Na miraSanta Isabel

Mentes pobres

Quando alguém me pede para citar uma característica de Santa Isabel, uma das primeiras coisas que me vêm à cabeça é a falta de imaginação dos comerciantes no que se refere aos meios de publicidade. A maioria opta pela poluição, seja com a geração de lixo em forma de panfletos (ambiental) ou com carros/caixas de som (sonora).

Quem gera poluição sonora

  1. O caminhão de gás;
  2. As lojas que oferecem promoções;
  3. O caminhão de lixo reciclável;
  4. Lojas que escolhem músicas horríveis para chamar a atenção;
  5. O carro de material de limpeza;
  6. O carro da pamonha fresquinha, pamonha fabricada… com leeeite de côco, manteiga e mel de abelha…;
  7. O outro carro de material de limpeza, aquele que diz “basta acenar com a mão e paramos até você”;
  8. A bicicleta de som (em Santa Isabel existe!);
  9. As igrejas;
  10. O pessoal que gosta de arrasta-pé na região do Lanifício (às quintas, sextas e sábados).

Quem gera poluição ambiental

  1. Os supermercados. Mas, há um lado positivo nisto: como são distribuídos diariamente em quantidade farta, os folhetos são ótimos para recolher as fezes dos cachorros que sujam as ruas e calçadas.
  2. Os donos de cachorros que não os acompanham em seus passeios;
  3. As pessoal maleducadas que jogam lixo nas ruas;
  4. Os políticos (tanto com a distribuição de “santinhos” quanto com seus discursos).

Eles não sabem ou fingem que não sabem?

Os comerciantes gastam um bom dinheiro com panfletos, flyers, encartes de ofertas ou qualquer outro lixo em papel que tenha o intuito de atrair mais fregueses e aumentar suas vendas (os marqueteiros recomendam um investimento de 5% da receita bruta em publicidade); pagam para que os panfleteiros distribuam esse material de porta em porta – alguns fazem isso durante a madrugada, talvez para evitar reclamações – e não sabem que a perda é de cerca de um terço, pois os distribuidores querem acabar logo a distribuição e voltar a dormir, por isso deixam vários exemplares em cada casa.

folhetos-no-lixoOs que preferem apelar para as mensagens sonoras, também de péssima qualidade, não respeitam áreas em que o barulho é proibido (como nas proximidades de hospitais, casas de repouso, creches, escolas e outras), acham que é perfeitamente normal acordar quem está dormindo às oito horas da manhã de um domingo, e não têm noção do que seja o limite de decibeis especificado por lei.

E por que fazem isso?

Fazem-no porque estas são as formas mais baratas de publicidade, depois da internet, é claro. Querem economizar, e, assim, fazem um serviço porco.

Em caso de insatisfação, reclame para o bispo

bispoVá reclamar para o bispo” é uma expressão antiga que significa que você não tem a quem reclamar ou que não adianta reclamar para quem seria supostamente responsável por atender seus interesses (ou da comunidade). Os políticos alegam que perderiam votos dos entregadores de panfletos, por tirarem seus “empregos”; dos donos de gráficas, que deixariam de ter essa renda constante; e dos comerciantes, que querem continuar gastando pouco e sujando as cidades. O resto da população parece ter importância menor, assim como o trabalho das prefeituras na limpeza de ruas e bueiros, ou pior, com as enchentes provocadas por isto. E enchentes é o que mais temos em Santa Isabel.

circulo-vicioso

Um município com topografia acidentada, onde se amontoam casas inacabadas, muros e paredes pichados, lixo espalhado nas ruas e carros de som como melhor opção de publicidade não pode ser chamada de “Paraíso”. Entretanto, há possíbilidade de se mudar isso e transformar esta cidade numa atração turística. Para tanto, basta ter criatividade, educação, e vontade política.

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