Política

Cortina de fumaça em 7 de setembro

Dilma Rousseff preferiu usar sua página no Facebook para transmitir ao povo brasileiro sua mensagem do dia 7 de setembro, gravada em vídeo. Imagino que tenha sido apenas ali, naquela rede social, pois não vi em outras mídias notícias sobre sua aparição com a mesma finalidade.

Vários sites deram destaque ao “mea culpa” da presidente, que reconheceu ter errado na condução da política e assumiu sua responsabilidade de apontar soluções. Disse ela: “É verdade que atravessamos uma fase de dificuldades, enfrentamos problemas e desafios. Sei que é minha responsabilidade apresentar caminhos e soluções para fazer a travessia que deve ser feita. As dificuldades e desafios resultam de um longo período em que o governo entendeu que deveria gastar o que fosse preciso para garantir o emprego e a renda do trabalhador, a continuidade dos investimentos e dos programas sociais. Agora, temos de reavaliar todas essas medidas e reduzir as que devem ser reduzidas.”

Dilma deu sinais da admissão de seus sucessivos erros dias antes, quando, depois se reunir com alguns Ministros, com o vice Michel Temer e o com seu padrinho político Lula, passou a assumir uma postura mais humilde, dispondo-se a ouvir a sociedade, numa clara numa tentativa de se desfazer a imagem de intransigente e autoritária que ajudou a despencar os índices de aprovação de seu governo. Acuada pelo clamor das ruas e com vários pedidos de impeachment, a “fera” Dilma de repente se transforma, como por encanto, numa suave líder amiga de todos os prejudicados.

transformacao

Para o cientista político Alexandre Gouveia, da UnB, devido à demora em agir, é essencial que Dilma se torne agora protagonista do combate a corrupção. “O que muitas vezes prejudica uma ação política não é o conteúdo e a forma, mas o timing [fazer a coisa certa na hora certa]. E, é justamente o timing que está prejudicando a presidente. O governo demorou a tomar atitudes e só ia a público depois que a crítica estava instalada”, completou.

Para o economista Diego Sánchez-Ancochea, da Universidade de Oxford, Dilma precisa adotar medidas de médio prazo de ajuste fiscal, que reduzam os gastos do governo, pois o combate a corrupção não é suficiente para diminuir a insatisfação popular. Dilma precisa, sobretudo, resolver os problemas econômicos. “Um grande problema de qualquer presidente é quando a economia vai mal. É praticamente impossível segurar a popularidade com expectativas pessimistas em relação à inflação e ao emprego.

Ok, poderíamos passar horas discutindo aqui as opiniões dos especialistas, porém, não podemos deixar de levar em conta as opiniões dos maiores prejudicados: todos os brasileiros que não fazem parte da panelinha oficial.

queda-collorPara mostrar sua real disposição de consertar seus erros, Dilma terá que sacrificar parte do enorme número de favorecidos políticos; terá que cumprir a promessa de eliminar Ministérios e Secretarias inúteis e dispensar milhares de pessoas despreparadas que ganharam cargos comissionados. Mais difícil ainda, precisará acabar com a farra dos cartões corporativos, abrir as contas para dar conhecimento de seus feitos ao público, revelar os segredos mantidos a sete chaves sobre o BNDES e parar de agir como defensora de bandidos que foram ou estão para ser presos. E fazendo isso se exporá ao risco de ser “traída” por seus próprios companheiros, como fez Pedro Collor ao se sentir prejudicado por seu irmão, o que deu início ao processo de impeachment, ao qual assistimos em 1992, por muito menos.

A questão é: por quanto tempo ela conseguirá segurar a máscara?

No meu, no seu, no deles não

A única saída que Dilma enxerga para resolver os problemas de caixa que ela e seu partido criaram é enfiar a mão em nossos bolsos mais uma vez e tirar as migalhas que ainda temos, visando cobrir, de cara, o buraco de 30,5 bilhões que faltam para o Brasil sobreviver a 2016. Detalhe: sem melhorar nada.

