Quero que a Vivo morra!

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Voltar a viver em Santa Isabel não foi uma escolha, foi uma necessidade. Os motivos para não desejar isso eram muitos e bem conhecidos. Eu sabia o que teria que enfrentar e já havia recitado a lista de consequências várias vezes, mas não tinha saída. O mercado de trabalho havia secado desde antes da última Copa do Mundo, um desastre econômico para o Brasil, e eu não estava aguentando o custo de minha permanência em Bragança Paulista, principalmente depois de constatar que aquilo era apenas mais uma miragem. Tinha que pedir asilo a alguém e me sujeitar a alguns sacrifícios. Mas, depois de seis anos longe dali, pensei que poderia ser melhor que antes.

A vida em Bragança

Bragança Paulista ainda é uma cidade indefinida no que se refere à sua vocação. Não é industrial, nem turística, e, embora conte com uma universidade, também não é um polo de desenvolvimento. É apenas um ponto de passagem para o Circuito das Águas Paulista, uma cidade-dormitório que carrega a promessa de construir um shopping center há mais de uma década e onde vive um povo simpático em cujos hábitos incluem-se o sotaque caipira (bem puxado) e a gentileza dos motoristas que dão preferência aos pedestres em suas ruas e avenidas. No mais, não passa de uma cidadezinha de interior onde ainda se cumprimentam desconhecidos. Quem precisa de trabalho e não é um profissional liberal tem poucas opções; as mais encontradas são: recepção em escritórios e consultórios, corretagem de imóveis e atendimento em estabelecimentos comerciais.

A despeito de suas limitações, Bragança é uma cidade agradável, bastante visitada graças à fama de suas linguiças e, também, devido à Expoagro, que acontece todos os anos. A concentração de universitários ajuda a movimentar as ruas, bares e restaurantes, principalmente à noite, e são boas as opções. E ainda há o Lago do Taboão, que é artificial, atraindo os que gostam de caminhar, se divertir com a família e interagir com os demais. Enfim, há vida na cidade.

Embora não esteja entre as mais bem atendidas, Bragança Paulista não está refém da Vivo na área de telecomunicações. Há alternativas interessantes, como a NET e a Claro, que oferecem bons pacotes por preços aceitáveis, especialmente nos combos. Enquanto estive lá, experimentei ambas depois de me frustrar com a Vivo. Tinha uma linha telefônica da Claro e pagava R$ 39,88 por mês para falar livremente com qualquer parte do Brasil e usava a NET para me conectar à internet, com direito a um pacote de TV com 109 canais.

A velocidade de conexão contratada era de 10Mb. As medições quase sempre indicavam níveis acima deste número, raramente havia problemas e, se surgissem, bastava telefonar e logo era atendido. Não importava quantas vezes fosse necessário, sempre havia um técnico disponível, e chegava dentro da faixa de horário marcada.

bolsos-vaziosFui feliz ali, até ser atingido pela “crise”. Morava numa casa antiga, ampla, arejada, ensolarada e próxima de tudo que eu precisava. Encontrava minha irmã e sobrinhos com alguma frequência e em condições muito agradáveis, sem motivos para estresse; ao contrário, dávamo-nos muito bem.

Meu senhorio, bem, este é um caso raro: era um anjo caído do céu. Jamais encontrei e creio que jamais encontrarei alguém igual, tão cheio de bondade e compreensão. Insistiu para que eu continuasse morando numa de suas casas pelo tempo que fosse preciso, até conseguir sair do buraco. Ele não me cobraria por isto, queria me ajudar a me reerguer. Qualquer outro em meu lugar aceitaria a oferta de pronto, mas, não eu. Seria um abuso, eu não teria paz na consciência. Era hora de me despedir.

A velha Santa Isabel

Cheguei a Santa Isabel num domingo, Dia do Índio, perguntando a mim mesmo se encontraria ali alguém que se dispusesse a fazer o que fez o dono do caminhão que contratei. Trabalhar num domingo para não atrapalhar o trânsito nos dias úteis?!

