Comportamento

Estupro: a polêmica da vez

Nos últimos dias, em decorrência dos abusos que vêm sendo registrados no metrô, muitos blogs e jornais têm colocado em pauta a discussão da culpa sobre os estupros. Uns alegam que a culpa é do estuprador, que deveria respeitar as mulheres em qualquer circunstância; outros, que a culpa é da mulher que se veste “para matar”. O assunto foi colocado em discussão no site JusBrasil, onde encontrei material para esta postagem. E você, qual é a sua opinião?

O artigo original

O artigo no JusBrasil tem o título “A culpa é da vítima”, e é assinado por Jeison Giovani Heiler. Ele começa com o seguinte parágrafo:

Nesta última semana o assunto em todas as cavernas, rodas de conversa ao redor da fogueira, e em sessões de canibalismo era a divulgação da pesquisa do IPEA – Instituto de pesquisa econômica aplicada, que revelou o que pensa o brasileiro quando o assunto é a violência contra as mulheres, expresso na forma do estupro. Nada menos do que a esmagadora maioria, 65%, disse que a culpa é das mulheres, que usam roupas provocantes.

O autor prossegue dizendo que “Uma pesquisa de um instituto sério como o IPEA, não pode ser desacreditada. Contudo, penso que faltou na análise imposta aos entrevistados, a consideração de outros possíveis “culpados” além, da própria vítima. A mulher, de acordo com a pesquisa, está suportando o estupro, e além disso, a culpa pelo crime. Como se ela fosse uma espécie de comparsa do estuprador.”

Com ironia, Jeison cita a indústria têxtil, as academias e até os médicos e nutricionistas como figuras que poderiam ser consideradas co-responsáveis pelos estupros já que estas contribuem com seu trabalho para criar a imagem de “mulher provocante” em suas clientes e pacientes, tornando-as alvos preferidos dos estupradores.

Apesar da ironia, essa associação não pode ser desprezada. A sociedade moderna valoriza a estética do corpo, é bombardeada por anúncios e mensagens subjetivas em tudo que a cerca, acostumando-se a pensar que só faz sucesso quem se enquadra naquele padrão de beleza, onde o conteúdo não importa. Como se o tempo não arruinasse nossas imagens…

Algumas considerações

Em primeiro lugar, repito o que foi dito por um estilista homossexual:

A moda é definida por homossexuais que criam seus modelitos levando em conta seu desejo pessoal de ser mulher e chamar a atenção dos homens.

travestiEmbora isso não seja uma verdade absoluta, não podemos negar que a afirmação tem algum sentido. Os homossexuais têm propensão ao exagero, e demonstram isso quando agem e falam como as mulheres, sob seu ponto de vista, evidentemente. É fácil perceber sua falta de naturalidade, já que estão “forçando” sua natureza. E quando se travestem, fazem o mesmo: exageram.

Os transexuais fazem ponto bem na esquina de minha casa e mostram isso diariamente. Com cabelos naturais muito bem tratados, vestidos curtíssimos e super decotados, exibem todas as áreas siliconadas de seus corpos. Quando decidem ser discretos, usam calças fuseau que permitem perceber cada músculo, evidenciando seus glúteos recheados do composto químico.

Portanto, dou crédito ao tal estilista e, me atendo ao mesmo segmento, lembro as criações da Daspu, a indústria de moda criada para atender prostitutas.

Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?

Ninguém pode responder com exatidão o que aconteceu primeiro: se a televisão criou as “periguetes” ou se as “periguetes” serviram de inspiração para que os autores de novelas as introduzissem como personagens de seus dramas. Um fato inegável é que a televisão influencia a sociedade. E se uma influenciou a outra no funk, por exemplo, é, pelo menos para mim, um mistério do qual não quero e nem preciso da resposta. Todavia, é a mídia que promove as funkeiras (em vez de promover uma cultura mais interessante), e as menininhas que as assistem são tomadas da vontade de ser como elas, e passam a se vestir da mesma maneira.

Nem sempre essas coisas surgem no Brasil. Os negros americanos influenciaram fortemente os “manos”, e, como aqui os “manos” não podem comprar equipamentos de som portáteis tão sofisticados como os de lá, apelam para os carros velhos e os entulham com alto-falantes enormes. No mais, como na moda, até dá para acompanhar os mais inventivos, basta comprar uma calça de tamanho 54 e vesti-la num corpo tamanho 42…

Voltando ao principal

Ninguém pergunta – e talvez não recebesse uma resposta sincera se o fizesse – que motivos tem uma mulher para se vestir como uma “periguete”. É possível que ela realmente desconheça o que a leva a fazer aquilo, pois cresceu acostumada a esses padrões, assistindo às novelas que têm se mostrado cada vez mais inconsequentes. Entretanto, afirmar que ela o faz com total inocência é uma hipocrisia muito grande.

Conheço várias vítimas de estupro. Nenhuma delas vestia-se de maneira provocante quando foi atacada, são mulheres de respeito, de boa origem, com boa formação, e não saíram por aí querendo chamar a atenção dos homens. Mas, foram estupradas. Estavam no lugar errado, na hora errada, e depararam-se com elementos sem escrúpulos, drogados, talvez, ou simplesmente vítimas das mesmas campanhas das novelas que exibem um mundo fictício ou inalcançável para determinadas classes sociais. Isto é, o argumento aqui é o mesmo usado pelos participantes dos “rolezinhos”. Eles querem ter o que eles veem na televisão. E na televisão tudo é possível, tudo é permitido, tudo é legal, tudo é normal.

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Não sou contra a televisão, sou contra a cretinice das pessoas que a dirigem ou criam seus programas, sou contra a falta de criatividade, de consciência, de bom senso e de responsabilidade, isto sim. Se um casal ou duas mulheres podem transar diante das câmeras num reality show, por que não eu? – perguntam-se os despreparados. E põem em prática aquilo que são estimulados a desejar.

As redes sociais não são menos influentes. Principalmente na adolescência, a disputa é muito comum. E – perdoem o trocadilho – isso acontece até com a menina que não se disputa, mas age como tal.

Enfim, temos dois lados na moeda, e ambos devem ser avaliados. Há homens doentes que atacam sem motivo algum além de sua disfunção mental, assim como há mulheres que provocam a libido dos homens além dos limites, levando-os a acreditar que com essa atitude elas se mostram sedentas de sexo. As duas coisas são verdadeiras e fundamentais nas considerações para definir quem é culpado em caso de estupro.

Conclusão

estuproSe numa pesquisa 65% das pessoas atribuem às mulheres a culpa pelos estupros, havemos de convir que os fatos as induzem a ter essa opinião. E, já que não podemos identificar os “animais” estupradores e tratá-los, talvez conseguíssemos reduzir o número de estupros adotando indumentárias mais discretas para as mulheres. Não é necessário considerar os extremos, como a burca, apenas o bom senso.

Ninguém precisa sair por aí exibindo calcinhas (ou a falta delas) e seios volumosos para se mostrar atraente e desejável. Um pouco de conteúdo dentro das cabeças ajuda muito! Caso contrário, continuaremos a ter cabeças dentro do conteúdo… E as mulheres continuarão sendo consideradas culpadas por isto.

Link para o artigo original.

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