Um tesouro sob nossos pés

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tesouroSempre ouvi dizer que Santa Isabel era uma cidade turística. Essa convicção entre os isabelenses é tão forte que o ex-prefeito Hélio Buscarioli mandou construir em sua gestão três portais, um em cada acesso à área urbana deste município que ocupa a sexta posição entre os maiores da Grande São Paulo. A manutenção do Conselho Municipal de Turismo e a disputa pelo cargo de Secretário Municipal indicam que a dita vocação da cidade é essa mesmo. Porém, quando perguntamos quais são nossas atrações e o que estamos fazendo para nos desenvolver nesse segmento, não há respostas convincentes, ou sequer lógicas. Nem mesmo a disposição de alguns em lutar pela condição de “cidade com intenção turística” se mostra suficiente para que algum avanço aconteça nesse sentido.

A meu ver, a culpa – se ela existe – não pode ser atribuída à prefeitura ou à Secretaria de Turismo, e nem tampouco ao inexpressivo COMTUR ou à Associação Comercial. Se alguém é responsável pela estagnação, não há inocentes, todos nós somos culpados. Sim, cada um de nós que vive aqui ou frequenta esta cidade, porque, no fundo, estamos preocupados apenas com nossas vidas, não com o município. E a despeito daqueles que eventualmente só vêm para curtir alguns dias de paz e tranquilidade, os que residem aqui têm – se quiserem, de fato, uma cidade turística – a missão de transformá-la.

Falta de conscientização

velha_cidadePara atrair visitantes (a quem chamamos de “turistas”), é preciso fazer muitas coisas, mas a primeira delas é melhorar o aspecto da cidade e do que existe dentro dela. Podemos começar pelos prédios e casas, pelas praças e jardins, pelos estabelecimentos que recebem os visitantes. É preciso cuidar da infraestrutura, criar áreas de estacionamento, facilitar a locomoção. A cidade em si pode ser uma atração turística se for um local agradável.

lojinhaOs isabelenses trabalham hoje visando apenas ao consumo local, a maioria dos comerciantes não considera o potencial crescimento da cidade. Sempre foi assim. As ruas são estreitas, as calçadas mais ainda, e já enfrentamos engarrafamentos em determinados dias e horários porque o trânsito não flui.

Perdemos o único hotel da área central, transformamos nossa principal praça em palco de apresentações, mas raramente temos ali algum espetáculo, exceto a exposição de lixo. Não há sinais de progresso ou de civilidade. Todos esperam que o Poder Público dê conta de todos os problemas, que providencie a canalização dos cursos de água que cortam o município, mas não deixam de jogar ali mais um bocado de lixo e esgoto.

Como melhorar a cidade

Se nos perguntarmos o que há de errado na cidade, todos teremos o que responder. Todos. Certamente, cada um de nós enfatizará os problemas que nos afetam mais diretamente, cujas soluções dependem principalmente da prefeitura, como as áreas de Saúde, Segurança, Educação, Esportes e Transportes. Poucos se lembrarão do meio ambiente e da necessidade de reurbanização, fundamentais para conquistarmos a posição que almejamos. São raras as pessoas que têm alguma sugestão que seja ao menos viável estrutural e financeiramente.

maos-dadasA melhor receita, a que dói menos e mais fácil de ser seguida, é a união de todos em torno de um mesmo objetivo. A cidade precisa de um abraço, temos que nos juntar em torno dela, nos darmos as mãos para fazer o que é preciso, e sairemos todos satisfeitos com os benefícios que conquistaremos.

Podemos fazer isso começando pelo pedaço que ocupamos dentro dela.

Uma cidade agradável aos olhos

O que faz com que um lugar seja agradável? O primeiro impacto é sempre visual. “A primeira impressão é a que fica”, diz o ditado, e é verdade.

rua4Asseio, organização e planejamento são essenciais e podem ser tratados nesta ordem. Se burocratizarmos o processo, o planejamento será priorizado e os resultados demorarão a chegar. Cuidemos, pois, da limpeza em primeiro lugar, em todos os sentidos.

