Comportamento

Fugindo do Alzheimer

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Muito se tem falado e pouco se tem feito para lutar contra o mal de Alzheimer. E, por melhores que sejam as piadinhas que se apoiam nessa doença, a realidade de quem a tem ou passa o tempo ao lado de quem sofre com ela não é nada engraçada.

O Alzheimer é uma doença degenerativa, ainda incurável. O tratamento permite retardar o declínio cognitivo, melhorar a saúde, controlar as alterações de comportamento e proporcionar qualidade de vida para o idoso e sua família. E para quem não sabe, essa é a maior causa de demência para pessoas com mais de 60 anos, especialmente no Brasil e em Portugal, sendo cerca de duas vezes mais comum que a demência vascular, e, para piorar, ambas costumam ocorrer simultaneamente.

Brincadeiras à parte, o que me fez escrever sobre esse tema foi uma mensagem que me foi enviada por um amigo. Achei interessante o depoimento (ou desabafo) de Roberto Goldkorn, psicólogo e escritor, ao falar de seu pai. Embora os médicos não apresentem um diagnóstico definitivo – porque hoje para os médicos tudo é virose – “ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer”.

oculosComo já cheguei à marca dos sessenta, minha atenção é sempre maior quando as doenças da velhice são o assunto em pauta. Porém, mesmo não sendo médico, acredito que não tenho propensão para ser acometido por esse mal, pois pratico meu cérebro diariamente com leitura e novos aprendizados. Preciso disso para sentir que valeu a pena viver o dia.

O conselho de Goldkorn é para que leiamos e escrevamos bastante, buscando a clareza das idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade. Como? Inventando novos desafios, fazendo palavras cruzadas, forçando a memória.

Entre as sugestões do psicólogo estão:

  • usar o relógio de pulso no braço contrário;
  • escovar os dentes com a mão contrária da de costume;
  • andar pela casa de trás para frente;
  • vestir-se de olhos fechados;
  • estimular o paladar comendo coisas diferentes;
  • ver fotos de cabeça para baixo;
  • ver as horas num espelho;
  • fazer um novo caminho para ir ao trabalho.

Segundo ele, a palavra FELICIDADE deve estar no topo da lista de nossas prioridades. Sete entre dez doentes nunca ligaram para essas “bobagens” e viveram vidas medíocres e infelizes – muitos nem mesmo tinham consciência disso.

Devemos nos manter interessados no mundo, nas pessoas, no futuro; inventar novas receitas, experimentar; lutar por uma causa, por um ideal, pela felicidade.

Uma descoberta dentro da Neurociência revelou que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões. Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que NEURÓBICA, a “aeróbica dos neurônios”, é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso: limitam o cérebro.

Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios cerebrais que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional.

O que se verifica cada vez mais comum, especialmente entre os jovens, é a preguiça de usar o cérebro. Eles tendem a buscar o que está pronto, ainda que paguem caro; consomem sem avaliar, sem pensar, sem se esforçar para fazer por si. Ler? Nem que a vaca tussa! É chato! Preferem assistir a um filme dublado, ainda que as vozes nada tenham a ver com as personagens, a ter que acompanhar as legendas e ao mesmo tempo ver as imagens, como se apenas um neurônio funcionasse por vez, enquanto o outro descansa.

O autor da mensagem recomenda que mudemos o comportamento rotineiro, dando trabalho para os dois lados do cérebro, e dá uma dica: experimentar a usar o mouse com a outra mão. É uma mudança de comportamento!

Há pessoas que passam quase toda a sua existência fazendo coisas que não as agradam ou que não são suficientemente boas, simplesmente porque têm medo das mudanças. Mas, tudo se modifica, independentemente de nossas preferências. Se não nos adaptarmos às mudanças, alimentaremos ainda mais nossa frustração.

Quando nascemos, nos foi dado o direito de sermos felizes. E também o de escolher como. O resto é uma questão de luta.

Comece a exercitar seu cérebro, ou ele se enfraquecerá e estará aberto à visita do alemão mais temido que existe, o Alzheimer.

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