Política

Mais uma patada do Leão

Não é novidade que praticamente todos os produtos vendidos no Brasil são muito mais caros do que em outros países do mundo. Por isso, muitos usuários acabam comprando no Exterior. Entre janeiro e fevereiro deste ano, as compras feitas pelos brasileiros via internet em sites internacionais aumentou 40% em relação ao mesmo período de 2013. A cada mês, são 1,7 milhão de encomendas, e só no ano passado foram 18,8 milhões de pedidos, segundo dados da Receita Federal.

Tanto crescimento acabou por chamar a atenção do Governo, que agora ficará de olho em qualquer transação feita em páginas estrangeiras. Isso porque, em parceria com os Correios, a Receita está desenvolvendo um sistema que vai automatizar a fiscalização de todas essas compras no Exterior. Ou seja, o que já acontece nas alfândegas dos aeroportos agora vai acontecer também no mundo digital. As informações são do jornal O Estado de São Paulo.

De acordo com Edna Beltrão Moratto, chefe da Divisão de Controles Aduaneiros Especiais da Receita, o sistema deve entrar em fase de testes em setembro deste ano (mês que vem) e a previsão é que o mecanismo seja implantado definitivamente em janeiro de 2015. Pelo programa, o governo vai saber o que está sendo comprado antes mesmo de a mercadoria chegar, já que, a partir da compra, o site repassará antecipadamente as informações para a Receita. (Leia matéria completa em: http://canaltech.com.br/noticia/e-commerce/Governo-tera-sistema-para-cobrar-impostos-de-compras-online-feitas-no-exterior/#ixzz3APHErf8p).

A política não é, portanto, ajustar a economia interna, aumentar a competitividade, melhorar e aumentar a produção, ou criar condições para que os preços se adequem pela livre concorrência. É arrancar mais da população a todo e qualquer custo, sem oferecer nada em troca. Isto também tem nome…

A falta de “competência” brasileira

imagem-131202-incompetentePraticamente tudo que se relaciona a informática e internet e é realmente bom é produzido fora do Brasil, ou produzido aqui (pouquíssimas coisas) e colocado à venda lá fora por preços razoáveis. Isto é apontado como falta de competência brasileira. Os templates para WordPress (modelos semi-prontos de sites), por exemplo, são encontrados aos “zilhões” na internet, assinados por indianos, americanos, franceses e italianos, principalmente. Uma vez em nunca você encontra um modelo construído por um brasileiro. Os preços mais comuns variam de 35 a 99 dólares.

Usando um cartão de crédito internacional, ou com uma conta no PayPal, você está sujeito ao IOF (cerca de 6,5%), além de ter o câmbio corrigido por valor mais alto que o existente no dia da compra. Um template de US$ 99 acaba custando para os brasileiros (hoje) mais de R$ 240,00, exigindo sua tradução completa e, muitas vezes, sua complementação com rotinas especiais, também produzidas e vendidas no Exterior. Aí vem a “customização” – palavra oriunda de customer (cliente) –, que significa personalização.

A codificação original dos programas usa a cadeia de caracteres do Inglês, sem acentos e sem cedilha, sendo necessário modificá-los para aceitar a cadeia de caracteres usada no Brasil. Esses templates são formados, em grande parte das vezes, por milhares de arquivos, ou, quando trazem alguma facilidade para a tradução, por um arquivo contendo até 1.500 frases.

Esse trabalho consome muitas horas, ou dias.

O webdesigner, consciente da impossibilidade de praticar os preços sugeridos pela APADI (Associação Paulista de Agências Digitais), que começam com R$ 20.000,00, oferece o site pronto por, digamos, dois mil reais, levando em conta que terá que recolher o devido imposto pela prestação do serviço (pessoa jurídica), cuidar do registro de domínio, orientar o cliente quanto à hospedagem do site e outros cuidados, implantar o site, treinar seus usuários, enfim, paparicar seu cliente tanto quanto possível para não perdê-lo.

leao_irPois bem, até agora o Governo está mirando nas compras de itens palpáveis, concretos. Um software que seja enviado do Exterior em mídia digital (CDs ou DVDs) estará sujeito a esse imposto. Taxar os produtos virtuais é questão de tempo. O Leão é voraz, quer ganhar sobre tudo e de todos, garantindo que seus dentes estarão sempre afiados.

Com o mundo se tornando cada vez mais digital, o Governo não vai demorar para enfiar suas unhas em nossas gargantas. Algumas empresas já tentaram isso quando a primeira versão do Marco Civil da Internet foi escrita, queriam cobrar para permitir acesso a determinados conteúdos.

Quem (sobre)viver verá!

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