Temos que ser vigilantes, cuidar para que as pichações acabem e as construções possam ser acabadas (restauração, reboco e pintura). Devemos fiscalizar e denunciar quando houver flagrante de vandalismo de qualquer espécie, punindo imediatamente seus autores com trabalho comunitário obrigatório, com duração mínima de um ano. Os vândalos podem receber como pena a obrigatoriedade de participação em mutirões de recuperação que abrangeriam a restauração de praças e jardins, monumentos, placas de sinalização, construções públicas e particulares, coleta e seleção de lixo, limpeza de terrenos e córregos, repintura de guias e faixas de pedestres ou obstáculos, enfim, onde fosse necessária sua mão-de-obra. Se nada disso fosse preciso, deveriam se submeter a trabalhos assistenciais, em asilos, por exemplo. É preciso disciplina para conseguir o que queremos.

rocinhaNão é absurdo considerarmos parcerias com empresas particulares, em especial fabricantes, para obtenção de materiais a fim de melhorarmos as fachadas das casas, talvez concedendo descontos significativos, ou até doações em casos extremos. Podemos transformar a cidade num quadro encantador, com nuances de cores em seu relevo acidentado.

Um concurso de âmbito local poderia premiar alguns imóveis que se destacassem pelo capricho e criatividade, desde que a avaliação fosse feita pelo conjunto da obra, isto é, considerando também o verde das árvores, plantas e jardins que os compusessem.

Neste mundo nada se cria,
tudo se transforma.

(Lavoisier)

O fato é que não é preciso investir muito para se verificar essa transformação. A criatividade e o empenho individual são os fatores mais importantes. Jardineiras podem ser feitas com restos de madeira, mudas de plantas podem ser multiplicadas com facilidade; bastam vassouras para remover o lixo das ruas e enxadas para remover o mato das sarjetas.

Pensar que as dificuldades podem ser maiores no comércio é comodismo. Não são. Um pouco de organização e treinamento de pessoal podem fazer “milagres”. Caixas de som emitindo um barulho ensurdecedor e desagradável não vão atrair mais fregueses; cartazes e banners dançando ao vento idem; amontoados de caixas de sapatos para mostrar que todo o estoque está em liquidação talvez seja uma estratégia de sucesso para uma determinada classe, porém, seria ainda melhor se houvesse maior procura por qualidade e variedade.

Uma cidade turística não pode ter comerciantes que pensem pequeno. Se o povo notar que as lojas estão melhorando, terá mais vontade de divulgar isso, de convidar mais gente a vir à cidade. Se a cidade melhora, a autoestima da população também melhora, acordando o orgulho de viver aqui.

Tudo que precisamos fazer é cuidar do que temos. Cuidar é a ação de tratar de algo ou alguém; zelar ou tomar conta de algo ou alguém. Cuidar da cidade é zelar por algo que nos pertence, pelo que somos e mostramos aos outros. Tornar esta cidade agradável é função e missão de todos nós e de cada um de nós individualmente.

Viator Cupiditas, um vírus benéfico

É hora de provocarmos uma epidemia de otimismo e boa vontade, de contagiarmos nossos familiares, amigos, vizinhos, parentes, colegas e conhecidos com o vírus viator cupiditas (em Latim: aspiração turística), pois ele provocará a febre de construir uma cidade melhor, mais bonita, mais moderna, mais preparada para receber gente movida a curiosidade e disposta de vir deixar aqui um pouco de suas reservas financeiras. Em consequência, a economia se fortalecerá e todos cresceremos com ela.

Ou acabamos com o marasmo ou ele acaba conosco.

Estudo de caso: calçadão de Atibaia

calcadao-atibaia

Muitos já sugeriram que a nossa Avenida da República fosse transformada em calçadão no trecho entre as praças Fernando Lopes e da Bandeira. Outras propostas, menos ousadas, consideravam o trecho entre a rua Monte Serrat e a Praça da Bandeira. No entanto, temos problemas graves de trânsito e, principalmente, de estacionamento. Além disso, transformar aquela via num calçadão é um projeto que deve considerar também o abastecimento dos estabelecimentos ali existentes.

A solução encontrada para Atibaia foi criar um calçadão sem impedir o trânsito de veículos, oferecendo vias paralelas como alternativas. As calçadas foram refeitas, ganharam iluminação decorativa, plantas de pequena altura e pontos de descanso e socialização, com bancos de madeira e ferro, além de lixeiras. As fachadas das lojas foram reformuladas e o leito carroçável, de paralelepípedos, foi mantido, formando um conjunto harmônico e agradável.

