Comportamento

Educação e Respeito

Houve um tempo em que as pessoas eram mais felizes, ou pareciam ser, independentemente de sua condição social, profissional ou financeira; um tempo em que os sorrisos eram mais comuns que as risadas e o silêncio era mais frequente que as discussões. A riqueza das pessoas podia ser medida por seu comportamento. Quanto mais ricas, mais comedidas e reservadas eram.

eumeninoNaquela época, as famílias eram grandes e uniformes. Seus membros seguiam certos rituais, especialmente nos fins de semana, reunindo-se nas casas dos mais antigos para comemorar a vida e a união. O casal mais velho ocupava as duas extremidades mais estreitas da mesa e os demais dispunham-se ao longo das laterais, em pares, para o costumeiro almoço familiar. As crianças ocupavam uma outra mesa, próxima à principal, e eram servidas por seus pais. Comiam ali, de boca fechada, sem apoiar seus cotovelos na mesa, sem gritar umas com as outras, segurando seus respectivos garfos conforme mandava a etiqueta, usando as facas somente quando era necessário cortar algum alimento.

Era agradável vê-las sem bochechar quando sorviam algum líquido. E somente nessas ocasiões tomavam refrigerantes. Quase todas tinham medalhas de “Honra ao Mérito”, conquistadas em suas escolas como prêmios pelas boas notas e bom comportamento.

Havia uma hierarquia natural: os mais velhos, detentores de mais sabedoria, eram ouvidos e respeitados pelos mais jovens. Analogamente, era como se os avós fossem generais; os pais, capitães; os irmãos e primos mais velhos, tenentes; os menores, soldados. Porém, não era necessário o uso de força e muito menos de berros desesperados. Todos se comunicavam em tom ameno, e conseguiam se entender! Em casos extremos, os desobedientes recebiam algum castigo, e até uma palmada na bunda, mas isso era raro porque assimilavam com facilidade a lição.

Não havia discriminação entre as pessoas. Havia, inclusive, uma senhora, dona Mariana, filha de escravos, que recebia o carinho de todos e era tratada como membro da família. Era assim no país onde nasci… E esse comportamento, que era natural, era atribuído a um valor que com o tempo se tornou escasso e raro nas pessoas: RESPEITO.

Respeito é o ato natural de não fazer aos outros o que não gostaríamos que fizessem com a gente. É dar espaço para que os outros expressem suas opiniões, sem discriminações ou punições; é não maltratar, não humilhar ou espezinhar as pessoas simplesmente porque nos julgamos com razão ou melhores que aquelas. O respeito está na formação do caráter de cada um e, quando não, pode ser aprendido.

Infelizmente, perdeu-se muito dos valores antigos, entre os quais, o respeito.

bullyingAprendemos a conhecer o termo “bullying” como ato de violência física ou psicológica, mas, muitos não percebem que praticam isso em seu cotidiano, em seus relacionamentos pessoais, nas redes sociais…

Certas pessoas se julgam diferenciadas, melhores que todas as demais, e se tornam desagradáveis agindo assim. Algumas começam cedo.

A prepotência é um sinal claro de insegurança. Os prepotentes têm necessidade de se colocar como seres superiores diante dos outros para que consigam vencer o desalento de serem mal amados. Muitos recorrem a perfis falsos (fakes) para não serem apontados como fracassados na vida real. É a forma que encontram para dizer o que pensam sem medo, pois, em suas mentes perturbadas, não são eles que estão ali, mas, seus alter egos.

prepotenteEntretanto, há casos surpreendentes que revelam total falta de consciência ou de aceitação da existência dos mais de sete bilhões de pessoas que vivem neste mundo, cada qual com suas experiências, conhecimentos, princípios, crenças e convicções; gente que acredita ser dona da verdade, que subjuga seus interlocutores até nas interações mais simples, chegando, às vezes, a mandá-los calar a boca porque, em sua opinião, ninguém entende nada de coisa nenhuma; são todos idiotas.

“Idiota”, aliás, é a palavra que mais usam para definir os que discordam de suas opiniões.

Fanáticos

O que pode ilustrar bem esse tipo de falta de respeito é o comportamento dos fanáticos. O fanatismo é um distúrbio psicológico que atinge aquelas pessoas que defendem de forma desmedida suas crenças ou opiniões. Os fanáticos se revelam especialmente nas torcidas de times de futebol, nas religiões e na política, e são seguidos pelos novos-fanáticos, que são ex-viciados que conseguem se manter longe dos vícios com muito sacrifício, ou pessoas que decidiram mudar seus hábitos alimentares, contrariando o que lhes era natural, como os novos vegetarianos ou novos veganos que adoravam comer carne, e, ainda, os novos magros, hoje escravos de dietas.

O fanático precisa defender sua causa com unhas e dentes para não se sentir perdedor; é incapaz de ouvir qualquer coisa que contrarie sua crença. É, em suma, um teimoso que prefere se esconder numa caixa imaginária a olhar o mundo e aceitar sua grandiosidade.

deboche“Aquela idiota não sabe o que nós sabemos, amiga.”
Há quem diga isso sem conhecer suficientemente a pessoa acusada, sem saber sua origem e sua história, julgando-a pela aparência ou por uma única frase colocada com o cuidado de não ferir quem a ouviu.

As manifestações de deboche contra derrotados, em qualquer disputa, são igualmente pequenas e deploráveis.

Rir, fazer gozações, tripudiar, zombar, ofender, agredir, nada disso acrescenta alguma coisa a qualquer situação. Não ajuda, mas atrapalha bastante a quem se dá valor, ainda que seja um fanático.

Fica aqui um conselho que recebi há muitos anos e até hoje me tem sido muito útil: antes de falar qualquer coisa, conte até cem, e calcule o efeito que terá aquilo que pretende dizer. Você vai perceber que ficará muito mais tempo com sua boca fechada.

Para saber o que é certo ou errado, basta pensar naquilo que você não gostaria que fosse feito a você.

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