Péumpoquinho!

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dama_copas

 

Desde as eleições que colocaram essa simpática senhora no poder, este blog não publicou uma palavra sequer contra seus pensamentos, declarações ou comportamento. Achávamos que o tempo cuidaria disso. E não é que acertamos?! Hoje, depois de ler (sem vontade) o que têm publicado outros canais, confesso: eu engulo, mas tenho que vomitar!

O poder tem uma força incrível sobre as pessoas. Primeiro ele as seduz, provoca, age como a serpente do Paraíso tentando suas vítimas a prová-lo, e as torna obcecadas, capazes de vender a alma ao diabo para tê-lo, ainda que por apenas algum tempo. Depois, ele as possui, toma conta de seus corpos, entorpece e domina suas mentes, fundindo-as para se manifestar como um ser absoluto, com direito de fazer o que bem quiser.

Tudo bem, isso dá impressão de que estou querendo filosofar. Porém, apesar de ter evitado ao máximo os noticiários, os jornais e revistas que falam sobre política, não houve como escapar. A notícia me chegou por e-mail, citando a postagem assinada por Reinaldo Azevedo em seu blog, hoje, dia 1º de março. Esta postagem utiliza parte do que foi publicado lá.

“Dilma e Amorim mandam punir 150 militares da reserva. Seria um belo exemplo de “amor à disciplina” se punição não fosse ilegal. Militares devem cumprir a Lei; a presidente e o ministro também. Ou: Uma péssima antecipação da ‘Comissão da Verdade'”

Esclarecendo:

A Lei nº 7.524, de 17 de julho de 1986, promulgada pelo então presidente José Sarney e ainda em vigor, dispõe sobre a manifestação, por militar inativo, de pensamento e opinião políticos ou filosóficos, assegurando:

“Art 1º Respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público.”

Apesar disso, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Defesa, Celso Amorim, determinaram que os comandantes das Três Forças Armadas — Exército, Marinha e Aeronáutica — punam os até agora 150 militares da reserva que assinaram um documento que reafirma os termos de um manifesto redigido no dia 16 do mês passado pelos três clubes militares.

A decisão, embora seja atribuída a Dilma Roussef, certamente veio do poder que tomou conta de sua mente (constatação da minha tese). Dominada pelo poder, Dilma demonstra que não aceita qualquer reprovação de suas escolhas e atitudes, ou, ainda, de suas consequências, já que os reservistas criticavam opiniões expressas pelas ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Mulheres) e cobraram coerência de Dilma, lembrando um discurso seu no dia em que foi eleita.

Mas o que haviam dito aquelas notáveis patriotas? Contrariando decisão do STF, que reiterou a validade da Lei da Anistia, Rosário havia afirmado que a Comissão da Verdade pode criar condições para que algumas pessoas sejam processadas criminalmente. E, em seu discurso de posse, Eleonora fez críticas ao regime militar e referiu-se a seu próprio passado comunista como período de luta pela democracia.

Os enganos são esclarecidos por Reinaldo Azevedo, por isso não preciso repeti-los aqui. O que acho mais importante é essa “viagem na maionese” à qual se permitem os que recebem algum poder.

Quer dizer que é proibido ter pensamentos contrários aos da presidente (ou presidenta, ou presidANTA – como tem sido chamada por alguns)? Quem não a aplaudir deverá ser punido? Isso tem cheiro de ditadura, muito pior que aquela que vivenciamos a partir de 1964.

É preciso estar atento e forte

Como dizia uma ruivinha que conheci, “péumpoquinho” aí, dona Dilma! Tá na hora de controlar a soberba, cair na real e se dar conta de que vamos todos acabar do mesmo jeito, transformados em cinza (privilégio dos mais ricos) ou debaixo de sete palmos de terra. Tudo que somos é passageiro. São somos, estamos. E se existe gente que não ama nem Jesus Cristo, por que é que a Humanidade inteira há de amá-la? Só porque a senhora se veste de vermelho?

Vamos retroceder a fita: durante a sua campanha, muita gente perguntou “cadê o primeiro-damo?” (sic). Bem, se não há um ao seu lado, não sou eu quem terá que aguentar sua ira, seu revanchismo, seu mau humor ou sua frustração de não ser um expoente de beleza e simpatia. Não a conheço pessoalmente, minha opinião a seu respeito baseia-se no que vejo, ouço e leio por aí. E isso é suficiente para que eu não aprecie sua imagem, suas ideias e até mesmo sua voz, para não falar de sua petulância. Toda aquela história sobre sua prisão, repetida inúmeras vezes, não me sensibiliza, até porque aquele papo sobre “torturas terríveis” já foi desmentido. E não podemos esquecer o outro lado da história também, afinal, a senhora não foi nenhum anjo de candura. Desde cedo mostrou que gosta, sim, de violência, de armas, de terrorismo.

Não sou militar, mas, francamente, querer calar a boca de quem se levanta para criticar suas escolhas e decisões não é um direito que lhe cabe. Ainda que a senhora fosse dona do Brasil – e não é –, não poderia requerer a propriedade de seus habitantes e de suas opiniões. Poderia, no máximo, expulsar de sua casa quem a ofendesse, e ainda assim não conseguiria mudar o que sentem. Que papo é esse de “eu quero que vocês punam Fulano e Beltrano porque falaram mal de minhas amigas”?

Saiba a senhora que, inteligentemente, somente os militares reformados se manifestaram. Se os ativos também assinassem o documento, a senhora se surpreenderia com o índice de rejeição que já conseguiu alcançar.

Mas, calma, ainda dá tempo de mudar isso! Há muitas coisas erradas que podem ser corrigidas e são mais importantes que a opinião desses militares. E é fácil descobrir quais são, basta a senhora descer de seu pedestal de mega-blaster-deusa-da-razão, vir até o mundo real e experimentar o lugar de qualquer brasileiro comum durante um mês. Venha, despoje-se desse falso poder, do dinheiro que ganhou sem fazer força como membro do Conselho da Petrobrás, da segurança que a cerca, dos médicos que a atendem no primeiro estalar de dedos e sinta na pele o que vivemos aqui embaixo. Depois, diga se dá para nos mandar calar a boca.

Aviso

Olha aí, gente! Fica todo mundo avisado que, se acontecer alguma coisa comigo, mesmo que digam que eu tropecei e bati a cabeça num poste, vocês já sabem o que de fato aconteceu. Provoquei a ira da dona Dilma, e, se ela continuar sem controle sobre o manda fazer, eu posso ser o próximo a calar a boca contra a vontade.

Se vocês querem saber como o poder afeta as pessoas, deem a um homem muito dinheiro e a uma mulher, um motivo para se vingar.