500 anos jogados no lixo

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Juscelino Kubitschek, o Presidente responsável pela criação de Brasília, cujo mandato cumpriu-se de 1956 a 1961, tinha um plano de ação que levava o nome “Cinquenta anos em cinco” e tinha por objetivo trazer ao Brasil o desenvolvimento econômico e social. O planejamento arquitetônico do então futuro Distrito Federal foi entregue ao ousado Arquiteto Oscar Niemeyer, o qual esmerou-se em desenhar um projeto futurístico, contando com espaço de sobra no meio do país, distante dos maiores centros urbanos. Sem dúvida, sua maior realização. Todavia, Niemeyer, que faleceu 5 dias antes de completar 105 anos de idade, manifestou em várias ocasiões vez seu desgosto por ver Brasília ocupada por uma classe política que nos enoja.

A quantidade – hoje 35 – e os diferentes nomes dados aos partidos políticos não caracterizam posturas diferenciadas. Com exceção de pouquíssimos de seus representantes, todos eles compõem o que podemos chamar de Partido Nacional dos Políticos Corruptos, atribuindo-lhe a sigla PNPC, que, aliás, é também aplicada para identificar o Programa Nacional de Proteção do Conhecimento Sensível (PNPC), da ABIN – Agência Brasileira de Inteligência – um instrumento preventivo para a proteção e a salvaguarda de conhecimentos sensíveis de interesse da sociedade e do Estado brasileiro. O programa foi instituído com a finalidade de exercer sua atribuição institucional de proteger as informações e conhecimentos sensíveis do país.

Há que se reconhecer que existe uma certa semelhança entre o programa da ABIN e a postura do Congresso Nacional, composto pelo Senado Federal e Câmara dos Deputados, cujos membros têm se empenhado em proteger e salvaguardar informações sensíveis de interesse da sociedade brasileira, entretanto, com um propósito bem específico, de autoproteção, já que, se reveladas ou descobertas, poderiam provocar uma revolta jamais vista. Afinal, há mais escândalos escondidos entre eles do que pode imaginar nossa parca capacidade de mirabolar crimes de lesa-pátria. Em palavras mais claras, não é improvável que as riquezas pessoais dos políticos alcancem somas superiores à riqueza gerada por todo povo brasileiro, roubado e lesado de todas as formas por aqueles.

O Ego Político

É preciso ressaltar, antes de tudo, que nem todos os políticos são bandidos. Mas, convenhamos, não é por causa de meia dúzia que nos referiremos àquela massa como pessoas honradas. Abraham Lincoln já dizia: “Quase todos os homens podem enfrentar a adversidade, mas se queres por à prova o caráter de um homem, dê a ele poder“.

Todavia, o fato é que ninguém deu aos políticos brasileiros o poder do qual se revestem atualmente, a ponto de criar e modificar leis para se autobeneficiarem ou a liberdade para conceder aumentos absurdos de salário para si mesmos.

Os ocupantes de cargos eletivos ou de confiança são feitos de carne e osso, não possuem superpoderes, nem são imortais; urinam, vomitam e defecam como todos e deixarão tudo que amealham neste mundo, quando morrerem. E vão morrer, um dia. Mas, enquanto isso não acontece, decidiram formar uma espécie de clube particular, de participação restrita aos que ocupam posições mais elevadas nos Três Poderes da República: o Executivo (Presidente e Ministros), o Legislativo (Deputados e Senadores) e o Judiciário (Juízes e Ministros dos Tribunais da mais elevada instância), onde em vez de serem chamados de “sócios”, consideram-se deuses.

Como nesses cenários os atores são ao mesmo tempo autores do roteiro e platéia, tudo é feito conforme sua vontade. Assim, foi criado um reino independente dentro do país. É até impróprio considerar que formem o PNPC. O correto seria definir esse grupo como MP – que nada tem a ver com Ministério Público, e sim com Máfia de Políticos. – Aliás, a alusão à política é um mero disfarce e poderia ser dispensada se tivessem a coragem de assumir o que são.

As máfias mais temidas no mundo são a jamaicana (Yardes), a albanesa, a sérvia, a israelita, a mexicana, a japonesa (Yakuza), a chinesa, a colombiana, a siciliana e a russa, aqui relacionadas em ordem inversa à sua importância. Nossa máfia não aparece entre as dez primeiras colocadas talvez por ser a menos violenta, já que quase não se vale de armas mortais, porém, é uma das que causa maior dano ao país, detonando sua economia.

