Política

2012, o ano do apocalipse

Com a maior fuzarca já vista na história política brasileira, 2012 promete ser realmente o ano do apocalipse, e nós nem precisaremos esperar até 21 de dezembro. Tudo acontecerá em outubro, devido às eleições, embora os pessimistas acreditem que o fim do mundo não acontecerá no Brasil porque o país não conta com infraestrutura adequada para um evento de tamanho porte.

A música da campanha é de autoria do ex-ministro Gilberto Gil e tem o título original “Lunik 9?, mas terá a letra alterada para “Patetas, embusteiros, abestados, correi, é chegada a hora de se candidatar à última eleição pra se arrumar…”

Alguns analistas políticos afirmam que os brasileiros mais esclarecidos não suportarão a mais uma eleição além da próxima, pois já ultrapassaram todos os limites normais de tolerância ao absurdo.

“Já votei em jogadores de futebol, lutadores de boxe, palhaços, caciques, pajés, jacarés, pastores, ovelhas, traficantes, assaltantes, assassinos, ladrões de carro, falsificadores, bicheiros, guarda-costas, motoristas, cobradores de ônibus, pipoqueiros, empregadas domésticas, brancos, negros, pardos e amarelos, prostitutas, travestis, gays, lésbicas e simpatizantes, débeis mentais, múmias, zumbis, cantores, pagodeiros (que não são cantores), bailarinos, atores, médicos, ricos, pobres e remediados. Já não sei mais em quem votar! Essas malditas urnas eletrônicas não permitem que a gente vote em alguém mais confiável, como aconteceu em 1959, em São Paulo, com o Cacareco (cerca de 100 mil votos), e em 1963, no Rio de Janeiro, com o Macaco Tião (aproximadamente 400 mil votos). A melhor opção que tivemos depois deles foi o Tiririca que recebeu mais de 1,3 milhão de votos” – desabafou o indignado eleitor Zé Doidão ao ser lembrado de que terá que votar novamente nas eleições municipais de 2012.

Venéreas dores e pré-feitos

No relatório apresentado pelos analistas, o voto obrigatório é considerado “um pé no saco” e pode ter sido por isso que o título escolhido para os representantes do povo nos municípios seja “vereadores”. De acordo com os relatores, este seria um termo derivado de “venéreas dores”, em referência ao sofrimento físico provocado nas partes baixas com o “chute” que é ter que votar em tanta gente ruim.

O estudo prossegue com a conclusão de que todos os candidatos ao maior cargo municipal consideram-se “pré-feitos” para ocupar aquela posição – o que justificaria o nome “prefeito” –; e que suas esposas, quando se tornam primeiras-damas, exigem uma plataforma que as deixe mais altas que as outras pedras do tabuleiro. Depois, abusam do direito de se locomover em todas as direções e se cercam de peões para garantir sua preservação. Tudo, é claro, às custas dos cofres públicos.

Já nas escalas mais altas, nos âmbitos estadual e federal, deputam centenas de outros eleitos, isto é, delegam a outrém o que deveriam fazer por si mesmos. O relatório conclui que assim o fazem para não serem pegos. Curiosamente, ainda de acordo com o estudo, estes são os que mais provocam indignação em suas próprias famílias, especialmente em suas progenitoras. “Nenhuma mãe sabe dizer por que seu filho deputa” – define o estudo.

Finalmente, o documento revela que apenas 81 políticos conseguem se eleger sem as dores. Talvez por isso lutem tanto para não sair de lá. E quando isso se torna inevitável, procuram a imortalidade na Academia Brasileira de Letras.

Você sabia que a soma das idades dos imortais vivos da Academia Brasileira de Letras é maior do que o dobro da idade do Brasil? E que um deles, João Guimarães Rosa, ocupou sua cadeira por apenas três dias e morreu?

Em virtude dessas observações, os analistas sugerem a mudança do nome do Senado Nacional para “Asilo Brasiliense São Francisco de Paulo”, e, ainda, a criação de um convênio que permita o livre acesso de todos os membros da Academia Brasileira de Letras àquela instituição. O intuito é promover um concurso para ver quem consegue derrubar o recorde de Carlos Magalhães de Azeredo (ou Azarado, não se sabe ao certo) que deteve uma cadeira da ABL por 66 anos. Vários “sem as dores” estão estusiasmadíssimos com a proposta.

Inscrições abertas e planos futuros

Além de Titica H. Linha, que já começa sua campanha com o apoio do deputado mais votado nas últimas eleições, mais de 16 milhões de pessoas já se inscreveram para disputar uma vaga para se tornarem candidatos aos cargos que serão disputados em outubro de 2012. Destes, 42% são desempregados; 15% são artistas decadentes; 12% já não acreditam mais na possibilidade de acertar a Mega Sena; 6% são esportistas em fim de carreira; 5% se dizem religiosos ou milagreiros; 3% são procurados pela Polícia; 3% querem trocar o circo pela política; 2% são políticos de carreira e os restantes 12% não souberam explicar seus motivos. Todos souberam responder quais seriam seus salários, se eleitos.

Um assessor que não quis se identificar garantiu que Titica e Tiririca devem formar uma chapa (ou dupla) para concorrer à Presidência da República em 2014. Pedindo total discrição, ele revelou que Tiririca acredita que H. Linha pode botar ovos de ouro e salvar o Brasil.

 

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