Abobrinhas

0
658

Você tem tido náuseas? Dores de cabeça? Notou que não consegue mais fazer contas simples como somar 2 + 2 ou lembrar do seu verdadeiro nome? Cuidado, você pode ser mais uma vítima de embotamento precoce do cérebro, fenômeno causado pela leitura diária das pérolas publicadas no “Feicibuqui”.

Qualquer pessoa de inteligência mediana consegue extrair um retrato do Brasil lendo o que é publicado sem nenhum constrangimento na rede social mais popular do mundo, o Facebook.

Apoiadas no direito à liberdade de expressão, as pessoas estão perdendo o senso do ridículo. Além de se mostrarem incapazes de escrever corretamente, depositam, sem noção do que estão fazendo, nas páginas eletrônicas de todos os sites de relacionamento “conteúdos sem nenhum conteúdo”, para usar a forma como preferem dizer… nada.

Há gente cronologicamente madura agindo e escrevendo como uma criança de quatro anos; universitários que se dão ao trabalho de buscar o que há de pior na internet e usar isso como bandeira de comportamento ou ideologia; velhos tentando se passar por jovens; piadinhas sem graça nenhuma… Enfim, aquilo é a porta do inferno. Onde você aproveita pouco e corre o risco de se queimar, inclusive por se expor em demasia e ficar vulnerável às mais diversas sacanagens.

E as menininhas?! É como dizia Juca Chaves em seus bons tempos: ali “é onde os menininhos maus das famílias boas se encontram com as menininhas boas das famílias más”. E como tem disso!

As menininhas – que têm suas cabecinhas cheias… de vento – adoram se fotografar em poses provocantes para chamar a atenção de qualquer jeito. E se acham as donas da cocada preta, adoram ter zilhões de fãs, e para conseguirem isso, quanto menos roupa melhor. Há também as “modelos”, as saradonas, as siliconadas, as “cachorras”, as misses da laje e mais uma penca de “estrelas” que postam suas galerias de fotos feitas diante do espelho. Se acham tão lindas que sentem desejo de se possuir.

Aí está um exemplo para que não digam que estou exagerando.

Mas, para que ninguém fique com a impressão de que sou “O chato”, tenho que admitir que há quem se interesse pelas redes sociais com propósitos mais sérios, como angariar o maior número possível de “amigos” para usá-los como cabos eleitorais nas próximas eleições, ou, no caso nos comerciantes, para vender mais seus produtos e serviços.

Esses caras surgem do nada, entram no seu perfil sem pedir licença e pedem para ser aceitos como seu “AMIGO”. Isso acontece tanto no “feicibuqui” – como dizem os tupiniquins – quanto no Twitter. Eles não têm a menor ideia de quem é você, mas o querem lá em suas listas de seguidores, contatos, conhecidos, tanto faz. Seu desejo é que as pessoas que visitam seu perfil vejam as caras deles e se perguntem: “Mas, quem é esse, afinal?”

Eis aí um exemplo de bom uso do “Face”: um vereador de Bragança Paulista, que ganha um salarinho mais ou menos para ir de vez em quando à Câmara, brincando com o Facebook “durante a primeira sessão do ano (…) por mais de uma hora” num dia que os eleitores passaram o tempo trabalhando para ganhar seu suado dinheirinho a fim de pagar os impostos municipais que sustentam o dito cujo. Não é o máximo? É uma beleeeeza! Enquanto isso a cidade pede pelo amor de Deus para que seja feita alguma coisa que justifique o mandato desses caras. E do prefeito – que é chegado no Facebook – também.

Bem, seria impossível relacionar todos os tipos de esquisitices, frescuras e bobagens que essa gente tem coragem de assinar e outras pessoas têm a coragem de ler. Como já foi dito em outra postagem, um sétimo da população do planeta está lá no Facebook, inclusive eu. Mas, deixo para escrever meus pensamentos aqui, onde lê quem quer; quem não quer nem se lembra que eu existo. Não é aquela coisa que aparece na sua página porque o sujeito é amigo do amigo do amigo do seu amigo.

Ok, devo estar meio estressado, pois me irrito com aquelas balzaquianas expressando seu riso com um “hihihihihihi”. Haja saco pra aguentar isso e os “ai, toitadinho dele…”, “qué bincá cumigo, qué?” Vão procurar o que fazer!

E as fotos?! O que é aquilo? Tem gente que parece usar uma máscara, tá sempre com a mesma cara em todas as fotos: cabeça inclinada (geralmente para o lado esquerdo) e aquele sorrisinho falso, morrendo de vontade de ser chamada para ser capa de revista. Devem ter dificuldade para dormir, pensando no que vão bostar, digo, postar no Facebook na manhã seguinte.

E acham que têm cérebro!

Sou tabagista. Reconheço que deveria parar de fumar, pois isso faz mal à minha saúde. Para que não faça mal aos outros, procuro não fumar quando estou em companhia de não fumantes. Pode não ser a melhor atitude, mas, convenhamos, ainda é um sinal de respeito.

Nos maços de cigarro há fotos para nos impressionar com gente morta, gente sem pernas, pés apodrecidos, etc.

Pois, dona Dilma deveria aproveitar sua disposição de criar novos ministérios e colocar lá em Brasília o Ministério da Internet (acho que é só o que está faltando, não?). Aproveitando a ideia da campanha contra o fumo, poderia criar uma outra contra o consumo de abobrinhas. Aí vai a minha sugestão:

Enquanto isso, Mark Zuckerberg, o CEO do Facebook, cada dia mais rico de tanto ajudar na produção dessas abobrinhas, se diverte com os 11,5 milhões de assinantes que recebem suas atualizações de perfil a toda hora. Fazendo o que? Escrevendo abobrinhas.