Rodrigo Maia

A máfia brasileira apossou-se do poder absoluto outorgando a seus capos (cabeças, em italiano), às vezes por decisão própria, o poder de tomar qualquer decisão, independentemente da existência de leis que a proíbam, ainda que seja a Lei Maior, a nossa Constituição. O parágrafo inicial do artigo 1º da CF de 1988, portanto, considerado o mais importante de todos, foi o primeiro a ser jogado na latrina, como fez questão de mostrar o atual presidente da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia, que afirmou, depois de distorcer totalmente a proposta popular das 10 medidas contra a corrupção: “o nosso plenário tem independência para votar todas as matérias, pra aprovar qualquer texto e pra rejeitar qualquer texto. E ninguém pode se sentir ofendido ou prejudicado por essa decisão que é soberana da Câmara dos Deputados e depois do Senado Federal.”

Platão se reviraria no túmulo se soubesse que quem comete uma injustiça no Brasil definitivamente não é mais infeliz que o injustiçado, como afirmou o filósofo séculos atrás. O Brasil é a terra do vale-tudo, o centro mundial da esbórnia, onde o povo se diverte com carnaval, futebol e cerveja e paga tudo dezenas de vezes mais caro que em outras partes do mundo, apesar de ter um salário mínimo que não chega a 300 dólares, equivalente a menos de um quarto do salário pago a um estrangeiro não qualificado nos Estados Unidos. Aqui, se um bandido é preso por ter se apossado de uma fortuna que pertencia ao país, ou se é uma figura conhecida que mandou matar os pais ou a namorada, há garantia de soltura com menos de um terço da pena cumprido. Os membros do clube da corrupção trocam ameaças, afirmando que arrastarão todos os outros com eles, mas se calam de repente sem que conheçamos seus motivos. Não há penas irreversíveis, como a de morte ou amputação de um membro, e crimes considerados leves (pelos juízes) são compensados com prestação de serviços comunitários. No Brasil, o sujeito que foi nomeado para um cargo que deveria exigir comprometimento com o país se acha no direito de se colocar acima de toda a população e tomar medidas que nos deixam de cabelo em pé, sem o menor temor de ser punido, pois é protegido por foro privilegiado ou imunidade parlamentar; esfrega sua identidade na cara de um policial e pergunta se ele sabe com quem está falando. E alega: “Eu sou uma autoridade, uma figura pública!“.

Os membros do clube não temem por suas vidas porque cuidaram de desarmar os que poderiam reagir mais drasticamente contra eles; tiraram daqueles todo o dinheiro que lhes permitiria deixar o país e viver onde há mais decência e respeito. Celebram suas vitórias às gargalhadas durante os banquetes promovidos com o fruto de suas maracutaias, o nosso dinheiro, e, cercados de brutamontes fortemente armados, têm a proteção de todas as forças uniformizadas, totalmente submissas.

Ainda que decidíssemos fechar os olhos para os desfalques e desvios de dinheiro que nos são mostrados diariamente pela mídia, não há como aceitar como “natural” a crueldade com que eles nos tratam, querendo roubar inclusive a dignidade das pessoas que trabalharam durante uma vida inteira e hoje, quando conseguem se aposentar, passam a receber um mísero salário de R$ 937,00 enquanto eles se aposentam com trinta, cinquenta, cem, duzentos, trezentos mil reais por mês depois de “trabalharem” (ou seria atrapalharem?) apenas oito anos! É justo para você que um governador ou senador se aposente com salário integral e tenha garantia de seus benefícios para o resto da vida, depois de dois anos de mandato!? Que eles decidam quanto querem ganhar, não paguem imposto de renda e não apliquem nenhuma correção sobre a tabela desse imposto, fazendo com que cada vez mais trabalhadores de baixa renda os sustente?

O clube dos corruptos arranca sua pele, fura seus olhos, come seu fígado, deixa que você morra no chão de um hospital por falta de médicos e medicamentos, faz com que você faça dívidas que não se acabam e apenas aumentam porque você precisa de remédios caríssimos. E os laboratórios fazem parte desse clube, por isso não se importam que o governo cobre impostos de até 80% sobre os preços que você paga. E o que você faz? Se distrai vendo seu time jogar? Desliga seu cérebro com uma garrafa de cerveja? Compensa sua vida desgraçada ao ver uma mulher com os seios nus, coberta de pedrinhas brilhantes e um monte de penas na cabeça, se sacudindo com o batuque de tambores durante quatro dias de folia? Ou será que é daqueles que, achando-se o mais esperto, frequenta os forrós e bailes funk em todos os fins de semana e acredita que isso é felicidade?

