Mercado

Brasil, terra sem lei

Paraíso da malandragem

Francamente, cansei de ser educado, polido, contido, tolerante, amável e outras coisas que aqui passaram a ser vistas apenas como posturas idiotas. Admito, são mesmo. Não fazem a menor diferença num lugar como este, o Brasil dos espertalhões, dos malandros, dos ladrões, dos bandidos, dos infratores das leis, dos abusados, dos sem-vergonha, dos vagabundos, dos incompetentes, dos incapazes, dos ignorantes, dos egoístas, dos safados.

Não é que todos os brasileiros sejam assim, afinal, nem todos os duzentos milhões de pessoas que vivem aqui são brasileiros, mas, destes, seguramente 80%, no mínimo, aprenderam a ser o que há de pior na espécie humana. São pessoas que não se comprometem com o trabalho que deveriam realizar, que querem levar vantagem em tudo sem se importar com os danos que causam aos outros, porque aqui é terra de ninguém, é terra onde as leis só punem os ladrões de galinha, os homens que não pagam pensão alimentícia às suas ex-mulheres e os que por algum motivo não concordam em ser roubados pelo governo, em qualquer de suas instâncias. E este, o governo, está sempre em posição de vantagem, mesmo quando não rouba diretamente.

Quem cumpre com suas responsabilidades é exceção à regra.

Claro se vale de mentiras para vender

mentiras

Em novembro, cansado de receber ligações gravadas de cobrança da Vivo, que ameaçava retirar minha linha telefônica por falta de pagamento – equívoco que foi comprovado por nada menos que seis operadoras de diferentes setores daquela empresa –, decidi migrar meu número para a Claro. Em sua proposta, feita por e-mail, a Claro me oferecia um plano de R$ 19,90 por mês para eu falar por tempo ilimitado com qualquer telefone de minha cidade. A operadora de telemarketing que me atendeu explicou tudo direitinho. Entretanto, eu pedi um plano que me permitisse falar ilimitado com todo o Brasil, e este custaria R$ 39,90. Concordei.

A operadora repassou todas as informações que posteriormente seriam confirmadas por outra pessoa: “O senhor optou pelo plano DDD ilimitado de R$ 39,90, está correto?” – me perguntou a interlocutora; e eu respondi afirmativamente, pois era aquele plano que eu queria.

Do dia da contratação até a chegada do aparelho, pelo qual paguei pouco mais que trinta e dois reais, vários dias se passaram.

À chegada do aparelho, fiquei aguardando instruções. A Claro, através da atendente, se comprometera a cancelar minha linha na Vivo. Aguardei alguns dias sem receber ligação alguma, até que decidi tomar a iniciativa. Disseram que demoraria um pouco para que a linha fosse habilitada.

Nada aconteceu. Eu estava sem telefone.

O aparelho da Claro é um celular metido à besta. Tem a aparência de um telefone sem fio, porém, sem o cabo que é ligado à rede de telefonia. Funciona com chip. Levou algum tempo até que eu descobrisse que para ligá-lo eu deveria proceder como se estivesse usando um celular, isto é, pressionando a tecla liga/desliga até o início do “primeiro suspiro de vida”. Só então pude configurá-lo e habilitá-lo. Ninguém havia me orientado sobre isto.

Cerca de duas semanas depois, chegou a primeira fatura: R$ 86,94.

Ao tentar corrigir o erro da Claro, a atendente me informou que o plano que constava no sistema era de R$ 19,90, e se eu quisesse trocar de plano precisaria esperar dois meses!

discussaoNão adianta discutir com as atendentes, especialmente as das empresas de telefonia. Elas devem passar por uma lavagem cerebral antes de assumirem seus cargos. Tudo que elas sabem fazer é ler um texto padrão que não fornecem resposta alguma para as milhares de perguntas que escutam diariamente; são mais automatizadas que as gravações e robôs, mais ignorantes que um poste e mais burras que uma samambaia de plástico.

Errar é humano. Persistir no erro é burrice.

Ficar satisfeito com as empresas de telefonia é um desafio quase impossível, principalmente depois que todas elas adquiriram o direito de oferecer, além de linhas telefônicas, pacotes de TV, celular e internet. Tudo foi classificado como comunicação, e quem tem um desses serviços pode oferecer os demais.

É o caso da NET.

Sou cliente da NET há muitos anos, desde a época em que vivia em São José dos Campos.

sorriaEm Bragança Paulista, o serviço é analógico. Em 2009, quando contratei um combo com pacote de TV, telefone e internet, tudo parecia bem, exceto a tecnologia usada. A NET daqui ainda não tem a qualidade de imagem HD, não é possível ver uma grade dinâmica da programação ou agendar um programa. E pior, os assinantes são obrigados a engolir filmes porcamente dublados. Além disso, cobra caro pelo que oferece. A única vantagem é a conexão com a internet, via cabo, porém, tivemos falta de estabilidade e baixa velocidade durante meses, sem que nenhum desconto nos fosse dado.

O esquema dessas empresas é o mesmo: se você cancelar um produto do combo, os outros se tornam muito mais caros, embora elas gastem menos para atender você.

Bem, eu não estava satisfeito com a NET no serviço de TV, queria assistir aos filmes com som original.

