Mercado

Aumentos camuflados

No início do ano a Coca-Cola retornável era vendida a R$ 2,99. Eram cobrados R$ 2,00 pelo vasilhame que, diferentemente da água “mineral” em garrafões de 20 litros, o consumidor só precisa comprar uma vez. Era um preço razoável, e certamente só fez aumentar o consumo do líquido mais condenado. Mas, a sede do Governo não se acaba, e veio o primeiro aumento de IPI do ano, elevando o preço deste refrigerante em dez por cento. Ele passou a custar R$ 3,29.

Este Governo é mais esperto que a serpente do Paraíso. Ele dá para tirar, permitindo, por exemplo, às classes mais baixas, por um tempo, alguns prazeres antes inalcançáveis; e depois, permite aumentos de preço muito superiores aos aumentos de salários negociados e controlados por ele próprio, deixando-nos com o gostinho de “quero mais”, para dizer mais tarde, durante a propaganda política gratuita, que será pior se outro partido vencer as eleições.

O site do jornal O Globo publicou matéria, em abril deste ano, dizendo que “O governo anunciou nesta terça-feira o segundo aumento na carga tributária do setor de bebidas frias em menos de um mês. O secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto, informou que, a partir de 1º de junho, serão corrigidas as tabelas de preços que servem como base para a incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do PIS/Cofins. Segundo ele, a medida resultará numa arrecadação adicional de R$ 1,5 bilhão este ano e valerá para cervejas, refrigerantes, refrescos, isotônicos e energéticos.”

De acordo com Barreto, o novo aumento da carga tributária terá um impacto de 1,3% sobre o preço final dos produtos. O secretário disse, no entanto, que o reajuste pode não ser repassado aos consumidores.

Leia a matéria: http://oglobo.globo.com/economia/governo-fara-novo-aumento-na-tributacao-da-cerveja-refrigerante-12338028#ixzz39TGKZR59

Mentiras e mais mentiras para os idiotas

No 1º dia de agosto, a mesma Coca-Cola de embalagem retornável estava nas gôndolas de supermercados por R$ 3,49, ou seja, com um aumento de 6,07%, o que significa que esse produto já teve uma alta acumulada de 16,72% somente este ano.

Os cigarros subiram em média 15% em janeiro e novos aumentos estão nos planos do voraz PT.

Carlos Alberto Barreto
Carlos Alberto Barreto

Existem duas formas de aumentar os preços, a tradicional (todos se lembram da inflação descontrolada do final do século passado) e a camuflada. Quando o primeiro método é adotado, os consumidores reclamam, fazem barulho, pois aprenderam a fazer manifestações que incomodam e abalam a imagem da Presidente. Já a segunda alternativa é quase imperceptível: diminui-se o conteúdo das embalagens e aplica-se um percentual menor de aumento. Tem sido assim com muitos itens, e eu tenho postado isso no Facebook há tempos.

Agora começam a acordar. O mesmo jornal O Globo publicou hoje (4 de agosto) a matéria “Indústria diminui o peso dos produtos, mas mantém preços“. Eis um trecho da notícia:

Em novembro do ano passado, a “Defesa do Consumidor” publicou reportagem mostrando esse mesmo fenômeno em sorvetes, achocolatados, cereais e refrigerantes. Dessa vez, trata-se de itens variados que vão do biscoito recheado, como o Trakinas, que foi reduzido de 154g para 143g (diminuição 7,14%), ao leite Molico (que sofreu redução 6,7% na versão em lata e 16,7% no refil) e o queijo cottage Campo Verde que encolheu 20%, seguindo pelos flocos de milho Snow Flakes, que passou de 330g para 300g, até a barra de chocolate Garoto, que de 200g passou para 180g e mais recente para 150g, numa perda de peso total de 25%, como observou a carioca Marenildes Pacheco da Silva.”

Infelizmente, mesmo o que é evidentemente ilegal, imoral ou amoral no Brasil se transforma em “coisa normal”, e assim o sentido das palavras vai se transformando. Não é normal! É comum, mas continua sendo anormal, não deveria ser encarado como coisa natural, pois é mais uma forma de enganar o povo.

desodorantePubliquei, certa vez, no Facebook um alerta sobre o que aconteceu com o desodorante roll on Rexona, da Unilever. Assim que a embalagem com aplicador na base foi lançada, em 2008, seu conteúdo era de 75 ml e o preço, e o preço era de aproximadamente R$ 2,00 nos supermercados. Ok, vamos tomar por base o último preço de que me lembro: R$ 2,15. Agora pratiquemos um exercício: vamos aplicar o índice de inflação acumulada no período de agosto de 2008 a agosto de 2014, ou seja, nos últimos 71 meses.

O índice oficial é de 38,92%, que, aplicado sobre os R$ 2,15, corrigiria o preço dos mesmos 75 ml para R$ 2,99. Entretanto, houve duas reduções de quantidade nesse período. Primeiro, para 55 ml, e mais tarde, para 50 ml, o que significa que hoje compramos 66,66% do que comprávamos naquela época. Não sendo bastante a exclusão de um terço do produto, o preço encontrado hoje é de quase R$ 9,85, ou 463%. Repetindo com todas as letras para não haver dúvidas, QUATROCENTOS E SESSENTA E TRÊS POR CENTO!

inflacao20082014

Achou muito? Espere, ainda temos que calcular o que nos foi tirado…

Se ainda tivéssemos os 75 ml dentro da embalagem e o preço fosse corrigido com o mesmo critério, num cálculo simples o valor cobrado por esse desodorante seria superior a R$ 14,00, então, poderíamos dizer que a correção seria de 687,2%!

Que base o Governo utiliza para calcular a inflação, visto que essa prática de aumentos mascarados tem sido constante? Onde estão os 38,92%? Nos salários?! Nas aposentadorias?! Na tabela de remuneração dos médicos do SUS?!

Pratique este exercício: guarde os cupons e notas fiscais de suas compras e daqui a alguns meses compare-os. Assim, quando um(a) candidato(a) aparecer na mídia dizendo mentiras, você terá todo o direito de contradizê-lo, apresentando provas em contrário.

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