Lobotomia psicológica

Aplicando o decálogo de Lênin, o bloco do PT, regido por Lula, dividiu os brasileiros fingindo apoiar as classes “menos favorecidas”, incitando-as contra outras classes que, muitas vezes sem culpa alguma, não pertenciam àquelas. Passamos a ser julgados por nossas condições sócio-econômicas, pelas preferências sexuais, pela cor de nossas peles. Se você não é negro, é racista; se não é favorável à filosofia daquele partido, é fascista; se não é homossexual, é homofóbico; se não faz parte das pseudo-minorias, é inimigo. Fomos transformados em “coxinhas” e “mortadelas” e servidos em bandeja de plástico a quem botou fogo no circo e esperava nos ver ardendo nas chamas; uma mera distração para que não déssemos atenção aos saques feitos em nossos bolsos. Valorizando a ignorância – por ser um ignorante e filho de uma mulher analfabeta, mas, suficientemente inteligente para chegar ao maior cargo de um país –, Lula criou o sonho de que qualquer um poderia realizar a mesma proeza sem precisar se submeter ao “sacrifício” de estudar; deu o exemplo de que, basta cortar um dedo mínimo da mão esquerda para nunca mais precisar trabalhar na vida. Com essa “escola”, estimulou a criação de milhares de novos sindicatos (mais de 250 por ano) cheios de apetite para, apoiados por uma lei esdrúxula criada pelo clube dos corruptos, tirarem dos trabalhadores uma contribuição compulsória de no mínimo um dia de seus salários por ano, fora a ajuda que recebem do governo. Hoje são mais de 15 mil sindicatos mamando em tetas alheias, colocando o Brasil como campeão mundial nessa “modalidade” de roubo. E ninguém liga. Mas, para tomar conta da vida dos outros num reality show, todos têm tempo e disposição.

O povo brasileiro foi acuado e se acovardou, enfiou as panelas no lugar sugerido pela mulher de Lula, aquela que tentou, por meio de plásticas pagas com cartão corporativo, se tornar a imagem e semelhança de Marta Suplicy; cansou de fazer barulho sem sucesso (até porque bater em panelas não tem efeito algum senão o de amassar as panelas) e ver que a máfia de Brasília divertia-se com o fracasso dos revoltados. Assim, engolimos muito mais do que os R$ 0,20 das passagens de ônibus.

O povo brasileiro é tão facilmente manipulado que basta um gesto de ousadia para que alguém se torne o melhor candidato à Presidência da República. Tiririca teria conquistado a vitória se fosse um deles, pois tem o perfil no qual se espelha boa parte da população; veio do nada e foi parar na televisão cantando “Florentina”; brincou com a nossa tolerância quando disse que não sabia o que faz um deputado, mas nos contaria se fosse eleito. E foi. Não por uma manifestação de revolta dos eleitores, e sim por ignorância daqueles que não gostam de política porque acham esse assunto “chato”, assim como são “chatas”, para os mesmos, todas as matérias escolares.

É esse povo que vive deitado eternamente – e não em berço esplêndido – que não consegue sequer compreender o que diz a letra do Hino Nacional, que escreve e fala errado e acha isso normal. Afinal, se um presidente diz “pa nóis fazê“, por que não imitá-lo?

Aí surgiu a Lava Jato, a maior investigação sobre corrupção de todos os tempos. Imediatamente fizeram do Juiz Sérgio Moro o novo herói nacional, deixando de lado o ex-ministro Joaquim Barbosa, ídolo por algum tempo graças à sua postura como presidente do STF. Excelente oportunidade para as aves de rapina, como Marina Silva, que já esteve à sombra de vários políticos e partidos. Correm rumores de que ela voltará candidata em 2018 tendo ao seu lado Joaquim Barbosa como seu vice. Este, porém, alega que não tem interesse na proposta. Pelo menos por enquanto.

Políticos usam diferentes máscaras de acordo com a ocasião, mas nenhuma delas mostra suas verdadeiras faces, e muito menos suas intenções. Via de regra, quem se candidata o faz para arrumar sua própria vida, não para lutar pelo povo brasileiro. E o que conseguem nunca é suficiente. Babam feito cachorros enlouquecidos, procurando uma brecha para aumentarem a arrecadação… em seus bolsos. Um privilégio para poucos, especialmente para os que concordam em devolver, por baixo dos panos, parte dos salários que recebem em seus cargos de confiança. A prática é tão comum, que já estão defendendo a tese de legalidade do caixa 2 e considerando “aceitável” a propina em determinadas circunstâncias.