Sozinho, coube-me organizar as coisas da melhor forma possível e planejar a montagem dos móveis. Muitas coisas ficaram na garagem, principalmente o que estava embalado.

A cidade sempre foi tranquila, foram raros os casos de assalto e os assassinatos – lembro-me de apenas dois casos em 13 anos – quando aconteciam, eram violentos. Mas, havia novidades. Soubemos, naquela semana, que entraram na casa de um vizinho, a primeira casa da rua. Levaram poucas coisas, beberam algumas cervejas e quebraram o espelho retrovisor da caminhonete que estava na garagem. O alarme disparou e os invasores – aparentemente dois – fugiram. Não havia ninguém na residência àquela hora, e era dia.

Meu ânimo começou a diminuir quando a vítima fui eu.

larapioCerca de dez dias após minha chegada, um gatuno escalou o muro usando o portão do vizinho como escada e ganhou a garagem pelo acesso interno. Ousado e imprudente, talvez ele não soubesse que meu vizinho é um investigador da Polícia Civil. O sujeito, que fez sua investida durante a noite, enquanto dormíamos, teve tempo para abrir todas as caixas e vasculhar todos os cantos, movendo móveis e tralhas que se amontoavam ali. Encontrou o que havia de mais valioso, uma serra circular profissional com disco de vídia, e a surrupiou, deixando duas furadeiras, peças e acessórios de computador, um aparelho de TV antigo e muitas outras ferramentas. Por descuido, deixou cair a guia da serra, e foi isso que me fez perceber o fruto do furto. Foi apenas a serra, e mais nada.

gatunoFoi tão fácil e proveitoso que o safado decidiu voltar três semanas depois, levando uma furadeira, uma parafusadeira elétrica, uma bicicleta (a mais nova das duas que ficavam ali) e a Makita (serra para pisos e azulejos) de um pedreiro que trabalhou em nossa casa.

Àquela altura eu já tinha motivos para me arrepender de ter voltado para Santa Isabel, mas, como bem disse um amigo, a cidade não é ruim. O que estraga é o povo que vive nela.

A frase vale para todas as cidades, nenhuma delas é ruim, mas o povinho…

A cidade havia mudado, sim, para pior. Todos continuam se queixando do marasmo, da falta de realizações da prefeitura, da falta de empregos, de progresso, de oportunidades, dos muros pichados e do aspecto que a cidade tem. Em alguns bairros, parece uma favela, como sempre foi.

Entre os grandes problemas de Santa Isabel há um que parece não ter solução: o péssimo serviço da Vivo.

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Aprovado hoje (29/10/2013) na Comissão de Infraestrutura da Assembleia, o requerimento de autoria do deputado Alencar (PT) convoca os representantes das empresas de telefonia que prestam serviços no Estado de São Paulo – Vivo, Oi, Tim e Claro – para esclarecerem as causas do grande volume de reclamações por parte dos consumidores sobre os maus serviços prestados.

“As empresas de telefonia são recordistas de reclamações entre as queixas de consumidores. Isso é um descaso com o usuário que paga caro pelo serviço e sofre com a má qualidade. É inadmissível, por exemplo, tantas interrupções durante uma chamada ou a falta de sinal quando mais precisamos”, disse o deputado Alencar.

A verdade sobre a Vivo

jogadaDe fato, a falta de sinal nos aparelhos celulares já foi um dos grandes problemas dos paulistas, mas não chega perto do que sofremos com a conexão em banda larga. Primeiro porque não é larga, é estreitíssima, super limitada, extremamente lenta e instável; segundo, porque, diferentemente do que prega o site da Vivo, não temos direito a planos de maior velocidade – “por falta de condições técnicas” – e não podemos sequer sonhar com a conexão por fibra ótica, uma vez que os cabos telefônicos desta cidade datam do tempo da Companhia Telefônica Borda do Campo (CTBC), segundo informou um dos engenheiros dispensados pela empresa, “porque a Vivo não tem interesse em investir aqui”.