Em Santa Isabel, a faixa de circulação de veículos é demasiadamente larga, o que dificulta as ultrapassagens. A faixa de estacionamento também é exagerada, podia ser reduzida, ou melhor, as vagas poderiam ser dispostas a 45 graus, o que aumentaria um pouco a capacidade, especialmente na Avenida Manoel Ferraz de Campos Salles. Na Avenida da República, o mesmo poderia ser feito ou, ainda, a permissão para que os carros estacionassem em ambos os lados. O impacto não seria tão grande, os carros continuariam a circular por ali em fila indiana, um atrás do outro, como é hoje. Isto permitiria a ampliação das calçadas e a criação de áreas de descanso e o plantio de árvores pequenas, em vasos e cachepôs, permitindo a formação de sombras e o controle de seu crescimento.

Com a reforma, a melhoria das fachadas seria um efeito natural.

Quebrando a resistência

Existem diversos sites que dirigem seu foco para Santa Isabel, a maioria absoluta se compõe de anúncios comerciais. Anúncios são, via de regra, quadrinhos reduzidos com informações básicas que poluem visualmente o conjunto por eles formado; geralmente têm tamanho padrão.

A visitação a esses sites é feita, geralmente, por habitantes da própria cidade, dando-lhes a função de lista telefônica. Com o devido respeito, não são sites atraentes, nem oferecem informação suficiente para provocar o desejo de alguém vir nos visitar.

Tentar sempre; desistir, jamais

guiadesantaisabel, guiasantaisabel, santaisabelonline, portalsantaisabel, santaisabelonline, sossantaisabel, santaisabeltem, santaisabel.net.br, santaisabelsp.blogspot.com.br… Estes são alguns dos domínios registrados por pessoas bem intencionadas e que jamais alcançaram seu intuito. O principal motivo: desinteresse dos anunciantes, devido à necessidade de pagar pelos anúncios ou de mantê-los. E, para nossa maior frustração, até mesmo quando as palavras mágicas são evidenciadas:

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Acreditem, os comerciantes não se interessam em participar nem quando um serviço lhes é oferecido sem ônus algum! Tudo que lhes é pedido é que enviem os textos, dados de contato e as fotos que gostariam de ver publicados. Alegam que “não têm tempo”.

viva_santa_isabelEmbora a proposta do site S.O.S. Santa Isabel, de autoria do CESADE, tenha sido bem recebida por todos que a conheceram, um único comerciante se mostrou capaz de fazer uma avaliação, alegando que o nome do site sugere necessidade de socorro, o que pode dar uma ideia negativa aos que o visitam, não motivando essas pessoas a consultarem as opções de compras, lazer e gastronomia. Detalhe: trata-se de um iniciante no comércio, mas, conhecedor de muitas cidades, inclusive do Exterior. Teria a mente mais aberta em função disso?

Aceitamos a crítica e decidimos isolar o “guia da cidade” num novo site, com formato mais adequado, sob o nome “Viva Santa Isabel“.

Podem “anunciar” (com uma página inteira e exclusiva) todos os estabelecimentos do comércio e prestação de serviços, e ali se destacarão as seguintes seções:

  • Onde comer
  • Delícias (doces, sorvetes, guloseimas)
  • Onde ficar
  • Eventos
  • Diversão
  • Locais (inclusive praças, jardins, parques, pontos turísticos)
  • Serviços
  • Cine/Teatro
  • Galerias
  • Ofertas especiais (qualquer estabelecimento)

Para tanto, os interessados deverão fornecer: imagem do logotipo – preferencialmente em alta resolução –, até 10 fotos (tamanho grande), nome do estabelecimento, endereço completo, números de telefone, endereço de e-mail, links para redes sociais, características do local, facilidades oferecidas, endereço de site particular (se houver).

novo_site_pg1Considerando a necessidade de reconstrução do site e o custo das ferramentas necessárias para isto, o CESADE sugere uma contribuição única (sem reincidência, válida para sempre) de R$ 36,00 (trinta e seis reais) de cada anunciante. Anúncios em todo o site serão tratados à parte. Caso o interessado prefira transferir a responsabilidade de coleta dos dados e obtenção de fotos ao CESADE, uma taxa adicional de R$ 84,00 (oitenta e quatro reais) será cobrada. Neste caso, a página será publicada em até 48 horas a partir da obtenção das fotos.

Se não nos mostrarmos, jamais seremos notados. Nada é impossível, desde que queiramos fazer o que é preciso.

VOCÊ PODE AJUDAR convidando comerciantes e prestadores de serviço a se juntarem a nós. A contribuição é simbólica, equivalente a dez centavos por dia durante um ano, e mais nada! Com isso vamos documentar tudo que existe e pode ser oferecido para aqueles que já conhecem e para os que terão vontade de vir conhecer Santa Isabel. Nós podemos surpreender a todos!

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