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Nós e o turismo

A OMT – Organização Mundial do Turismo – tenta definir turismo como o “deslocamento (viagem) para local diferente do nosso município, com permanência inferior a um ano, para qualquer tipo de atividade (negócios, prazer e outras), desde que não estejamos a trabalho de alguma entidade sediada no local visitado“.

Partindo desta definição, podemos dizer que qualquer cidade tem vocação turística, já que todas as cidades recebem visitantes. Entretanto, no Brasil, as pessoas classificam como turísticas as cidades que possuem algum atrativo, natural ou construído, que motive essa visitação, atraindo gente de outras cidades. Isto não seria um problema, desde que não servisse como argumento para inflacionar os preços de tais localidades e que o uso dessa classificação fosse mais consciente e responsável, pois há cidades que a população local define como turísticas, embora não contem com atrativo algum, exceto aquilo que é usufruído pelos próprios munícipes. E são muitas. Seria ótimo se tivéssemos um consenso. Mas, como não o temos, partiremos do princípio de que todas as cidades têm potencial turístico, o que nos leva a defender a criação e a manutenção de atrativos que possam justificar isto para, assim, merecerem a classificação. E mais, que escolham o tipo de turismo que pretendem explorar: lazer, negócios, religião, importância histórica, gastronomia, etc.

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Não basta a vocação se não houver a especialização.

O que acontece é que quando alguém dá um ovo para um brasileiro ele o come em vez de chocá-lo para depois criar o pintinho até ele se tornar uma galinha que botará outros ovos. É a velha história: esperam ganhar o peixe em vez de se darem ao trabalho de aprender a pescar.

As cidades que se dizem turísticas mas não têm atrativos esperam que os turistas as visitem como elas são. Assim poderão juntar dinheiro para, um dia, torná-las atraentes para os turistas. Porém, o dinheiro que arreacadam não é destinado à preparação da cidade para aquele fim. Na verdade, um pouco de imaginação e boa vontade já poderiam dar um bom impulso nessa direção, contudo, isso exige dedicação. E dedicação é trabalho.

Apontar para o alvo certo

bourbon_spaAs localidades que não contam com atrativos naturais, como praias, cachoeiras ou geografia que favoreça a prática de esportes radicais, por exemplo, devem considerar seu desenvolvimento turístico nas áreas de negócios. O turismo de negócios tem gerado cada vez mais visibilidade para a economia turística do País. Hoje o segmento é o segundo maior fator de atração de estrangeiros para o Brasil, o que coloca o país na 7ª posição entre os principais receptores de eventos internacionais no mundo, de acordo com a Associação Internacional de Congressos e Convenções (ICCA). É a este mercado, em franca expansão e com impactos significativos nas economias locais, que a Organização Mundial do Turismo (OMT) dedica o sétimo volume da coleção de publicações que abordam temas de interesse do setor.

A exploração do turismo de negócios, entretanto, exige investimentos de maior monta, com estrutura para atender a um grande número de hóspedes exigentes. Em Atibaia, por exemplo, o Tauá e o Resort Bourbon mostram-se como excelentes opções para empresas paulistanas, pois estão próximos da Capital e numa cidade que tem um dos melhores climas do País.

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Jorge Benjor já cantava, décadas atrás, que o Brasil é “abençoado por Deus e bonito por natureza”, mas não se pode esperar que todas as cidades sejam naturalmente belas, pois até estas precisam de cuidados para serem atraentes. É preciso, sim, muita vontade por parte dos políticos, mas, também da população. Um lugar onde o mato cresce nas calçadas, a sujeira se acumula nas sargetas, os imóveis são inacabados e pichados e não existe preocupação com a boa aparência atrairá um público condizente com o cenário.

É preciso que os munícipes se unam e se organizem, que sejam criadas associações de amigos de bairros, que haja participação e comprometimento de todos, acompanhamento da atuação dos políticos, reivindicações fundamentadas e cobrança de providências, com o devido respeito daqueles que ocupam cargos temporários e são muito bem remunerados graças aos impostos que todos pagamos. Se esperarmos que os milagres aconteçam sem a nossa ajuda, é bom que o façamos sentados e preparados para sofrer decepções.

Tudo é possível. Depende de nossa postura.

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