir seus próprios salários e benefícios, nem seus horários de trabalho. Podemos, sim, dispensá-los se demonstrarem incompetência ou cometerem atos ilícitos, e queremos que sejam presos se agirem assim. O dinheiro que estão usando (ou usurpando) não pertence a eles, e, sim, à Nação e a todos os brasileiros.

Chamar de golpe um direito legítimo do povo é mais uma jogada da turma do faz-de-conta. Golpe é o que se pratica entre eles, contra o país e contra a maioria dos brasileiros. Golpe é uma ação matreira, armada às escondidas e praticada sem aviso prévio. Nosso desejo é escancarado e cristalino: QUEREMOS O FIM DO FAZ-DE-CONTA! Queremos um país de verdade onde possamos criar nossos filhos e netos com qualidade de vida, sem medo de perder o que conquistamos com a luta de nossas vidas inteiras, com direito a boa educação, saúde, segurança e oportunidades de renda em troca de trabalho, não como párias que sugam os mais capazes.

O que somos e temos hoje pode ser visto como piada, mas, na verdade, não tem graça nenhuma.

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