De acordo com o engenheiro, as placas que ficam nos “armários” da Vivo são antigas e costumam funcionar mal. Quando isso acontece, são substituídas por placas melhores que estão em armários de outros bairros. O problema apenas muda de lugar, mas não é resolvido porque as placas são caras.

Régis é empresário, trabalha com computadores e tem um plano de 10Mb de velocidade, mas diz que recebe menos de quatro. “Deixo meu filho usar o computador para jogar durante a manhã e só posso trabalhar à tarde. Não dá para manter dois computadores conectados à internet ao mesmo tempo” – informou.

O plano que temos aqui é de 1Mb. Não conseguimos nada melhor, ainda que imploremos de joelhos. As reclamações feitas à Anatel não surtem efeito, a Vivo já está escolada nisso e dá “um jeitinho” de escapar das punições. Acontece que nem os 40% da velocidade nominal nos são dados, como manda a lei. As medições apresentam resultados medíocres. Veja a diferença nos gráficos abaixo:

graficos

Nos últimos dias, ligamos mais de dez vezes para a Vivo. Cada ligação é um teste insano de paciência, ouvindo gravações desinteressantes. Houve uma vez que o tempo de espera passou de quinze minutos! Registramos todos os protocolos, suas datas e horários e nomes dos atendentes. A confusão é geral.

Alegam que nossa linha é comercial (e não é), que não há registro em nome deste assinante, que o problema é na fiação interna, que não há nenhum registro de reclamação no sistema… Não importa, ninguém ali precisa saber o que está fazendo, basta dar uma ensaboada no usuário e dispensá-lo. É para isso que são pagas aquelas crianças que ficam no atendimento.

Outro dia, um dos representantes conduziu a ligação até o fechamento do pedido de mudança de plano. Informou o preço que passaria a ser pago e disse que dentro de 72 horas a velocidade da internet seria de 10Mb. Dois dias depois, outro representante afirmou que a mudança estava marcada para o dia seguinte e que teríamos que esperar no máximo 24 horas. No dia seguinte uma moça nos disse que não havia nenhum pedido de mudança de plano registrado no sistema! “O problema pode ser no modem” – disse ela. – “Vou solicitar um novo modem para você, deve chegar em um ou dois dias” – completou. Isso aconteceu há uma semana, e nem sinal do modem. Aliás, nem sinal da internet no modem atual, pois a conexão está sempre caindo.

O nível dos atendentes é deprimente, pelo menos em 98% dos casos. Há inclusive uns mais grosseiros que simplesmente desligam na cara da gente sem a menor cerimônia. Ninguém ficará sabendo mesmo…

O que fazer?

Só há uma maneira de sensibilizar a Anatel e forçar uma providência definitiva: uma ação conjunta contra a Vivo.

Já que junho é mês de fogueira, vamos botar fabaixoassinadoogo na lenha. Estou começando aqui e agora um movimento de repulsa à Vivo/Telefônica, convidando todos os assinantes desta cidade a se juntarem numa ação coletiva contra aquela(s) empresa(s), reivindicando indenizações pelos danos morais e financeiros que nos são causados pela indisponibilidade de conexão com a internet, hoje considerado um serviço essencial à população, pois afeta não apenas os usuários domésticos, mas também às empresas, cartórios, bancos, órgãos públicos, hospitais, enfim, toda a sociedade.

A Vivo não pode continuar impune. Temos que exigir nossos direitos.

Aqueles que se sentem prejudicados pelos maus serviços prestados pela Vivo podem entrar em contato comigo para que levemos adiante este movimento. É só enviar os dados de contato e aguardar meu retorno. Juntos podemos mais!