Política

Você seria um bom político?

Há algum tempo, um grupo de pessoas motivadas a mudar o jeito de fazer política no Brasil resolveu buscar o apoio de mais gente indignada, lançando a proposta de criar mais um partido político como opção dos eleitores, o NOVO. Hoje existem mais de trinta.

A questão é: o que pode fazer um partido político se não houver uma reforma política?

Pois bem, o movimento recebeu cerca de um milhão de fichas através de seu site. Destas, 492 mil foram assinadas por eleitores e entregues nos respectivos cartórios para conferência. Apesar da força das manifestações, o registro do NOVO como partido ainda depende do Tribunal Superior Eleitoral, ou seja, o NOVO e a REDE de Marina Silva encontram-se em situação equivalente.

O que há de novo no NOVO?

slogan_novoÀ primeira vista, este embrião de partido tem um apelo inovador, estendendo a todas as pessoas “não-políticas” o convite-desafio de promover a tão desejada mudança prometida pelos candidatos oponentes de Dilma Rousseff na disputa pela Presidência da República. Afinal, quem deseja mudanças pode e deve ser seu agente em primeiro lugar. Não se pode desejar o fim da corrupção quando se pratica a corrupção tentando subornar um guarda de trânsito, comprando um diploma ou se sujeitando a favorecer determinados clientes que costumam ser “generosos”.

As diretrizes

propostas

Se até aqui vimos propostas animadoras, os diferenciais do grupo podem aumentar ainda mais nossa esperança. São eles:

  • Ficha limpa: Filiados e candidatos devem preencher os requisitos da lei Ficha Limpa;
  • LIMITAÇÃO AO “CARREIRISMO POLÍTICO”: é vetado ao filiado eleito para cargo no Poder Legislativo que se candidate a mais de uma reeleição consecutiva para o mesmo cargo;
  • GESTÃO INDEPENDENTE: a gestão partidária não pode ser feita por candidato ou por ocupante de cargo eletivo;
  • COMPROMISSO DE CUMPRIMENTO DO MANDATO PARLAMENTAR: a renúncia a mandato eletivo para concorrer a cargo diverso ou ocupar cargo no Executivo, sem o aval do Diretório, é considerado ato de indisciplina partidária;
  • VINCULAÇÃO DO CANDIDATO ÀS SUAS PROPOSTAS: definição prévia do Compromisso de Gestão e do Compromisso de Atuação Legislativa prevendo metas a serem cumpridas;
  • NÃO HÁ COBRANÇA DE PERCENTUAL DO SALÁRIO DO MANDATÁRIO: a contribuição partidária mínima é igual para filiados e candidatos eleitos.

Não menos entusiasmante é o vídeo publicado por eles em seu site:

As dúvidas

A estratégia do NOVO seria maravilhosa se fosse possível revelar, como numa radiografia, a índole de cada um. A simples ficha limpa não significa muito, aliás, pode ter tanto valor quanto um papel em branco já que são conclamados os brasileiros sem vícios políticos, isto é, os ainda virgens nesse cenário. O intuito de moralizá-lo, entretanto, fica evidente na defesa de valores importantes como a intolerância à impunidade e o compromisso com a rápida aplicação das penas em caso de qualquer desvio. Mas, por mais crédulos que já tenhamos sido, aprendemos a desconfiar e jamais oferecer nossas mãos ao fogo para avalizar quem quer que seja. Não são poucos os que experimentaram a decepção provocada por pessoas muito próximas e depois de longo convívio. Como confiar, então, em desconhecidos?

A resposta talvez esteja numa das definições de valores do pretenso futuro partido: “O direito de criticar deve ter como contrapartida o dever de participar”. Para que confiemos num determinado indivíduo ou grupo é preciso que o acompanhemos de perto e constantemente. Se estivermos juntos, você, eu, nossos amigos, parentes, vizinhos, colegas, enfim, todas as pessoas em quem acreditamos, os riscos de sermos enganados será menor, pois seremos parte do mesmo movimento, estaremos todos fiscalizando suas ações e determinações, com o direito de questioná-las, de sugerir alternativas. Em caso de incompatibilidade há, na pior das hipóteses, a chance de buscarmos um consenso, visto que todos estão lá em consequência de sua identificação com os principais princípios, claramente definidos desde já, com a intenção de moralizar não só a política, mas o país.

A chamada pelos inexperientes em política, que poderia nos levar a temer consequências negativas, em função da aparente fragilidade destes entre os “leões” desse meio, tem no outro prato da balança o peso da bagagem profissional dos que a aceitam com responsabilidade e compromisso.

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De forma resumida, a ideia de renovação defendida pelo NOVO prega a honestidade e a transparência, valoriza a qualidade e o esforço, incentiva o empreendedorismo, o que sugere o fim do protecionismo não justificado, erguendo de maneira inequívoca a bandeira da liberdade como direito do homem, porém, implicando também seus deveres em vez de alimentar sua dependência. Isto realmente me agrada.

A necessária e inadiável reforma política

A reforma política se faz urgente. Não há interesse nenhum, exceto de seus próprios dirigentes, que haja tantos partidos já que muitos seguem a mesma cartilha. Se dois partidos eram demasiadamente pouco (PMDB e ARENA), trinta e tantos são um exagero desnecessário, e também um desperdício. Talvez cinco fossem suficientes.

tendencias

 

Mais difícil, e na verdade, quase impossível, é a reforma moral. Não se justificam salários tão altos e tantas verbas e vantagens extras pelo que fazem os políticos. Suas remunerações não deveriam ser maiores do que a média oferecida pelas empresas privadas para executivos, ou pelo menos não tanto, e qualquer aumento não previsto deveria ser previamente aprovado por seus empregadores, ou seja, o povo. As despesas pessoais dos políticos não deveriam ser pagas pelos cofres públicos. Que absurdo é esse de político sugerir uma verba extra de mais de sete mil reais para custear os estudos de um filho? Ao contrário, filho de político deveria estudar, obrigatoriamente, em escola pública. Além de ser mais barato, seria a melhor forma de garantir a qualidade do ensino. O mesmo raciocínio vale para os demais serviços, como atendimento médico-hospitalar, por exemplo.

Quando um profissional é empregado por uma empresa particular, ele conhece seus deveres e as consequências daquele compromisso. O máximo que poderão lhe oferecer além dos direitos trabalhistas é o custeio de sua mudança, o resto corre por conta dele próprio. O profissional tem a liberdade de aceitar ou não a oferta de trabalho e a remuneração que lhe é ofertada, como é necessário acontecer em relação aos cargos públicos.

Não devemos nos esquecer de que todo fanatismo é nefasto. Há sempre um ponto de equilíbrio que pode satisfazer, ainda que parcialmente, os extremistas, desde que não haja uma postura radical e intransigente que reflita tão somente os anseios pessoais ou de um pequeno grupo.

Nesse sentido, parece-me que o NOVO pode vir a ser, de fato, o bom vento que temos esperado para levar para longe o ranço político que, já exaustos e consternados, temos visto há décadas. Mas, essa esperança e esse desejo só serão mantidos e concretizados se alcançarmos as 500 mil assinaturas exigidas por lei para validar o registro de um novo partido.

Se você chegou até aqui é porque recebeu meu convite para visitar esta página. Isto quer dizer que já percorreu metade do caminho.

Visite o site do NOVO e engaje-se nesse desafio!

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