Comportamento

Animais

Quando aquela moça, Camilla, espancou seu cachorrinho e foi filmada pelo vizinho de cima, todo mundo caiu de pau. Havia quem quisesse arrancar a pele da moça, amarrá-la a um poste e matá-la de pancadas para fazê-la aprender que o pobre animalzinho não merecia aquilo.

Ok, foi maldade. O animalzinho era minúsculo e totalmente indefeso diante de sua agressora, que alegou estar nervosa, talvez com TPM, cansada dos problemas que lhe pesavam sobre os ombros, embora tivesse apenas 22 anos.

Não nos cabe julgar o que a levou a assumir tais problemas, incluindo a maternidade precoce – na minha opinião. Ela poderia ter parado depois do segundo golpe, pois o bichinho já estava tonto. Isto não significa que sua atitude seja justificável.

Dito isso, tenho certeza de que já fui para a lista negra dos amantes de animais e mesmo sem ter participado daquele episódio, decerto já estão me chamando de assassino também. Mas, a verdade é que às vezes nos surpreendemos com nossas próprias atitudes. Ninguém diria nada se, em vez de dar pontapés em seu pequeno cãozinho, a moça enfiasse o braço na boca de seu marido, pelos mesmos motivos.

Isso, no entanto, não aconteceria se fosse o inverso. Homem que bate em mulher vai preso, existe uma delegacia para lidar, especialmente, com casos assim.

É exatamente esse o assunto desta postagem: a falta de proteção ao homem.

Leis de proteção deixam os homens ao “Deus dará”

As medidas tomadas pelos legisladores são, quase sempre, em consequência de algum fato que tenha provocado a indignação da sociedade. Isso não se aplica, é claro, à indignação de toda a população diante do que fazem os políticos e seus asseclas. Os fatos que os movimentam são aqueles que de alguma forma podem lhes trazer a simpatia do povo, ou pelo menos daqueles que, indignados, se manifestaram, ainda que sejam minorias. Os políticos adoram pegar o bonde das minorias porque querem ser vistos como heróis. São capazes de criar uma lei para forçar as pessoas a levar para suas casas um animalzinho abandonado, doente e cego – como esse da foto –, mas não fazem o que deveriam fazer: cuidar do problema em sua origem.

A criação da Delegacia da Mulher merece nossos aplausos. Mas, nem todas as mulheres que recorrem a ela são dignas de proteção. Ou vocês acham que algumas mulheres não provocam os homens até deixá-los totalmente descontrolados?

As delegacias ouvem o depoimento da mulher sem perguntar o que aconteceu antes da agressão. Vão à caça, prendem o agressor e também não deixam que ele exponha seus motivos para ter feito aquilo.

Não que os homens sejam bonzinhos, não são mesmo. Alguns deveriam ser mantidos presos pelo resto de suas vidas, desde que fossem julgados e condenados por um grupo de pessoas preparadas que, antes, ouvisse toda a história em detalhes e não tivesse dúvida de sua decisão. A opinião de uma delegada nem sempre é justa; a opinião de um juiz pode ser equivocada. A opinião de quem não sabe exatamente o que aconteceu tem uma enorme chance de ser apenas uma reação por transferência. Por exemplo: uma pessoa tem um animalzinho de estimação, fica sabendo que alguém agrediu um bichinho parecido lá na Conchinchina e, imaginando que seu mascote poderia ser vítima de algo parecido, se enraivece e quer sair por aí linchando quem fez aquilo. Não é assim que a coisa deve funcionar.

O ponto de vista de um vizinho

Eis um trecho da matéria publicada no site Paraíba.com.br:

“Claudemir Rodrigues Maciel foi convocado a depor por carta precatória, a pedido da delegacia de Formosa. (…) Claudemir afirmou que começou a filmar as agressões ao ser acordado pelos latidos do cachorro. Ele passava o fim de semana no apartamento da madrinha da filha, que é vizinha da enfermeira. ”

Não foram os ganidos do cachorro que o acordaram, mas, os latidos. Todo cão late. Ah, e como late!

Meus vizinhos possuem cães. São três à minha direita, em duas casas, um à esquerda e dois em frente. Gatos são cerca de oito. Parte deles vive num terreno baldio e é alimentada pela dona de um restaurante. Sempre do lado de fora, ela não acolhe nenhum dos gatos em sua casa.

Nenhum desses animais tem real utilidade. Servem apenas, e talvez, para que seus “donos” possam dizer aos outros que adoram animais, o que é mentira.

Não há um só minuto sem o ladrar dos cães. E nem precisam de uma carruagem para motivá-los. Qualquer coisa serve: um carro passando ao longe, uma moto, um pássaro, uma sombra, outro cachorro latindo, ou mesmo o silêncio. Tudo é motivo para latir. Eles só dão uma folga quando o calor atinge seu máximo, depois do almoço.

Durante todo o tempo que passam acordados, os cães depositam seus excrementos malcheirosos pelos quintais. E lá eles ficam, cheios de moscas que invadem minha casa, obrigando-me a manter as janelas e portas fechadas. O fedor de urina não é menos incômodo. Trazido pela brisa, invade as minhas narinas, a menos que eu esteja debaixo d’água.

Ninguém pode proibi-los de suas necessidades, mas, bem que eu gostaria de afixar cartazes de alerta para que seus donos se lembrassem de passear com eles em vez de mantê-los presos durante todo o tempo, esquecendo-se de limpar sua sujeira.