Quando esboçou a intenção de ressuscitar a CPMF, a presidente ouviu a recusa uníssona do Senado e se expôs a uma chuva de críticas da população através dos mais variados canais. Fechou a previsão orçamentária do ano que vem com um rombo de 30,5 bilhões e jogou a batata quente nas mãos do Congresso, esperando que alguém sugerisse um milagre e, finalmente, colocou nos ombros de seu Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a responsabilidade de avisar a população de que será necessário criar um novo imposto “temporário” para que o país consiga sair da crise. Esse imposto ainda será chamado de Impostozilla, pois será mais um monstro invencível que teremos que enfrentar.

O jogo político

millionaireEste é o resultado do jogo político: Lula (0 criador) e Dilma (a criatura) lotearam o Paraíso em troca de apoio político e bocas fechadas, mas acabaram se perdendo com tantas reivindicações, avançando sobre propriedades alheias, como a Petrobras, provocando um desmoronamento que resultou num abalo sísmico de proporções inesperadas. O deslocamento causou um buraco sem fundo, para onde o povo tem sido jogado com o intuito de recuperar a superfície, a fim de construir ali um novo futuro, ainda que seja sobre os restos mortais de milhões de empresas e de brasileiros.

O jogo não para. Os graves problemas na articulação política sugerem que um primeiro passo para reconquistar o apoio político no Congresso seria a troca dos interlocutores da presidente. Observadores da cena política afirmam que os ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil), Miguel Rossetto (Secretaria-Geral) e Pepe Vargas (Relações Institucionais), não têm o jogo de cintura necessário para essa tarefa. Dá-se início, então, ao troca-troca, à concessão de cargos em troca de apoio. As nomeações não são feitas por competência técnica, mas, por conveniência política.

Dilma já recebeu “trancos” do Presidente do Senado (Renan Calheiros), do Presidente da Câmara (Eduardo Cunha) e de seu próprio vice (Michel Temer), todos com medo de manchar ainda mais suas imagens por endossarem medidas sugeridas pela Presidência da República.

Michel Temer já definiu seu foco, quer sair candidato ao maior cargo do país em 2018 (se seu partido não pender para o lado de quem estiver mais bem colocado nas pesquisas, como é de praxe).

A única verdade indiscutível é que no cenário político 99% deles enxergam apenas seu próprio umbigo. São pouquíssimos os que ainda emitem alguma chama de honestidade ou sinais de preocupação com o país e com seu povo.

Cortina de fumaça

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Que máscara será usada hoje?

O discurso presidencial de 7 de setembro, ou mais especificamente o tom dado pela presidente, é mais uma cortina de fumaça para camuflar a realidade. Afinal, é fácil enganar o povo! Assim como aconteceu quando a população saiu às ruas para protestar contra o aumento das tarifas de ônibus – os fatídicos vinte centavos –, com o engodo de sua suspensão e as promessas de que as planilhas de custos das empresas de transporte seriam transparentes, o uso da máscara de boazinha (fruto de uma recomendação de seus conselheiros políticos devido à pressão popular) procura mostrar uma imagem fantasiosa, totalmente inverídica, da presidente, como mais um ardil para não cair de seu posto.

Ora, convenhamos, não existe ser humano capaz de se transformar da noite para o dia, mudando totalmente seu comportamento e sua personalidade. A maioria dos desajustados não o consegue mesmo depois de anos de tratamento. E, ainda que milagres aconteçam, eles não ocorrem na política.

Cada um com suas contas

Essa presidente prometeu, durante sua campanha, reduzir o valor das contas de energia em 18%, entretanto, depois de eleita, verificamos o contrário. Nossas contas subiram até 300% em poucos meses. E temos que nos virar para pagá-las, sob pena de ficarmos sem luz em nossas casas. As companhias de energia elétrica não querem saber se você gastou mais do que podia ou mais do que ganhou em cada mês; não há como dar “pedaladas” ou aplicar mágicas à Matemática. Quem não tem dinheiro, não gasta, e, muito menos, esbanja.

Este é apenas um exemplo.

Não temos obrigação alguma de cobrir o rombo que o governo criou. Esse rombo não foi feito para nos dar mais segurança, mais escolas, mais qualidade de vida, mais saúde ou mais lazer; é resultado de uma péssima administração, de desvios ilícitos, do pagamento de propinas, dos favorecimentos assoberbados, das benesses concedidas a uma minoria, dos aumentos de salários para membros de uma panelinha que se coloca acima dos mortais comuns.

Eles que se sacrifiquem, e que se danem! Nossa capacidade para sacrifícios desse tipo já se esgotou.

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