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Golpes chocantes

Para eletrocutar os brasileiros

O INMETRO – Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – é uma autarquia federal brasileira, no formato de uma agência executiva, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que justifica a mudança do padrão dos plugues e tomadas brasileiros, ocorrida em 2011, alegando que com o padrão anterior faltava segurança ao consumidor. O padrão atual, segundo os especialistas de lá, diminui a possibilidade de choques elétricos, incêndios e mortes.

De acordo com o site do INMETRO, dados estatísticos indicavam à época da publicação que “nos últimos dez anos o DataSUS registrou 13.776 internações com 379 óbitos e mais 15.418 mortes imediatas decorrentes de acidentes relativos à exposição a correntes elétricas em residências, escolas, asilos e locais de trabalho, e que dentre os acidentados, o choque elétrico é a terceira maior causa de morte infantil.”

Pois bem. Uma matéria publicada pelo site R7 em 4 de maio de 2017 (portanto, 6 anos depois da mudança de padrão dos plugues e tomadas), noticia, com base num relatório da Abracopel – Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade – que o “choque elétrico mata em média dois brasileiros por dia“, o que indica que ocorrem aproximadamente 730 mortes por ano, isto é, 92,6% a mais que antes. Na verdade, esse número considera as mortes decorrentes de choques elétricos, raios e incêndios por curto-circuito. Há que se considerar, também, que “muitos dos choques fatais ocorrem por pessoas que fazem obras próximas à rede elétrica ou que tentam fazer ligações clandestinas em postes, por exemplo”.

Não há registros que indiquem quantos acidentes acontecem por causa dos plugues e tomadas. Claro. Jamais revelarão isso, pois o verdadeiro motivo que levou à mudança de padrão não foi o risco de acidentes, mas, o interesse econômico da indústria de material elétrico, que, aliás, continua produzindo porcarias.

A mudança teve o apoio do governo, evidentemente, uma vez que isso aumentou exorbitantemente a receita desse segmento, inclusive com outras novidades, como a substituição das lâmpadas incandescentes (hoje proibidas) pelas lâmpadas “econômicas” e de led, que custam no mínimo dez vezes mais. E quando as receitas da indústria e do comércio aumentam, a Receita (Federal) morde mais.

Porém, a qualidade desses materiais não aumentou de maneira proporcional aos novos preços. Ao contrário, em alguns casos, diminuiu.

O INMETRO diz que o novo formato das tomadas (“em poço”) impede que a pessoa enfie o dedo no orifício por onde passa a corrente elétrica. Pergunto: no padrão anterior, que dedo caberia nos orifícios destinados aos pinos dos plugues?! Se alguém enfiar um arame ali, certamente levará um choque, desde que haja contato simultâneo com o outro polo da corrente ou com o neutro (parede, chão).

Tem mais: há duas medidas de plugues. Logo, há duas medidas de furos de tomadas.

Se você tem um aparelho cuja amperagem é inferior a 10 ampères (desconheço a razão do acento grave nesta palavra) e a tomada mais próxima tem furos de 4,8 milímetros, terá que trocar a tomada por um modelo que tenha furos de 4 milímetros. É um padrão sem padrão, entende? E pior, é único no mundo!

EXEMPLOS DO QUE FICOU AINDA PIOR

Luminárias Fios com tamanho reduzido, parafusos de fixação curtos ou inadequados
Interruptores Mais frágeis; teclas com mau funcionamento; ferragens de baixa qualidade
Tomadas Mais frágeis; ferragens de baixa qualidade; falta de padrão nas medidas
Lâmpadas Caríssimas; pouca luz = não correspondem ao que indicam nas embalagens

Agora os plugues têm três pinos. Supõe-se que todos os imóveis brasileiros construídos a partir de outubro de 2006 contem com sistema de aterramento; afinal, é para isso que serve o terceiro pino. Pelo menos é o que diz a Lei nº 11.337, de 26 de julho de 2006: “Determina a obrigatoriedade de as edificações possuírem sistema de aterramento e instalações elétricas compatíveis com a utilização de condutor-terra de proteção, bem como torna obrigatória a existência de condutor-terra de proteção nos aparelhos elétricos que especifica.”

Pergunto: sua casa possui sistema de aterramento? Quantos imóveis obedecem a essa lei no Brasil?

Adivinhe (ou clique para saber): Quem assinou essa Lei?

Mumunhas do setor elétrico

Temos assistido a uma série de manobras que promovem o enriquecimento dos geradores e distribuidores de energia elétrica no Brasil. Aliás, isso vai um pouco além e favorece a todos que exploram a água que a natureza nos dá de graça.

As usinas hidrelétricas são responsáveis pela geração de quase 77% da energia elétrica no Brasil. E, por incrível que possa parecer, as usinas termelétricas (biomassa), que aproveitam tudo que sobra da cana-de-açúcar, entre outras fontes, produzem menos energia do que a importada de outros países.

A jogada da SABESP

Até poucos anos atrás, em Santa Isabel os serviços de água e esgotos eram providos pela prefeitura. O valor das contas de consumo eram baixos. Pagávamos menos de R$ 10,00! Em 2015, num acordo muito mal costurado, esses serviços foram transferidos para a SABESP como condição para que essa empresa explorasse a água do município. A partir de janeiro de 2016 o valor mínimo passou a ser de R$ 19,70 (quase o dobro de antes) em vista do compromisso de substituir a rede de abastecimento e implantar a estação de tratamento de água.

De lá para cá, a cidade se tornou um canteiro de obras. As ruas ainda mostram os primeiros estragos no asfalto, pois, como é de costume, a SABESP não cumpre o acordo de fechar os buracos de forma adequada. Dizem que metade do custo dessa recuperação caberia à prefeitura e, assim, repete-se o que vi em outras cidades: um jogo em empurra que não tem fim.

Conheço bem esse filme…

A foto-montagem (acima), que reflete bem a situação, foi publicada em 15 de novembro pelo Guardião de Santa Isabel na linha do tempo do grupo União por Santa Isabel – o verdadeiro, no Facebook.

Por outro lado, a SABESP vem substituindo os hidrômetros de todos os imóveis. Assim foi feito em minha casa há dois meses. Desde então, o consumo, que era de 5 metros cúbicos mensais em média, passou para 15 e, em seguida, para 18 metros cúbicos. Não há vazamentos, isto foi verificado. Como tem acontecido em outras cidades, tudo indica que os hidrômetros marcam muito mais do que o consumo real. Até agosto éramos quatro ocupantes do imóvel, hoje somos apenas dois e praticamente não ficamos em casa. Nossa rotina não mudou em nada, exceto pela redução do número de moradores. Então, como explicar esse estrondoso aumento?

Leia mais em “Onda de aumentos“.

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