Porém, se os excrementos caninos são fedorentos, os felinos são absolutamente INSUPORTÁVEIS!

Os animais demarcam seus territórios para mostrar a outros de sua espécie que certos locais já têm dono. Como? Bem, animais não têm muitos recursos, por isso fazem o que melhor sabem fazer: defecam. E capricham! É surpreendente o que um gatinho pode fazer quando resolve soltar de vez seu intestino.

Um certo gato – daquela turma de gatos vagabundos e inúteis que ficam esperando os restos de comida humana que uma “boa alma” lhes serve pelo menos duas vezes por dia – achou que a área de entrada de minha casa devia ser dele. Era fácil invadi-la, bastava atravessar a grade, apoiar-se nas patas dianteiras, levantar o rabo, abaixar o traseiro e soltar a descarga. Pelo amor dos meus filhinhos! Que cheiro horrível! E aquilo se repetia todos dias.

Aquela inhaca preenchia todos os cantos da casa, mesmo com tudo fechado (agora entendo como os gatos afugentam os outros gatos, não dá para ficar no meio daquela nuvem fétida). Não adiantava nem tentar fechar as frestas sob as portas com panos molhados. Olha, se existe alguma coisa que passa por qualquer lugar, além da água, é cheiro de cocô de gato!

Eu tinha que tomar uma providência.

Então, é guerra? Que seja!

Fui a uma loja que vende insumos agrícolas e também animais. Expliquei a situação para o vendedor perguntando-lhe o que poderia afastar o gato. No fundo, meu desejo era matar aquela peste (pois é, como eu disse, não conhecemos nossos limites…).

O rapaz me respondeu com um sorriso nos lábios: “— A melhor coisa para espantar gatos é um cachorro.”

Até cheguei a imaginar a cena, sem dar importância à brincadeira. Afinal, ele sabia que o cachorro me daria ainda mais trabalho. Chegamos até a comentar sobre o famoso “chumbinho”, aquele veneno que mata na hora, mas – verdade seja dita –, eu jamais teria coragem de usar isso. Eu só queria que o gato fosse marcar outro território.

O sujeito me sugeriu uma tela, dessas que são usadas para fazer galinheiro. Gostei.

Alguns dias depois, meu problema com os gatos estava resolvido. A casa ficou parecendo um galinheiro, mas tudo bem. Ficaram ainda os cachorros.

Como lidar com os cachorros

Não dá para resolver esse tipo de coisa conversando com os cachorros. Eles não entendem a nossa Língua. Se você fala manso, eles pensam que você está querendo agradá-los, ficam abanando seus rabinhos e pulando para receber carinho; se você fala duro, eles tentam agradar você, ficam abanando seus rabinhos e pulando para ganhar carinho. Ou seja, cachorro (quando não morde) só sabe abanar o rabo e pedir carinho. Ah, sim, e fazer suas necessidades.

Os vizinhos têm o direito de não gostar de cachorros “nervosinhos” que ficam latindo até para os próprios rabos, e do mau cheiro que vem dos quintais onde vivem abandonados.

O local onde os animais permanecem deve ser lavado diariamente, e até mais de uma vez, com desinfetante e algum produto que ajude a minimizar o cheiro, como creolina, por exemplo.

Assista ao vídeo

Responsabilidades dos criadores

É obrigação dos donos de animais recolher seus dejetos, limpar a área que eles ocupam e mantê-los calados, pelo menos à noite.

O site PROBEM de cães e gatos, da Prefeitura de São Paulo, traz muitas informações interessantes para os criadores. Por exemplo:

  • No caso de gatos, todas as janelas e sacadas devem ter redes de proteção (e não é só para impedir a queda dos bichanos, mas também para impedir que saiam e invadam as casas alheias);
  • Os animais não devem permanecer presos em correntes ou em espaços reduzidos;
  • Os espaços ocupados pelos animais devem ser constantemente higienizados.

O mínimo que se deve fazer é lembrar que os animais não são seres humanos. Além de não saberem se expressar como nós, eles não têm consciência ou discernimento para diferenciar o certo e o errado, pois agem por instinto.

Você pode amar seu animal, mas não tem o direito de sentá-lo à mesa na casa de outras pessoas e permitir que ele coma num prato. Você pode permitir que ele lamba a sua boca, mas ninguém mais precisa passar por isso, nem mesmo indiretamente (beijando a sua boca). Você pode não se incomodar com os pelos espalhados pela sua casa, mas deve limpar bem os pés antes de entrar na casa de outras pessoas. Você pode achar lindo deixar os seus bichos de estimação dormirem na sua cama, porém, não pode se esquecer do direito que seus amigos têm de não querer que eles entrem em suas casas. Você tem até o direito de comer as fezes dos seus bichinhos de estimação, mas não de obrigar seus vizinhos a sentirem o cheiro. E, mesmo na sua própria casa, você deve ter o bom senso de manter os animais fora dos ambientes frequentados pelas visitas, a menos que elas sugiram o contrário.

Amar os animais é legal, bacana mesmo. Eu adoro brincar com cachorros. Mas, prefiro que fiquem fora da minha casa.

Quanto aos fanáticos, os que não têm senso de higiene e os doentes mentais que chamam seus animais de “meus filhinhos queridos”, bem, nada contra, desde que fiquem fora da minha casa também, com os animais. Sinceramente, acho muito mais louvável adotar uma criança.

A propósito, tenho dois cães de estimação, um macho e uma fêmea. Teria mais, se pudesse.
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