Há pessoas que não conseguem ver as imagens quando leem as legendas. Não tenho culpa se tenho mais que um neurônio e sou capaz de fazer isso, e também de ouvir ao mesmo tempo. Os filmes dublados têm o som da dublagem bem mais baixo que o som de fundo original; quando entra uma música, a voz é quase inaudível; e quando entram os comerciais, nossos tímpanos quase explodem. As vozes são incompatíveis com as personagens: galãs com vozes de meninos, meninas com vozes de velhinhas, velhinhas com vozes de débeis mentais e crianças que se tornam ridículas, já que são dubladas por adultos na maioria das vezes.

Eu só tinha duas opções: a Claro TV ou a SKY. Esta última cobra muito caro, então, optei pela Claro.

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A sedução da Claro

Recebi em dezembro um e-mail da Claro com a oferta de um pacote de TV digital com 125 canais por R$ 54,90 por mês. A primeira mensalidade só seria paga em fevereiro. Liguei para o número indicado e fiz todas as perguntas que me vieram à cabeça:

  • É mesmo digital?
  • Tem qualidade de som e imagem superior ao sistema analógico?
  • Posso escolher o idioma dos filmes?
  • Vocês vão me cobrar proporcionalmente pelo período decorrido até fevereiro?
  • Dá para aproveitar o cabeamento da NET sem que eu perca a conexão com a internet?
  • Um combo não me ofereceria mais vantagens?
  • Sou cliente do Claro fixo (telefone). Não posso assinar um combo?

mentirosaA moça me garantiu: “Sim, é digital, a qualidade de som e imagem é de cinema; o senhor pode escolher o idioma dos filmes, reservar programas, gravar programas, tudo por R$ 54,90 por mês e mais nada! O senhor só pagará a primeira fatura em 6 de fevereiro, e o valor será este mesmo, sem nenhum acréscimo e sem cobrança proporcional. Sua instalação da NET poderá ser aproveitada e não haverá dano ao sinal de internet. Quanto ao combo, não é possível contratar um aqui, e mesmo sendo cliente Claro fixo, o senhor já está tendo todas as vantagens que eu posso oferecer nesse pacote especial.

Mais uma vez, tive problemas com o agendamento. Ela me instruiu a ficar em casa na manhã do sábado, dia 21 de dezembro, pois o técnico viria fazer a instalação “para que eu pudesse aproveitar o pacote digital já no sábado à tarde”. Fiquei plantado feito um idiota, ninguém apareceu.

Quando telefonei para saber o que havia acontecido, a atendente me disse que só poderia marcar uma “nova” instalação para o dia 24, véspera de Natal.

É preciso conhecer as técnicas de Sherlock Holmes para alcançar as pessoas certas num momento como esse. Descobri a empresa que representa a Claro em Bragança Paulista e conversei com seu proprietário, que me garantiu o atendimento para o dia 23.

Chegada a segunda-feira, chegaram à minha casa dois jovens com camisetas vermelhas que portavam o logo da Claro: Eduardo, o técnico, e Daniel, o auxiliar. Embora dedicados e conhecedores de suas funções, posso afirmar que nenhum deles recebeu treinamento para se portar nas casas de clientes. Ambos eram extremamente “espaçosos” e se sentiram como se estivessem em suas próprias casas. Eduardo só pediu autorização para fumar.

Daniel instalou o aparelho, valorizando-o como o mais moderno do mercado. Era um aparelhinho pequeno, mais parecia um modem, mas ele garantiu que era digital.

Achei a imagem ruim, meio borrada, e perguntei: “Onde está o cabo HDMI?”

— Na ordem de serviço não consta cabo HDMI, senhor. – Respondeu Daniel.

— Bem, então, tenho que comprar um? – Perguntei.

— Não, esse aparelho não precisa de cabo HDMI. É um novo sistema, tem só uma saída.

Descobri que quem tinha uma só saída era eu. Naquela hora me dei conta de que havia comprado gato por lebre.

gato_por_lebreHaviam me vendido um pacote “digital”, porém, sem HD. Aquela conversa de que eu poderia gravar programas e assistir aos filmes com qualidade de cinema nada mais era do que papo de vendedor, uma tática de sedução. Além disso, dezenas de canais eram de música; no pacote não estavam incluídos o AXN e a Rede Globo. Eu só saberia disso dias depois, quando, por sugestão do próprio técnico, entrei em contato com a Claro e a ameacei com o cancelamento de meu contrato, depois de publicar uma queixa no site Reclame Aqui.

O pacote HD básico custaria R$ 99,90, e ainda assim não teria todos os canais que eu tinha na NET, que já não eram tantos…

Para encurtar a história, consegui degustação dos canais Telecine e HBO por 90 dias e um pacote um pouco melhor pelo mesmo preço, R$ 54,90 nos primeiros seis meses. Depois disso precisarei pagar R$ 79,90. E sem a Rede Globo. Mas, tudo bem, não assisto a Rede Globo mesmo…

No dia 11 entrarei em contato com a Claro para mudar meu plano de telefone. Tentarei negociar um combo. Afinal, está sendo anunciado na internet e na televisão que a Claro oferece um pacote de HD com mais de 90 canais por R$ 49,90 por mês, com a vantagem de poder fazer ligações DDD ilimitadas pelo telefone.

asnoÉ por isso que quando me olho no espelho, desfiro tapas em minha cara, chuto meu traseiro e me chamo de asno. É a única forma de me conter e não sair por aí procurando um diretor daquela empresa para fazer isso com ele.

Mas, fica aqui o aviso: se eu encontrar um diretor da Claro, da Vivo, da NET ou de qualquer outra empresa de telefonia, ele que trate de não se apresentar como tal, a menos que queira levar uma boa surra, pois é isto que merece quem trata seus clientes com tamanho desrespeito.

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