Milhão é uma unidade que perdeu a importância. A moda agora é roubar bilhões, trilhões…

Manobras terroristas

A bola da vez é a Previdência Social. O governo ameaça cortar vários direitos dos cidadãos caso a reforma da Previdência não seja aprovada, alega que não há dinheiro suficiente para pagar todos os benefícios e que a cada ano essa situação se agrava muito. MENTIRA. Segundo os especialistas, há dinheiro sobrando, mas não o suficiente para atender à ganância dos políticos.

As ameaças do governo não passam de pressão para que os trabalhadores concordem com a mudança que beneficiará somente os que têm acesso ao dinheiro da Previdência.

Se todos os brasileiros que trabalham se unissem às empresas e propusessem o fim da Previdência, isso enlouqueceria a classe política. Funcionaria assim: empresas e empregados continuariam depositando suas contribuições em cadernetas de poupança (o pior investimento que existe) e fariam um seguro para cobrir os casos de aposentadoria prematura e afastamentos por doença ou invalidez, deixando de repassar esse dinheiro para o governo. Isso proporcionaria a todos uma condição melhor que a oferecida atualmente pela Previdência, o que, certamente, não será permitido.

Por que os políticos não cedem?

A Matemática não mente. Se os políticos não tivessem tantas vantagens, o Produto Interno Bruto seria suficiente para transformarmos o Brasil. A tabela ao lado está bem defasada, mas já nos deixa ver que à época em que foi montada (2014) o país dispendia R$ 89.389.177,74 por ano apenas com deputados e senadores, sem contar a reposição de despesas mediante a apresentação de notas fiscais (sempre com valores adulterados) e verbas especiais.

Não contentes com essa “miséria”, os membros do clube aprovaram em 2016 o Orçamento Geral da União de 2015 “inflado”. Com isso a verba para o Fundo Partidário prevista no Orçamento da União foi triplicada, passando de R$ 289,56 milhões para R$ 867,56 milhões.

É fácil lidar com dinheiro alheio quando não é necessário devolvê-lo. Entretanto, se você fizer isso, será preso, pois usar dinheiro dos outros sem a permissão dos donos e não devolvê-lo caracteriza crime de apropriação indébita, ou em Português coloquial, roubo. Porém, examinando as fichas corridas e contas em bancos estrangeiros dos políticos em posição de comando você compreende a sua situação e aceita ser chamado de idiota.

Sei que estou correndo um grande risco dizendo isso. Alguns “caciques” têm tentado coibir toda e qualquer publicação que os coloque em foco negativamente. O Renan Encalheiro, por exemplo, quer punir os usuários das redes sociais por postarem conteúdo “ofensivo” à honra dos políticos… Imagine. Não é porque o sujeito tem mais de um bilhão (não declarado) numa conta em seu nome num paraíso fiscal ou comprou 3 milhões em diamantes poucos dias antes de ser preso que ele deve ser chamado de bandido. Na opinião do presidente do Senado, um cara que faz isso merece ser canonizado e receber em vida tratamento similar ao recebido por Roque Santeiro no último capítulo da novela, com as pessoas de joelhos à sua frente, beijando sua mão.

Eles querem ser tratados como os velhos coronéis dos contos de Jorge Amado.

E você o que faz? Finge que não vê? Que não ouve? Por acaso você sofre daquela doença que tem afetado nossos últimos presidentes?

Se você se conformar e aceitar tudo isso, seus filhos e netos não se lembrarão de você como negro ou racista, como um gay, hétero ou homofóbico, como um comunista ou fascista, como rico ou pobre. Eles de lembrarão de você apenas como um grande covarde!

Defenda seu país, sua honra e sua dignidade, pois ninguém mais fará isso por você!

Nota: Declaro estar gozando de perfeita saúde e sanidade mental; raramente saio de casa, e quando o faço geralmente é para caminhar, não me expondo a riscos de acidentes. Caso eu venha a morrer de repente e não tenha sido pela queda de um avião em minha cabeça, certamente terá sido por vingança de alguém que não gostou do que leu aqui. Peço que investiguem a fundo e não permitam que o caso seja tratado como o de Celso Daniel. Eles podem eliminar alguns inconformados, mas não eliminarão todos se estes decidirem se unir para recuperar o país.